terça-feira, 28 de junho de 2011

Rápido e rasteiro como o ataque do Cruzeiro!

No dia 27 de outubro de 1966 nasceu o bordão que mais identificou o time do Cruzeiro com a sua nação de torcedores: "Vamos embora, vamos ligeiro, rápido e rasteiro como o ataque do Cruzeiro". A frase fazia parte da marchinha "Can can do Mineirão", de autoria do maestro Jadir Ambrósio, interpretada por Haroldo Medina e a orquestra de Davi Barbosa. A música fazia parte de um disco compacto de vinil, de 33 rotações, que tinha no lado inverso o "Hino ao Campeão", que foi adotado como oficial do Clube. Os compactos foram vendidos na sede do Barro Preto e custaram 3 mil cruzeiros cada.

O refrão "rápido e rasteiro como o ataque do Cruzeiro" foi um sucesso nacional e traduzia em uma só linha o estilo acadêmico de futebol praticado pelo Cruzeiro. O gênio do humor brasileiro, Chico Anysio, foi um dos que contribuíram para nacionalizar o bordão em seu programa. O radialista Aldair Pinto, que comandava um dos programas de grande audiência nas rádios e emissoras da TV mineira, também foi um dos responsáveis pela popularização da frase junto a nação cruzeirense.

O Cruzeiro já disputou uma partida com a camisa do Sete de Setembro. Foi no dia 7 de junho de 1958,quando enfrentou o Meridional, de Conselheiro Lafaiete, pelo Torneio Eliminatório do Campeonato Mineiro, no estádio Independência. Ambos entraram em campo com camisas azuis. O árbitro José Maria Gomes solicitou que uma das equipes mudasse o uniforme e, após vários minutos de impasse, o Cruzeiro aceitou jogar com o uniforme branco do Sete de Setembro sob protestos. Pelo menos a camisa estrelada foi poupada da derrota. O time perdeu por 2 a 1 com gols de Atanázio e Cabo Frio para o Meridional. Nívio descontou para o Cruzeiro em cobrança de falta.

O atacante Oséas (foto acima) foi um dos maiores cabeceadores do futebol brasileiro, mas quando jogou pelo Palmeiras, usou a cabeça para marcar um gol contra a favor do Corinthians, pelo Campeonato Paulista de 1998. O clássico terminou 1 a 1 e Oséas foi o autor do empate corinthiano. Esse gol contra é motivo de piada e chacota até hoje.

Em 2000, o atacante veio para o Cruzeiro e repetiu o vacilo! Voltou a marcar um gol contra de cabeça. Foi a favor do Internacional e num jogo decisivo, no Beira Rio. Era a primeira partida pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro de 2000. Mas, desta vez, Oséas se redimiu a tempo. Três minutos depois, ele arrancou do meio de campo e driblou toda a defesa do Inter antes de empatar a partida. Um golaço que desmanchou o prazer dos humoristas de plantão.

CRUZEIRO 2 X 1 CORITIBA
25/06/2011 (Sab-21h) - Campeonato Brasileiro (Turno) - Arena do Jacaré (Sete Lagoas, MG)
Público: 5.256 (R$ 90.783,75)
Árbitro: Fabrício Neves Corrêa (RS)
Auxiliares: Altermir Hausmann (RS) e José Chaves Franco Filho (RS)
Gols: Montillo, de pênalti 52'e 83' (Cru)/ Marcos Aurélio 79' (Cor)
Cruzeiro: 1-Fábio; 2-Marquinhos Paraná, 3-Gil, 4-Leo, 6-Diego Renan; 8-Henrique (16-Dudu/38'), 5-Fabrício, 7-Everton, 10-Montillo; 11-Wallyson (15-Leandro Guerreiro/84'), 9-Anselmo Ramon (18-Brandão/69'). T: Joel Santana
Coritiba: 1-Edson Bastos; 2-Jonas, 3-Emerson, 4-Pereira, 6-Eltinho; 5-Willian, 8-Léo Gago, 7-Rafinha, 10-Davi (17-Marcos Aurélio/56'); 11-Everton Ribeiro (16-Everton Costa/61'), 9-Bill (18-Leonardo/69'). T: Marcelo Oliveira
CA: Fábio/44', Diego Renan/89' (Cru); Willian/43', Eltinho/51', Pereira/53', Everton Costa/65' (Cor)
*com o resultado o Cruzeiro subiu três posições e terminou a 6a rodada na 15a colocação. O volante Henrique fraturou o pulso direito aos 38 minutos de jogo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Gol de Orlando no goleiro calça frouxa

O atacante Orlando Fantoni era um artilheiro nato e contam que a sua cabeçada na bