sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Geninho o primeiro treinador campeão brasileiro

Time do Cruzeiro posa para foto antes do clássico contra o Atlético pelo Campeonato de 1938 no estádio do América: Geraldo, Souza, Chiquito, Juca, Caieira, Mantovani, Carlos Alberto, Geninho, Calixto, Zezé e Alcides.


Pouca gente sabe, mas o primeiro treinador a se tornar campeão brasileiro foi um ex-jogador do Cruzeiro nos anos 1930, o atacante Geninho. Foi ele quem dirigiu a campanha épica do Bahia rumo ao primeiro título de campeão brasileiro em 1959.

Geninho começou a sua carreira jogando no time do quartel da polícia militar do bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, quando servia a corporação. Seu companheiro de ataque era o driblador Selado.

O Cruzeiro que sempre garimpou jovens promessas do futebol mineiro descobriu a dupla nos jogos da várzea e os levou para o Barro Preto em 1938. A prática modesta de formar times com talentos desconhecidos e sem custos aos cofres do clube é que levou o Cruzeiro a ser conhecido como a "raposa" do futebol.

Geninho chamava-se Ifigênio de Freitas Bahiense e nasceu em Belo Horizonte em 10 de setembro de 1918. Destacava-se pela habilidade em armar as jogadas de ataque. Atuava tanto na meia direita, quanto na esquerda, e não comprometeu nas vezes em que foi escalado como centro avante.

Quando chegou ao Cruzeiro, as vagas no ataque eram disputadas por jogadores como Zama, Zezé, Calixto, Nonô, Ceci, Carlos Alberto, Alcides, além dos veteranos Bengala e Ninão, mas o treinador Matturio Fabbi apostou em Geninho e, de cara, o escalou como titular. O atacante Selado preferiu não concorrer com tantos jogadores e se transferiu para o rival de Lourdes, onde eram maiores as suas chances de se tornar titular absoluto.

Já naquele ano Geninho destacou-se no time cruzeirense transformando-se no artilheiro do time com 16 gols em 24 jogos. Suas atuações lhe valeram a sua primeira convocação para a Seleção Mineira para a disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções.

No ano seguinte, Geninho caiu de produção como todo o time, que sentia em campo a fase conturbada do clube, onde os novos associados e o conselho dos natos, formado pelos fundadores, entraram em conflito. No entanto em setembro de 1939 uma luz surgiu no fim do túnel, quando o clube acertou o retorno do ídolo Niginho que estava no Vasco.

O ano de 1940 foi promissor para Geninho e para o Cruzeiro que conseguiu sair da fila de 10 anos sem a conquista de um campeonato. Em julho o atacante foi um dos 9 jogadores titulares do time convocados para a formação de uma Seleção Mineira, que realizou treinos em Caxambu, para observação do treinador da Seleção Brasileira, Ademar Pimenta.

Em agosto, Geninho despediu-se do Cruzeiro ao ser negociado ao Botafogo, que naquele período, se utilizava de empresários que vinham a Minas aliciar os jogadores mineiros. Prática essa que ficou conhecida como o "canto da sereia". Para liberar o jogador ao clube litorâneo, o Cruzeiro foi indenizado em 20 contos de réis.

Geninho foi o primeiro de uma lista de titulares do Cruzeiro nos anos 1940, que seriam aliciados pelo clube da estrela solitária e que partiram para o clube carioca deixando o Cruzeiro com uma parca soma indenizatória. São coisas que, realmente, só acontecem com o Botafogo. 

Geninho disputou ao todo 56 partidas entre 1938 e 1940 e marcou 25 gols. Seu único título foi o de Campeão de Belo Horizonte de 1940, quando participou das partidas do turno.

Geninho fez história no alvinegro carioca. Foi titular, marcou 115 gols, disputou 422 jogos, ganhou apenas um título estadual em 1948 que livrou o clube de uma fila de 13 anos sem conquistas e ainda recebeu o apelido de "arquiteto". E foi no Botafogo que ganhou sua primeira chance como treinador do time. Ele assumiu o cargo em 1949, substituindo o disciplinador Zezé Moreira.

Em 1959 Geninho viveu a sua maior glória, quando dirigiu o timaço do Bahia na campanha do primeiro título de campeão brasileiro da história. O Bahia passou pelo CSA (AL), Ceará (CE), Sport Recife (PE), Vasco da Gama (RJ) e o Santos (SP) na terceira partida decisiva disputada no estádio do Maracanã. Foram ao todo 9 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.

O Bahia recebeu a taça de campeão brasileiro das mãos do presidente da república Juscelino Kubitscheck. Era a consagração do grande ídolo baiano, o atacante Marito e do lendário presidente Osório Villas Boas. O título é creditado por muitos a inteligência do treinador Geninho.

Em 1962 ele retornou ao Cruzeiro como treinador. Dirigiu o time no returno do Campeonato Mineiro de 1961, que atravessou os primeiros meses de 1962. Sagrou-se campeão estadual - era o tri de 1959/60/61.

Foram apenas 13 jogos no cargo. Surgiram especulações que a sua demissão foi devido aos atritos com os repórteres. Geninho não teve uma boa relação com a imprensa mineira.

Mais tarde descobriu-se que o próprio treinador foi quem decidiu demitir-se. Ele havia se desentendido com o atacante Nelsinho num treino e pediu que a diretoria o afastasse do plantel. A diretoria cruzeirense, como nos dias atuais, não manda jogadores embora, mesmo que seja por solicitação do treinador. Como não foi atendido, Geninho resolveu sair.

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Em 1967 o primeiro clássico mineiro no Campeonato Brasileiro

Drible desconcertante de Tostão deixou o marcador alvinegro caído no gramado

Com o reconhecimento dos Torneios Roberto Gomes Pedrosa, como Campeonato Brasileiro pela CBF, o clássico pelo Robertão de 1967 em que o Cruzeiro goleou o Atlético por 4 a 0 passou a ser o primeiro da história da competição. A partida aconteceu no dia 5 de março de 1967.

Anteriormente, o primeiro clássico era o do Robertão de 1970 que, naquele ano, passou a valer pelo título de "campeão brasileiro". A partida foi disputada em 25 de outubro e terminou empata em 1 a 1.

A Federação Mineira indicou Cruzeiro e Atlético para participarem do Robertão de 1967 pelo critério das rendas no Campeonato Mineiro.

O Torneio Roberto Gomes Pedrosa era o nome fantasia do Torneio Rio-São Paulo e era organizado pela Federação Paulista. Em 1965 os clubes de Rio e São Paulo resolveram estender o Torneio para outros três estados que consideravam futebolisticamente desenvolvidos como o Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná.

Como o calendário da CBD já estava aprovado até 1966, a estréia dos clubes fora do eixo ficou para a edição de 1967. A Federação gaúcha indicou a dupla gre-nal e a do Paraná o extinto time do Ferroviário.

O Robertão de 1967 teve 15 clubes. O Cruzeiro participou do Grupo A que teve 7 equipes (Corinthians, Internacional, Bangu, São Paulo, Fluminense e Botafogo) e o Atlético do grupo B que teve 8 equipes (Palmeiras, Grêmio, Portuguesa, Santos, Flamengo, Vasco e Ferroviário-PR).

Na primeira fase todos se enfrentaram em turno único. Os dois primeiros colocados de cada chave prosseguiram para a segunda fase e se enfrentaram em turno único. O time que somou o maior número de pontos na segunda fase foi o campeão.

A competição de 1967 não era oficial, ou seja, o clube que se recusasse a disputá-la não sofreria nenhuma sanção e algumas equipes chegaram a escalar jogadores irregularmente inscritos não sendo punidas com a perda de pontos.

O clássico entre Cruzeiro e Atlético foi marcado para a primeira rodada. O Atlético vinha com uma sequência invicta de 21 partidas e o Cruzeiro retornava da Venezuela, onde havia feito duas partidas pela Libertadores e um amistoso no Peru em que não havia convencido com as suas apresentações.

Durante a semana, o vice-presidente do rival, Valney Fernandes, ofereceu um milhão de cruzeiros antigos como prêmio pela vitória sobre o Cruzeiro e este foi o maior valor oferecido em jogos regionais.

O comparecimento aos terreiros de umbanda, no sábado à noite, foi maior que o habitual e o delegado de costumes da capital atribuiu ao clássico de domingo.

O jogo também marcou a estréia da Toca da Raposa como a concentração oficial do Cruzeiro. O clube havia adquirido, em fevereiro, um terreno de 62 mil metros quadrados, na Pampulha, no valor de Cr$ 73 milhões.

Os dormitórios dos jogadores ficaram prontos a tempo para a equipe se concentrar antes do clássico. Todas as instalações só ficariam prontas em 1973 quando ocorreu a inauguração oficial.

O jogo atraiu um público de 103 mil pessoas no Mineirão sendo 75% formado pela torcida rival, o que gerou protestos do presidente Felício Brandi junto a Ademg que destinou apenas 25% do espaço do estádio para a torcida cruzeirense.

Felício contestava o critério de divisão e reinvindicava a metade do estádio, pois garantia que a torcida cruzeirense era muito maior do que supunham os administradores do Mineirão e, mais tarde, quando foi atendido provou que estava certo.

Se dependesse dos dois paraquedistas patrocinados pelo extinto Banco da Lavoura, o Cruzeiro não levaria o clássico. O primeiro deles trazendo a bandeira do Atlético caiu no meio do gramado e foi muito aplaudido.

O outro, com a bandeira do Cruzeiro, deixou a impressão de que cairia em cima da marquise, depois nas arquibancadas, mas acabou caindo na beirada do campo. A bola do jogo veio num paraqueda separadamente.

O Atlético fez jus a sua boa fase apenas nos 30 minutos iniciais quando dominou a partida, mas foi surpreendido com um gol do atacante Evaldo que abriu o placar para o Cruzeiro, após receber passe de Dirceu Lopes.

Daí pra frente foi moleza. O Cruzeiro desnorteou o bloqueio defensivo alvinegro com Natal e Hilton Oliveira abrindo o jogo pelas extremas. Além da velocidade dos dois pontas, o Cruzeiro ainda teve a inspiração do craque Tostão que desequilibrou o meio campo.

Este jogo, segundo Tostão, foi o melhor clássico que ele fez em sua trajetória com a camisa cruzeirense.

Cruzeiro e Atlético foram eliminados na primeira fase. O Cruzeiro ficou em 3o lugar no grupo A e o Atlético em 5o no grupo B. O Palmeiras foi o campeão e o Internacional o vice.

O treinador atleticano Gérson dos Santos culpou a inexperiência da equipe pela goleada sofrida, enquanto Airton Moreira, do Cruzeiro, disse que a vitória já era prevista.

O presidente do Cruzeiro Felício Brandi não perdeu a oportunidade para soltar mais uma de suas provocações categóricas que  marcaram sua passagem no comando mais alto do Clube dizendo que "o Atlético melhorou, mas não o suficiente para jogar com o Campeão Brasileiro"

Na segunda feira um mecânico atleticano compareceu a sede do Cruzeiro travestido de mulher para pagar uma aposta que fez com os amigos cruzeirenses.

Foi recebido ululantemente pela garotada que se concentrou na porta do clube a espera dos jogadores do Cruzeiro.

Permaneceu no estádio do Cruzeiro por algum tempo, suportando muito sem graça as variadas brincadeiras azuis. Terminado tudo retornou a oficina da rua Mato Grosso onde foi recebido com foguetes pelos colegas.

A ficha do Jogo

CRUZEIRO 4 x 0 ATLETICO (MG)
05/03/1967 - Campeonato Brasileiro (1a fase) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 91.042 (Ncr$ 190.607,)
Árbitro: Olten Aires Abreu (MG)
Auxiliares: Joaquim Gonçalves (MG) e Sílvio Gonçalves (MG)
Gols: Evaldo 30', Evaldo 52', Natal 67', Wilson Almeida 82'
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, Celton, Procópio, Neco, Piazza (Zé Carlos), Dirceu Lopes, Natal (Wilson Almeida), Evaldo (Marco Antônio), Tostão, Hilton Oliveira. T: Airton Moreira
Atlético: Hélio (Luisinho), Canindé, Vander, Grapete, Warlei, Vanderley, Laci (Paulista), Buião, Santana, Edgar Maia, Ronaldo (Tião). T: Gérson Santos

Henrique Ribeiro
@henriqueribe

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Cruzeiro tem mais campeonatos brasileiros com maior número de vitórias

Os "centro-avantes" foram os que mais comemoraram vitórias no Brasileiro de 2010

O Cruzeiro emplacou mais uma marca na história dos Campeonatos Brasileiros. Agora é o time que obteve o maior número de vitórias num mesmo Campeonato.

No Brasileirão de 2010, o Cruzeiro somou 20 vitórias na tabela de classificação e dividiu a liderança do critério com o Fluminense. Este foi o sexto Campeonato Brasileiro que o Cruzeiro termina com a maior soma de vitórias, os outros foram em 1966, 1989, 1996, 2003 e 2008.

Relação dos Clubes que terminaram o Campeonato Brasileiro com o maior número de vitórias:
1959 - Bahia 9
1960 - Fortaleza e Fluminense 4
1961 - Bahia 7
1962 - Campinense 5
1963 - Confiança 5
1964 - Santos 5
1965 - Gremio e Nautico 6
1966 - Cruzeiro 7
1967 - Nautico e Treze 5
1970 - Palmeiras 11
1971 - Atlético/MG e Corinthians 12
1972 - Palmeiras 16
1973 - Palmeiras 25
1974 - Gremio 18
1975 - Internacional 19
1976 - Internacional 19
1977 - Atletico/MG 17
1978 - Internacional 22
1979 - Internacional 16
1980 - Atletico/MG 15
1981 - Gremio 14
1982 - Flamengo 15
1983 - Flamengo e Atletico/MG 14
1984 - Fluminense 15
1985 - Bangu e Sport Recife 20
1986 - Guarani 21
1987 - Sport Recife 12
1988 - Vasco 14
1989 - Vasco, Cruzeiro e Botafogo 9
1990 - Corinthians 12
1991 - São Paulo 12
1992 - Botafogo 15
1993 - Palmeiras 16
1994 - Palmeiras 20
1995 - Santos 15
1996 - Gremio, Portuguesa, Cruzeiro e Guarani 14
1997 - Vasco 21
1998 - Corinthians 18
1999 - Corinthians 18
2000 - Vasco e São caetano 15
2001 - Atletico/PR e São Caetano 19
2002 - Santos e São Paulo 16
2003 - Cruzeiro 31
2004 - Santos 27
2005 - Corinthians 24
2006 - São Paulo 22
2007 - São Paulo 23
2008 - São Paulo, Grêmio e Cruzeiro 21
2009 - Flamengo, Internacional 19
2010 - Fluminense, Cruzeiro 20

Quem mais ganhou:
Cruzeiro - 6 vezes
Corinthians, Grêmio, Internacional, Palmeiras, São Paulo - 5 vezes
Atlético, Santos,  Vasco - 4 vezes
Flamengo, Fluminense - 3 vezes
Botafogo, Bahia, Guarani, Náutico, São Caetano, Sport - 2 vezes
Atlético-PR, Bangu, Campinense, Confiança, Fortaleza, Portuguesa, Treze - 1 vez
*Não estão incluídas nessa relação a Taça Brasil de 1968 e os Robertões de 1967 a 1969, porque ambos não foram em disputa do título de campeão brasileiro. O Robertão de 1970 passou a valer pelo título de campeão brasileiro e por isso é um campeonato brasileiro.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

As distorções do ranking nacional de clubes da CBF

Cruzeiro terminou a temporada de 2010 como vicecampeão brasileiro, mas para o ranking da CBF isso não representa muita coisa


E a CBF divulgou mais um ranking dos clubes brasileiros que foi publicado no seguinte endereço
http://www.cbf.com.br/media/30704/ranking.pdf

Já perdi as contas das tantas vezes que a entidade alterou os critérios desse ranking que passou a pontuar as participações das equipes nas séries B, C e D do Campeonato Brasileiro e também da Copa do Brasil. E isso resultou em algumas distorções.

Como ficam os clubes que disputam a Libertadores e que são impedidos pela CBF de disputar a Copa do Brasil? No prejuízo, é óbvio.

Uma comparação pode ser feita com o Atlético que se deu bem com essa distorção em relação ao Cruzeiro, que não pode disputar a Copa do Brasil em 2001, 2004, 2008, 2009 e 2010 por estar participando da Libertadores. Nestes anos o Atlético somou 22 pontos de diferença em relação ao rival, porque disputou a Copa do Brasil.

O ano de 2010 foi bom para o Cruzeiro e ruim para o Atlético. No entanto, o ranking que deveria servir como um comparativo, não reflete a real dimensão da situação dos clubes na temporada. O Cruzeiro obteve apenas 6 pontos de diferença em relação ao rival. Recebeu 59 pontos pelo vicecampeonato brasileiro, enquanto o Atlético que se livrou do rebaixamento na antepenúltima rodada e terminou o certame na 13a posição recebeu 48 pontos. No entanto foi beneficiado com mais 5 pontos pela participação nas quartas de final da Copa do Brasil que o Cruzeiro foi impedido de disputar.

Outra distorção é que o ranking computa apenas os pontos para as equipes da Série A do Campeonato Brasileiro que se classificaram até a 20a colocação.

E como ficam os clubes que participaram de campeonatos da série A com mais de 20 participantes e que se classificaram abaixo da 20a posição? Foram punidos por terem disputado a divisão principal, enquanto os times da série B nestes anos foram beneficiados.

Por causa desse critério absurdo, o Cruzeiro não recebe pontuação em 5 campeonatos brasileiros que disputou na Série A. O Campeonato de 2001 teve 28 participantes e o Cruzeiro se classificou em 21º; o de 1994 teve 24 e o Cruzeiro ficou em 22º, os brasileirões de 1982 e 1985 tiveram 44 clubes cada e o Cruzeiro classificou-se em 24º e 29º, respectivamente. Por último, o de 1984 teve 41 participantes e o Cruzeiro terminou em 33º

E mesmo seguindo os critérios da CBF os números apresentados não batem. Desisti de conferir. Já enviei mensagens aos responsáveis na CBF e não obtive resposta.

A CBF divulgou que o Cruzeiro está na 9a posição com 1.950 pontos. Pela minha soma e seguindo os critérios do ranking que, possivelmente, rejeitam os campeonatos brasileiros da década de 1960 e as classificações abaixo da 20a posição na série A, o Cruzeiro somou 2.029 pontos.

A CBF não reconhece a Copa João Havelange de 2000. Ainda assim, os números não batem. Tirando os 58 pontos que o Cruzeiro deveria receber pela 3a colocação naquele campeonato, a soma total seria 1.971 pontos. Onde foram parar os outros 21 pontos?

Vamos as contas começando pelo Campeonato Brasileiro:
1o lugar - 1 vez (2003) = 60 pontos
2o lugar - 4 vezes (1974, 1975, 1998 e 2010) = 236 pontos
3o lugar - 5 vezes (1973, 1989, 1995, 2000 e 2008) = 290 pontos
4o lugar - 1 vez (2009) = 57 pontos
5o lugar - 3 vezes (1996, 1999, 2007) = 168 pontos
6o lugar - 2 vezes (1972, 1979, 1987) = 165 pontos
8o lugar - 5 vezes (1971, 1986, 1988, 1992, 2005) = 265 pontos
9o lugar - 2 vezes (1990, 2002) = 104 pontos
10o lugar - 3 vezes (1978, 1980, 2006) = 153 pontos
13o lugar - 1 vez (2004) = 48 pontos
15o lugar - 1 vez (1993) = 46 pontos
16o lugar - 2 vezes (1977, 1991) = 90 pontos
17o lugar - 1 vez (1983) = 44 pontos
19o lugar - 2 vezes (1976, 1981) = 84 pontos
20o lugar - 1 vez (1997) 41 pontos
TOTAL: 1.851 pontos

Agora a Copa do Brasil:
1o lugar - 4 vezes (1993, 1996, 2000 e 2003) = 120 pontos
2o lugar - 1 vez (1998) = 20 pontos
Semifinal - 1 vez (2005) = 10 pontos
Quartas - 2 vezes (1995, 2006) = 10 pontos
Oitavas - 4 vezes (1989, 1991, 2002 e 2007) = 12 pontos
16a de final - 3 vezes (1990, 1997 e 1999) = 6 pontos
TOTAL: 178 pontos

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Recordes do Cruzeiro de 2003 permanecem imbatíveis

O Cruzeiro ainda é o único duplo campeão nacional do Brasil. Em 2003 o time (foto) conseguiu a façanha de conquistar no mesmo ano a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. 

Recorde - mais um Campeonato Brasileiro se passou e o recorde de pontos ganhos obtido pelo Cruzeiro no ano de 2003 não foi batido. Naquele ano o time somou 100 pontos superando a marca anterior de 70 pontos que pertencia ao Vasco no Campeonato de 1997. O Santos de 2004 foi o que chegou mais perto: 89 pontos. A lista dos maiores pontuadores é a seguinte:

100 pontos - Cruzeiro/2003
89 pontos - Santos/2004
81 pontos - Corinthians/2005
78 pontos - São Paulo/2006
77 pontos - São Paulo/2007
75 pontos - São Paulo/2008
70 pontos - Vasco/1997

Outro recorde mantido foi o de maior número de vitórias. Em 2003 o Cruzeiro venceu 31 partidas e apenas o Santos de 2004 chegou a ameçar a marca quando conquistou 27 vitórias. A lista dos times que conquistaram o maior número de vitórias numa mesma edição do Brasileiro é a seguinte:

31 vitórias - Cruzeiro/2003
27 vitórias - Santos/2004
25 vitórias - Palmeiras/1973
24 vitórias - Corinthians/2005
23 vitórias - São Paulo/2007
22 vitórias - São Paulo/2006, Internacional/1978
21 vitórias - Guarani/1986, Vasco/1997, São Paulo/2008, Grêmio/2008, Cruzeiro/2008

Duplo Campeão Nacional - o Santos conquistou a Copa do Brasil de 2010, mas foi o 8o colocado no Campeonato Brasileiro. Assim, o Cruzeiro permanece como o único duplo-campeão nacional do futebol brasileiro com as conquistas da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro do mesmo ano, em 2003. Desde 1989 que o Brasil possui duas competições nacionais por ano, como nos países europeus. O time europeu que conquista os dois torneios de seu país no mesmo ano é chamado de duplo-campeão nacional. Segue a lista dos campeões brasileiros e da Copa do Brasil desde 1989.

1989 - Vasco - Grêmio
1990 - Corinthians - Flamengo
1991 - São Paulo - Criciúma
1992 - Flamengo - Internacional
1993 - Palmeiras - Cruzeiro
1994 - Palmeiras - Grêmio
1995 - Botafogo - Corinthians
1996 - Grêmio - Cruzeiro
1997 - Vasco - Grêmio
1998 - Corinthians - Palmeiras
1999 - Corinthians - Juventude
2000 - Vasco - Cruzeiro
2001 - Atlético/PR - Grêmio
2002 - Santos - Corinthians
2003 - Cruzeiro - Cruzeiro
2004 - Santos - Santo André
2005 - Corithians - Paulista
2006 - São Paulo - Flamengo
2007 - São Paulo - Fluminense
2008 - São Paulo - Sport Recife
2009 - Flamengo - Corinthians
2010 - Fluminense - Santos

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Eu acredito no São Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis

Existe um santo que vez ou outra opera milagres a favor do Cruzeiro. Ele não é reconhecido pelas religiões porque é torcedor do Cruzeiro e está pouco se fudendo para os outros times.

Ele está acima do bem e do mal, ou seja, não importa se o time cruzeirense tenha feito uma boa ou má campanha, que ele ajuda assim mesmo. Ele é o Santo Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis!

O São Inesperado pode operar outro milagre no próximo domingo. E será um milagre que ainda não realizou, pois em outras ocasiões, ele gorou um time adversário atuando em outro jogo e, desta vez, terá que azarar dois adversários do Cruzeiro: o Corinthians e o Fluminense.

Listei abaixo alguns milagres do Santo que ajudaram o Cruzeiro em situações que pareciam imposssíveis!

1928 - Campeonato de Belo Horizonte

O Campeonato era disputado no sistema de pontos corridos e chegou à última rodada com Atlético e Cruzeiro dividindo a liderança com 26 pontos. O Cruzeiro teria pela frente o Villa Nova, enquanto o Atlético pegaria a baba do Alves Nogueira, que levou as maiores goleadas do certame.

O título estava mais para o Atlético, porque o Villa Nova era osso duro de roer. E, caso o Villa não arrancasse um empate ou uma vitória sobre o Cruzeiro, os dois rivais terminariam o campeonato com o mesmo número de pontos e teriam de desempatar o certame numa série decisiva de três partidas. Tudo isto porque uma vitória do Atlético sobre o Alves Nogueira era dada como favas contadas.

Foi o primeiro registro da aparição do Santo. O que ocorreu naquele domingo, de 6 de janeiro de 1929, contrariou todas as previsões. O Villa Nova foi presa fácil para o Cruzeiro e levou um sacode de 6 a 1. Já o Alves Nogueira fez a sua melhor apresentação no Campeonato. Surpreendeu o Atlético arrancando um empate em 3 a 3, que acabou dando o título para o Cruzeiro.

O Gol de empate do Alves foi marcado numa penalidade máxima. O São Inesperado Cruzeirense para impor a sua ação tratou de golpear moralmente o time atleticano ao ajudar impulsionar a bola chutada pelo centro-médio Borges, que partiu com tanta violência, que nem uma barreira de aço e concreto impediria a sua trajetória. A bola furou as redes!

1967 - Campeonato Mineiro

O Campeonato foi disputado no sistema de pontos corridos e o Atlético liderou a tabela de classificação desde a primeira rodada. O clássico do returno estava marcado para a ante-penúltima rodada. O Atlético era o líder com um ponto de vantagem sobre o Cruzeiro.

O primeiro tempo do clássico foi desastroso. O meiocampo Tostão saiu contundido aos 5 minutos e o zagueirão Procópio foi expulso aos 25 de jogo. O volante Piazza foi deslocado para a zaga, mas não foi suficiente para impedir os gols de Laci e Ronaldo. No segundo tempo o Atlético ampliou para 3 a 0 aos 15 minutos e a torcida alvinegra passou a cantar "passou, passou, passou um avião e nele estava escrito que meu time é campeão!"

Daí pra frente, o Cruzeiro reagiu e promoveu uma reação espetacular. Empatou a partida e adiou a decisão do título. Acontece que o Atlético teria pela frente duas equipes já eliminadas e desinteressadas, o Villa Nova e o América. Assim, de nada adiantaria ao Cruzeiro vencer o Formiga e o Nacional.

Daí, surgiu a notícia de que os jogadores atleticanos estavam sendo turbinados por pílulas estimulantes artesanalmente manipuladas por um farmacêutico na cidade. E o doping estava sendo utilizado em todas as partidas.  Aí mexeram com o Santo que tava quieto ouvindo sua moda de viola!

Ele resolveu entrar em ação e deu uma sacaneada no farmacêutico no momento em que preparava as pílulas fazendo-o trocar as substâncias estimulantes por calmantes.

E assim o time atleticano entrou em campo sonolento contra o fraco Villa Nova, que era um dos últimos colocados da tabela, e não conseguiu passar de um empate em 1 a 1.

Com a mãozinha do Santo, o Cruzeiro alcançou o galo na liderança. Na última rodada, ambos venceram seus jogos e o Campeonato terminou empatado. O título teve de ser decidido numa série de três partidas. O Cruzeiro venceu o rival duas vezes e conquistou o estadual de 1967.

1975 - Libertadores

Na Libertadores de 1975, o Cruzeiro participou da 1a fase no mesmo grupo do Vasco, Deportivo Cali e Atlético Nacional, da Colômbia. Naqueles tempos, apenas o vencedor do grupo é que se classificava para a próxima fase.

Na última rodada, os dois times colombianos lideravam a chave com 6 pontos, seguidos pelo Cruzeiro com 5 pontos. O Vasco com 3 pontos já estava eliminado.

O Cruzeiro derrotou o Deportivo Cali por 2 a 1 no Mineirão e dependia de uma vitória do desinteressado Vasco contra o Atlético Nacional, em São Januário, para poder prosseguir na taça. E os cariocas venceram por 2 a 0!

Caraca, o Santo Inesperado é um santo tão forte que consegue convencer até mesmo os vascaínos a ajudarem o Cruzeirão!

1987 - Copa Brasil

Essa foi foda! O São Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis se superou! O Cruzeiro participou do Grupo B, que era formado por 8 clubes. A primeira fase do Campeonato foi dividida em dois turnos distintos. O primeiro colocado de cada grupo em cada turno classificava para a semifinal do Modulo verde.

O Cruzeiro não conseguiu obter a classificação no primeiro turno, pois terminou na terceira colocação. No entanto, passou a brigar pela conquista da vaga no segundo turno com o São Paulo.

Até a última rodada, o Cruzeiro tinha 10 pontos contra 9 do tricolor paulista. Ambos enfrentariam equipes desinteressadas. E a CBF com a sua costumeira filha-da-putagem marcou a partida do São Paulo contra o Internacional, no Morumbi, para o sábado, deixando o confronto entre o Cruzeiro e o Santos, no Pacaembu, para o domingo. Aí, mexeram com o Santo que tava tomando sua pinguinha no mercado central!

No sábado o São Paulo passou fácil pelo Inter: 3 a 0. Pois é, o Santo não compareceu, mas é que ele já havia armado uma peça pra paulistada.

A vitória do tricolor na véspera elevou ao máximo a pressão sobre o time cruzeirense que teria que vencer o Santos no domingo para avançar a semifinal.

A torcida do São Paulo compareceu ao Pacaembu reforçando a pequena torcida do Santos, mas se surpreenderam com a invasão da torcida cruzeirense que foi maior do que as duas juntas.

O Santos jogou motivado pela mala branca do São Paulo e deu a alma na partida. O goleiro Rodolfo Rodriguez jogou tudo o que sabia e o que não sabia para garantir o natal prometido pelo papai noel do morumbi.

Acontece que, durante a semana, o Santo havia comparecido a sede da CBF e burlado o sorteio dos árbitros para que um trio carioca muito filho da puta apitasse o jogo e fizesse de tudo para eliminar o São Paulo.

O jogo seguia empatado sem gols e o árbitro José Roberto Wright (o grande José Roberto Wright!!!) resolveu dar alguns minutos de descontos, quando o meia Heriberto entrou na área e chutou cruzado. A bola foi ao encontro do meia-atacante Careca que marcou o gol em posição de impedimento. E sabe o que fez o auxiliar José Dutra? Não marcou porra nenhuma! E o árbitro José Roberto Wright (o grande José Roberto Wright!!!!) o que fez? Confirmou o gol, é claro!!!

Os santistas contestaram o gol cruzeirense alegando irregularidade no lance. O goleiro Rodolfo Rodriguez liderou a retirada de campo dos jogadores santistas em protesto contra o gol.

A semifinal então foi composta por dois times de Minas, um do Rio Grande do Sul e um do Rio de Janeiro .... sem paulistas!!!

Agora imaginem isso: um time paulista sendo roubado dentro de São Paulo e um time mineiro sendo o maior beneficiado por esta ajuda. Existe algo mais impossível que isso? E não é que o São Inesperado operou esse milagre!


1988 - Copa Brasil

o Cruzeiro participou do Grupo B, que era formado por 12 clubes. A primeira fase foi dividida em dois turnos distintos. O primeiro e o segundo colocado de cada grupo, em cada turno, classificava para as oitavas de final.

O Cruzeiro foi muito mal no primeiro turno, mas reagiu no segundo e passou de quase rebaixado a concorrente ao título. Na última rodada o time dividia a segunda colocação do grupo com o Corinthians. O Cruzeiro pegaria o Santa Cruz no Mineirão e o Corinthians iria até Campinas enfrentar o Guarani. Tanto o Santa quanto o Bugre já estavam eliminados e não tinham nenhuma pretensão no Campeonato.

E o Santo Inesperado promoveu mais uma de suas aparições. Espalhou boatos em Campinas de que grandes times do Rio e de São Paulo estavam interessados na contratação dos atacantes do Bugre.
O atacante Vagner Paulista mordeu a isca e ele que não havia feito porra nenhuma no campeonato inteiro sacudiu as redes corinthianas por duas vezes no primeiro tempo. O cara jogou muito! E o time de São Jorge só conseguiu empatar no último minuto dando adeus ao Campeonato, porque o Cruzeiro fez a sua parte e derrotou o Santa Cruz por 2 a 0.

1995 - Campeonato Brasileiro

O Cruzeiro participou do grupo A formado por 12 clubes. A primeira fase do Campeonato foi dividida em dois turnos distintos. O primeiro colocado de cada grupo em cada turno classificava para a semifinal.

Até a última rodada do turno o Cruzeiro dividia com o Palmeiras a liderança do grupo A. Tudo levava crer que o Palmeiras garantiria a sua classificação de maneira fácil, pois enfrentaria o seu parceiro, o Juventude, que tinha o mesmo patrocinador, a multinacional de laticínios italiana Parmalat. Isso acabou gerando suspeitas de que o time gaúcho facilitaria o jogo.

O Cruzeiro enfrentaria o Flamengo, no Mineirão, mas aí as emissoras de TV promoveram uma tremenda duma filha-da-putagem. Por causa de um acordo entre o clube dos 13 e as emissoras, os jogos dos domingos envolvendo uma equipe do Rio ou de São Paulo poderiam ser transferidos para um campo neutro com transmissão para todo o Brasil.

Resolveram aplicar este acordo, justamente, neste jogo decisivo para o Cruzeiro tirando-o do Mineirão para um pequeno e acanhado estádio na cidade de Cariacica, no Espírito Santo.

Neutralidade? Ora, todos sabem que no Espírito Santo, o Flamengo possui a maior torcida. E isso acordou o Santo Inesperado, que tava no maior sussa pitando o seu palheiro.

Como se esperava o estádio em Cariacica ficou ocupado em sua maioria por flamenguistas capixabas, mas o Cruzeiro era mais time e venceu por 2 a 0.

Em Caxias, o Santo Inesperado azedou a relação entre os irmãos de leite. Nos bastidores tratou de influenciar a opinião dos jornalistas que colocaram em xeque o caráter e a moral dos jogadores do Juventude.  E a imagem da Parmalat como ficaria com uma suspeita de manipulação de resultados de jogos?

A crônica bateu forte! Caso o Palmeiras vencesse o jogo, os jogadores do Juventude seriam tratados como mercenários e que suas carreiras dali pra frente estariam condenadas!

A pressão da mídia insuflada pelo Santo funcionou e o Juventude jogou muito, arrancou um empate em 1 a 1 contra o fortíssimo time do Palmeiras e ajudou o Cruzeiro.

1996 - Campeonato Mineiro

Este foi o último registro que tenho guardado em minha memória sobre a aparição do São Inesperado. A fase final daquele campeonato foi disputada por 6 quipes que se enfrentaram em turno e returno.

O turno da fase final terminou com o Atlético na liderança com 6 pontos de vantagem sobre o Cruzeiro. Assim para conquistar o título o Cruzeiro não dependia mais de si e tinha que torcer pelos tropeços do rival.

Na segunda rodada do returno veio o primeiro tombo do líder que empatou sem gols com o Villa Nova diminuindo a diferença para quatro pontos. Na rodada seguinte, o Cruzeiro venceu o clássico por 2 a 0 reduzindo a vantagem alvinegra para um ponto na tabela.

A decisão foi para a última rodada. O Cruzeiro tinha o clássico contra o América, no Mineirão, enquanto o Atlético pegou o Uberlândia em crise no Parque do Sabiá.

Os jornais da capital foram enfáticos ao colocarem a taça na galeria de troféus do Atlético. Ninguém acreditava que algo pudesse impedir a conquista do alvinegro. Aí mexeram com o Santo que tava de boa dançando um forró pé da serra com sua cabocla.

Ele deu um pulo em Uberlândia, pois sabia que os jogadores do time estavam fazendo corpo mole por causa do atraso de salários. E que se esse time jogasse contra o galo no domingo, aí sim a coisa seria fácil.

O Santo cochichou ao pé do ouvido do capitão do time e propôs que fizessem uma greve. Dito e feito, no dia seguinte nenhum jogador titular compareceu ao treino.

A diretoria uberlandense ficou P da vida e dispensou a turma. Era tudo o que o Santo queria. O time escalado para enfrentar o Atlético foi um misto de reservas e juniores. Gente afim de mostrar serviço.  Sangue novo!

O Cruzeiro fez o seu papel e derrotou o América por 1 a 0, já o Atlético não conseguiu sair de um empate sem gols contra o renovado Uberlândia e o que todos imaginavam que seria apenas uma partida para cumprir tabela se transformou numa comemoração de título estadual. É que não existe nada que o São Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis possa resolver! E um João de Barro me contou que andaram mexendo com o sossego dele estes dias!



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Taça Minas Gerais e a sua longa trajetória


O Cruzeiro derrotou o América duas vezes pelo mesmo placar de 2 a 1 na decisão do primeiro turno do Campeonato Mineiro de 1984, que correspondia ao título de "campeão da taça minas gerais". Por ter sido a terceira conquista consecutiva, o Cruzeiro ficou com a posse definitiva da Taça.


Neste domingo as 10 e meia da manhã, o tradicional clássico do triângulo mineiro, entre Uberlândia e Uberaba, irá decidir mais uma Taça Minas Gerais.

O Uberaba já se sagrou campeão da primeira versão da taça em 1980 numa decisão polêmica contra o América. Na segunda versão do troféu, que voltou a ser disputado a partir de 1999, o colorado luta pela segunda conquista consecutiva, já que é o atual vencedor, pois superou o Villa Nova na decisão de 2009.

O Uberlândia venceu a taça em 2003. Na primeira edição da taça, foi vice em 1981 e 1986.

A primeira versão da Taça Minas Gerais aconteceu entre 1973 e 1986. Segundo o regulamento, o clube que conquistasse o troféu por três vezes consecutivas ou cinco alternadas, ficaria com a sua posse definitiva.

Assim, o Cruzeiro ficou com o troféu em 1984, quando o conquistou por três vezes consecutivas, já que havia vencido em 1982 e 1983. 

A conquista de 1984 veio numa decisão contra o América. O Cruzeiro derrotou o alvi-verde duas vezes pelo placar de 2 a 1 nas partidas decisivas e levou a taça pro Barro Preto.

Esse foi o time do Cruzeiro que derrotou o Atlético por 1 a 0, em 29 de julho
de 1984, em partida válida pela primeira fase do primeiro turno do Estadual.
Em pé: Vítor, Ademar, Eugênio, Ailton, Douglas e Luis Cosme
Agachados: Eduardo, Seixas, Palhinha, Tostão e Joãozinho
Essa foi a campanha do título do Cruzeiro em 1984 que correspondia ao 1º turno do campeonato mineiro

PRIMEIRA FASE DO 1º TURNO
03/06 - CRUZEIRO 4 x 2 GUARANI
Seixas 2, Palhinha, Tostão (Cru); Alisson, Carlinhos (Gua)
09/06 - AMÉRICA 0 x 1 CRUZEIRO
Tostão (Cru)
16/06 - ALFENENSE 1 x 1 CRUZEIRO
Luciano (Alf); Eduardo (Cru)
24/06 - UBERLÂNDIA 3 x 0 CRUZEIRO
Geraldo Touro, Sérgio Ramos, Vivinho (Ubl)
01/07- CRUZEIRO 2 x 1 UBERABA
Eduardo, Tostão (Cru); Netinho (Ubr)
08/07 - DEMOCRATA-GV 3 x 0 CRUZEIRO
Jairo, Paulo Roberto, Rubinho (Dem)
15/07 - CRUZEIRO 3 x 0 CALDENSE
Eduardo, Joãozinho, Seixas (Cru)
22/07 - CRUZEIRO 2 x 0 VILLA NOVA
Quirino, Tostão (Cru)
29/07 - ATLÉTICO 0 x 1 CRUZEIRO
Luizinho-contra (Cru)
05/08 - CRUZEIRO 1 x 0 VALÉRIO
Seixas (Cru)
12/08 - DEMOCRATA-SL 1 x 1 CRUZEIRO
Rogério (Dem); Seixas (Cru)
02/09 - TUPI 0 x 3 CRUZEIRO
Joãozinho 2, Seixas (Cru)
09/09 - CRUZEIRO 1 x 0 NACIONAL-U
Carlinhos (Cru)

Os quatro primeiros colocados da primeira fase que se classificaram para as semifinais do 1º turno foram: 1º Cruzeiro (20 pontos), 2º Guarani (18 pontos), 3º Villa Nova (16 pontos) e 4º América (15 pontos).

América e Uberlândia empataram em número de pontos, mas o time da capital obteve mais vitórias. O Atlético terminou a fase em 6º lugar com 14 pontos.

SEMIFINAL DO 1º TURNO
12/09 - VILLA NOVA 1 x 1 CRUZEIRO
Erivelto (Vil); Carlinhos (Cru)
16/09 - CRUZEIRO 3 x 2 VILLA NOVA
Ademar, Eduardo, Tostão (Cru); Elísio, Osmar (Vil)

DECISÃO DO 1º TURNO
19/09 - AMÉRICA 1 x 2 CRUZEIRO
Almir (Ame); Carlinhos, Seixas (Cru)
23/09 - CRUZEIRO 2 x 1 AMÉRICA
Seixas 2 (Cru); Adilson (Ame)



CRUZEIRO 2 x 1 AMÉRICA
23/09/1984 - Campeonato Mineiro (decisão do 1º turno) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 39.678 (Cr$ 98.276.000,)
Árbitro: Maurílio José Santiago
Gols: Seixas 58’e 85’/ Adilson 5’
Cruzeiro: Vitor, Carlos Alberto, Geraldão (Luiz Cosme), Aílton, Ademar, Douglas, Eduardo, Tostão, Carlinhos, Seixas, Joãozinho (Palhinha). T: João Francisco
América: Jorge Hipólito, Colatina, João Batista, Eraldo, Vaner, Adauto, Tepa, Luiz Alberto (Beto), Almir, Adilson, Zezé (Zezinho). T: Jair Bala
CV: Tostão (C); Adilson (A)


A conquista do 1º turno significou a classificação direta do Cruzeiro para a decisão do Campeonato Mineiro, independente da sua classificação no 2º turno.


Como a CBF dava duas vagas para Minas Gerais na Copa Brasil e a Federação Mineira indicava o campeão e o vice estadual, a conquista da taça minas gerais representou ao Cruzeiro a classificação antecipada para o Brasileirão de 1985.


O Cruzeiro acabou conquistando o 2º turno do Campeonato Mineiro e o título estadual daquele ano numa decisão polêmica contra o Atlético. No entanto, por causa dos recursos impetrados pelo Atlético na justiça desportiva, o título e o troféu de campeão mineiro de 1984 só foram homologados seis anos depois.

A TRAJETÓRIA DA TAÇA MINAS GERAIS

A Taça Minas Gerais foi instituída em 1973 para ser disputada num torneio que antecedesse o Campeonato Mineiro por todos os clubes da divisão-extra.

O torneio não era oficial, ou seja, caso um clube não se inscrevesse não sofreria sanções como, por exemplo, ser rebaixado para a divisão de acesso ou suspenso de competições da Federação Mineira por três anos.

Como o calendário do futebol brasileiro era muito bagunçada nos anos 1970, a Federação Mineira colocou o troféu em disputa em outra competições.

Assim apenas em 1973, 1977 e 1980 a taça foi disputada num torneio próprio, sendo que nas duas últimas não houve as participações de Cruzeiro e Atlético.

Em 1975 e 1976, a Taça foi colocada em disputa no Torneio Seletivo que iria apontar os participantes do Campeonato Mineiro. Cruzeiro e Atlético participaram da taça, apesar de já estarem confirmados no campeonato estadual, pois eram os times de Minas que disputavam o Campeonato Brasileiro. Para motivar a inscrição dos grandes, a Federação concedeu ao vencedor um ponto de bônus na fase final do Campeonato Mineiro.

A partir de 1979, a Federação resolveu incluir a disputa da Taça nas fases do Campeonato Mineiro.

Na edição de 1979 e 1982 a Taça foi colocada em disputa na 1ª fase do estadual. Entre 1984 e 1986 foi válida pelo 1º turno, em 1983 pelo 2º turno e em 1981 no torneio da morte que iria apontar as duas equipes rebaixadas para a divisão de acesso

Em 1974 e 1978 não foi disputada por falta de espaço no calendário.

Um fato interessante ocorreu em 1986, quando o Atlético conquistou o 1º turno do Campeonato Mineiro. A diretoria do alvinegro cobrou da diretoria cruzeirense o troféu e tomou conhecimento que a Federação ainda não havia feito a entrega da taça aos cruzeirenses correspondente ao ano de 1985. Como o primeiro troféu que estava sendo disputado desde 1973 ficou em definitivo com o Cruzeiro em 1984, a entidade deveria providenciar a confecção de uma nova taça, mas ainda não havia feito. A partir desse episódio a taça deixou de ser disputada.

A partir de 1999 a Taça Minas Gerais reapareceu e, desta vez, sem as participações de Cruzeiro e Atlético. Em 1999 e 2000 foi válida pela 1ª fase do Campeonato Mineiro que contou apenas com a participação dos clubes do interior. A partir de 2003 passou a ser colocada num torneio próprio no segundo semestre de cada ano para indicar um dos clubes mineiros para a disputa da Copa do Brasil.

Time e comissão técnica do Uberaba pousam pra foto no Uberabão antes
da decisão da Taça Minas Gerais de 2009 contra o Villa Nova.
O colorado busca o bicampeonato domingo contra o Uberlândia
no tradicional clássico do triângulo mineiro
OS CAMPEÕES (e os vice em parêntesis) DA TAÇA MINAS GERAIS
1973 – Cruzeiro (Atlético)
1975 – Atlético (Cruzeiro)
1976 – Atlético (Cruzeiro)
1977 – Villa Nova (América)
1979 - Atlético (Cruzeiro)
1980 - Uberaba (América)
1981 – Democrata-GV (Uberlândia)
1982 – Cruzeiro (Atlético)
1983 – Cruzeiro (Atlético)
1984 – Cruzeiro (América)
*Cruzeiro ficou com a posse definitiva do troféu
1985 – Cruzeiro (Atlético)
1986 – Atlético (Uberlândia)

TAÇA MINAS GERAIS (2ª versão)
1999 – URT (Democrata-GV)
2000 – URT (Ipatinga)
2003 – Uberlândia (Araxá)
2004 – Ipatinga (Democrata-GV)
2005 – América (Caldense)
2006 – Villa Nova (Uberaba)
2007 – Ituiutaba (Tupi)
2008 – Tupi (América)
2009 – Uberaba (Villa Nova)
*1974, 1978, 1987 a 1998, 2001 e 2002 – não foi disputada


Henrique Ribeiro
twitter: @henriqueribe

sábado, 20 de novembro de 2010

Fabrício proporcionou um fato inédito na história do Clube

Por causa da escalação de mais um árbitro
que não pertencia aos quadros da FIFA
em partidas do Cruzeiro pelo Brasileiro,
o volante Fabrício revelava sua
indignação com a escolha de Sandro Meira
Ricci na véspera da partida contra o
Corinthians. Após o desfecho do circo
armado pelo trio de arbitragem, tomou a
decisão individual de abandonar a partida
após o pênalti marcado aos 88 minutos

O abandono de campo do volante Fabrício, após a marcação do pênalti roubado a favor do Corinthians, é inédito na história do clube.

O volante, ontem a tarde, em entrevista coletiva na Toca, após seis dias em silêncio, confirmou o abandono e justificou: 

"Achei melhor sair para não prejudicar mais o time, de repente ser expulso e fazer alguma coisa e ficar fora o resto do campeonato. Do jeito que a coisa estava andando, a gente não ia ganhar nunca. Eu tomei a decisão, para mim acertada, pelas circunstâncias. Acho que foi bem tomada e fui eu que tomei, não foram os caras (comissão técnica) não”.

O abandono de campo recebeu a aprovação de toda a torcida cruzeirense. No desembarque da delegação cruzeirense em Belo Horizonte, Fabrício foi ovacionado pelos torcedores no saguão do aeroporto. A foto do jogador abandonando o campo foi transformado em avatar no perfil de usuários de sites de relacionamento como o orkut e o facebook

Este tipo de expediente foi muito utilizado nos primórdios do nosso futebol, mas era uma decisão conjunta. Por não concordar com a marcação de um gol, de um pênalti, da expulsão de um jogador, todo o time abandonava o campo impedindo a continuação dos minutos restantes da partida.

De todos os clubes tradicionais do futebol mineiro, o Cruzeiro é o único que nunca se utilizou do “abandono de campo” como forma de protesto. Mesmo que os jogadores se sentissem prejudicados pelas falhas ou má intenção da arbitragem, jamais suspenderam um espetáculo por decisão própria.

O abandono de campo era impune até a uniformização das leis esportivas no Brasil que ocorreram a partir da década de 1940. O expediente, que era imoral e desrespeitoso ao público nos estádios, passou a ser passível de punição ao clube que o praticasse e assim foi praticamente extinto.

O Cruzeiro ainda preserva na sua história o fato de nunca ter abandonado uma partida, mesmo tendo agora o caso isolado de um jogador que se utilizou por conta própria dessa forma de protesto

Segue abaixo os 7 jogos do Cruzeiro que foram suspensos por causa de abandono de campo dos adversários e seus motivos:

12/05/1929 – Cruzeiro 3 x 0 Sete – o Sete abandonou o campo, após a contusão de seu goleiro, quando ainda faltavam 20 minutos. O time não quis prosseguir o jogo sem o seu melhor jogador

08/11/1929 – Cruzeiro 3 x 1 América – os jogadores do América abandonaram o campo, quando ainda faltavam 2 minutos. Essa pesquisa não encontrou o motivo do protesto.

01/03/1931 – Cruzeiro 4 x 3 Atlético – o presidente do Atlético que acumulava a função de presidente da Federação Mineira invadiu o campo, após o quarto gol do Cruzeiro, e obrigou o árbitro a anular o lance. Diante da recusa, ordenou a retirada do seu time de campo, quando ainda faltavam 10 minutos. O temperamento do presidente alvinegro, meses depois, provocaria a cisão do futebol da capital em duas federações distintas

18/11/1932 – Cruzeiro 1 x 2 Sete – por causa de uma briga generalizada entre os jogadores, o Sete abandonou o campo quando ainda faltavam 5 minutos

08/04/1934 – Cruzeiro 2 x 2 América o goleiro Clóvis, do América, após fazer uma defesa e suspender a bola com as mãos, foi desarmado pelo meiocampo Zezé, do Cruzeiro, que lhe tomou a bola e passou para Bengala marcar o gol de empate. Os jogadores do América protestaram e, diante da confirmação do gol pelo árbitro, abandonaram o campo, quando ainda restavam 7 minutos

21/03/1937 – Cruzeiro 2 x 2 Villa Nova – o Villa Nova abandonou o campo por não concordar com o gol de empate do Cruzeiro, quando ainda faltavam 6 minutos

28/05/1944 – Villa Nova 3 x 3 CruzeiroO gol de empate do Cruzeiro, marcado pelo ponta esquerda Alcides, foi feito numa cobrança direta de escanteio (olímpico). O atacante cruzeirense Selado chegou a tocar na bola, quando já havia transposto a linha. Os jogadores do Villa Nova, contrariando as regras, alegaram impedimento no lance, quando esta infração não existe durante a cobrança de um escanteio. O Villa abandonou o campo quando ainda faltavam 5 minutos. A Federação puniu o time de Nova Lima com a perda dos pontos.

Henrique Ribeiro
twiter: @henriqueribe

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mala Branca existe sim e até Telê Santana já recebeu!

O treinador Telê Santana que fez
história na Seleção Brasileira
recebeu, junto com o plantel do
Atlético, a "mala branca" da
diretoria do América para
derrotarem o Cruzeiro no clássico
da última rodada do Estadual de
1971. O resultado deu o título
estadual ao América.

Após o empate suado do ex-líder Fluminense contra o ameaçado de rebaixamento, Goiás, no domingo passado, retornou a polêmica do uso da “mala branca”.

Teriam Corinthians e Cruzeiro, interessados diretos no resultado do jogo, oferecido uma premiação extra para os jogadores goianos se empenharem ao máximo para tirar pontos e a liderança do Fluminense?

A prática do estímulo extra é antiga em nosso futebol, mas ainda é tratada como um tabu. É a atrasada cultura brasileira que insiste em aliar a imagem e o uso do dinheiro à imoralidade.

A “mala branca” é quase comparada a um escândalo de corrupção mesmo não sendo, pois sequer é ilegal. E é tratada com tanta delicadeza que teve até o seu rótulo alterado, pois antes era chamada de “mala preta”

O uso da mala branca já foi admitido e comprovado no Campeonato Mineiro de 1971. Na penúltima rodada daquele Estadual, que seguia o sistema de pontos corridos com turno e returno, como é o atual Campeonato Brasileiro, o América era líder com um ponto a frente do Cruzeiro. As duas equipes disputavam a liderança, rodada a rodada,
desde o início do certame. O Atlético não fazia boa campanha e já estava fora da disputa sem chances de chegar ao titulo.

O América recebeu o Fluminense, de Araguari, num sábado(19 de junho), no Mineirão, enquanto o Cruzeiro enfrentaria o Tupi, de Juiz de Fora, no domingo, também no estádio. O time de Araguari estava ameaçado de rebaixamento e, teoricamente, seria um jogo fácil para o América que, com uma vitória garantiria o título antecipado.

Antes da partida o presidente do Fluminense, de Araguari, revelou que era torcedor do Cruzeiro e que estava pronto para ajudar o seu time do coração naquilo que fosse preciso (1). Ele surpreendeu os jornalistas ao exibir um cheque no valor de doze mil cruzeiros que, segundo ele, foi entregue pelo Cruzeiro, para servir de estímulo aos seus jogadores. Uma autêntica mala branca.

O Fluminense jogou com muita garra e segurou o América arrancando um empate. No domingo(20 de junho), o Cruzeiro goleou o Tupi por 4 a 0 com um show de Tostão e alcançou o América na liderança.

Os resultados transformaram os jogos da última rodada entre América e Uberlândia, no sábado, e Cruzeiro e Atlético, no domingo, numa decisão.

As declarações do presidente do Fluminense provocaram uma revolta junto aos dirigentes do América. Acusaram o Cruzeiro e o Fluminense de prática de corrupção. Ameaçaram denunciar o fato ao Conselho de Futebol e Desporto-CFD.

O Cruzeiro de Piazza (foto) e o América brigaram
rodada a rodada pelo título mineiro em 1971. O
estadual terminou de forma polêmica e decidido
com o estímulo da "mala branca"
No entanto, o mesmo CFD num caso em que foi levado pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, no Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1970, quando os jogadores do Santos receberam uma mala branca do Atlético, que estava diretamente interessado no resultado da partida, inocentou o clube mineiro.

Naquela ocasião, o órgão alegou que não havia lei que impedisse o favorecimento de dinheiro como estímulo e só haveria apuração do fato se ele fosse ao contrário, no caso de suborno (2).

Diante desta situação, o ex-vice presidente do América, Hélio Brasil de Miranda, iniciou um movimento, durante a semana, junto a torcedores e sócios do clube, para arrecadar 50 mil cruzeiros (3).

O dinheiro iria servir para pagar aos jogadores do Atlético por uma vitória sobre o Cruzeiro. Um prêmio em dinheiro, em especial, seria dado ao atacante Dario, por cada gol que marcasse.

Os jogadores e a diretoria do Atlético foram procurados pela imprensa. A diretoria do clube dizia não ter conhecimento de que seus jogadores haviam sido procurados pela diretoria do América e que o time entraria em campo para vencer o seu maior rival sem a necessidade de um estímulo extra.

A direção alvinegra ainda provocou o América dizendo que quem dá dinheiro para estimular uma vitória, também pode cometer a prática de suborno (4). O atacante Dario manteve a sua peculiar espirituosidade dizendo que não era milionário e que se recebesse dinheiro por cada gol que marcasse colocaria no bolso sem o menor constrangimento (5).

No sábado(26 de junho), o América fez o seu papel e venceu o Uberlândia por 3 a 2. Bastava torcer para que a mala branca desse resultado no clássico de domingo. Uma vitória ou um simples empate daria o primeiro título ao clube na era Mineirão.

O clássico de 27 de junho, como não poderia deixar de ser, foi muito disputado e polêmico. O Atlético venceu por 1 a 0 e o Cruzeiro saiu reclamando a anulação de um gol de Tostão, que poderia ter mudado a história do jogo. O Atlético venceu, mas quem comemorou foi a torcida americana.

E a segunda-feira(28 de junho), foi dia de um movimento atípico numa agência do Banco Mineiro do Oeste, na rua da Bahia, no centro da capital. Os jornalistas presenciaram o comparecimento de todos os jogadores do Atlético que receberam cada um a importância de Mil e quinhentos cruzeiros prometidos pelo América.

Foram depositados 30 mil cruzeiros e o dinheiro foi dividido pelo pessoal da agência do banco aos titulares e reservas do time, mais o técnico Telê Santana (6).

A presença dos atletas atleticanos a agência bancária só chegou ao conhecimento da diretoria alvinegra, através da imprensa, que declarou que nada poderia fazer para impedir que um outro clube oferecesse dinheiro pela vitória do time.

Tentando se esquivar, a diretoria atleticana ainda provocou o Fluminense, de Araguari, dizendo que só desta maneira é que aquele clube se empenharia em campo para obter um bom resultado (7).

Apesar da troca de farpas, entre América, Atlético e Fluminense, de Araguari, o clássico de 27 de junho de 1971 evidenciou ao futebol mineiro de que a prática da mala branca não é um mito como muitos pretendem. Ela existe e é uma das facetas deste esporte que, dentre estas e muitas outras coisas, o torna tão fascinante.

Henrique Ribeiro
twitter: @henriqueribe

(1) O América...vai a CFD fazer a denúncia de que há corrupção no futebol mineiro, tirando por base as declarações e atos do presidente do Fluminense, de Araguari, antes e depois da partida de sábado no Mineirão. (...) Afirmou que era torcedor do Cruzeiro e que o Fluminense estava pronto para ajudá-lo naquilo que fosse preciso. (...) O que agravou mais a situação, na opinião do diretor do América (Roberto Calvo), foi a exibição de um cheque de Cr$ 12 mil pelo Cruzeiro para servir de estímulo aos jogadores. (América denuncia corrupção – jornal Estado de Minas – 22/06/1971)

(2) O América faz denúncia de corrupção diante de que dificilmente poderia ter sucesso. Todos sabem que o Botafogo tentou a mesma coisa contra o Atlético, que ofereceu 50 mil ao Santos por uma vitória na parte final do Robertão. O CFD respondeu que não há lei que impeça o favorecimento de dinheiro como estímulo e só haveria apuração do fato se ele fosse ao contrário, no caso de suborno. (América denuncia corrupção – jornal Estado de Minas – 22/06/1971)

(3) “Se o dinheiro está ajudando a ganhar jogos em Minas, o América não vai deixar que só os seus adversários o usem abertamente. Vai usá-lo também”. Pensando assim, alguns conselheiros, ex-dirigentes e também membros da diretoria resolveram fazer lista tentando conseguir Cr$ 40 mil, para dar de bicho aos jogadores do Atlético, no domingo para que eles derrotem o Cruzeiro. (...)O movimento é liderado por Hélio Brasil de Miranda, que foi vice-presidente na administração de Valter Mello, e esteve reunido ontem na Alameda com várias pessoas para fazer uma lista de nomes. Cada torcedor rico do América será chamado a colaborar. (...)O América acredita que na base dos CR$ 3.000,00 por pessoa, o Atlético vai dar tudo domingo contra o Cruzeiro e deve ganhar fácil (América paga bicho ao Atlético – jornal Estado de Minas – 24/06/1971)

(4) O Atlético vai enfrentar o Cruzeiro com disposição de vencê-lo sem precisar de estímulos extras.(...) Para a diretoria do Atlético, o time não vai fugir da responsabilidade para com a sua torcida e com os outros clubes. A notícia de que o América vai oferecer Cr$ 50 mil de bicho aos jogadores pela vitória e um prêmio especial para Dario, por gol marcado, foi recebida normalmente, mas o Atlético não toma conhecimento dela e entende que é um jogo perigoso, pois quem tenta estimular a vitória pode querer comprar a derrota também. (Vitória vale título para o Atlético – jornal Estado de Minas – 22/06/1971)

(5) “Não sou milionário e se me presentearem dinheiro para marcar gols, eu aceito. E não me envergonho disto. Sou capaz até de receber um cheque vivo num canal de televisão...” (Se quiserem dar bicho Dario aceita – jornal Estado de Minas – 27/06/1971)

(6) Todos os jogadores do Atlético passaram ontem pelo Banco Mineiro do Oeste, agência Bahia, e receberem Cr$ 1.500.000,00 prometidos pelo ex-diretor Hélio Brasil de Miranda, do América, que juntamente com outros americanos, pagou Cr$ 30.000,00 pela vitória sobre o Cruzeiro...O dinheiro foi depositado e dividido pelo pessoal do banco entre titulares, reservas e técnico (América pagou o Atlético – jornal Estado de Minas – 29/06/1971)

(7) O Atlético...deixou claro que não tomou conhecimento do presente dado pelos americanos aos jogadores....Para a diretoria, o Atlético é muito grande e não precisa de motivação extra para vencer. Não agimos como o Fluminense, de Araguari, que ofendeu a todos recebendo dinheiro diretamente e dando a entender que se não houvesse uma compensação não conseguiria um bom resultado diante do América. Se quisesse premiar nossos jogadores nada poderemos fazer para impedir, mas não aprovamos a medida. (América pagou o Atlético – jornal Estado de Minas – 29/06/1971)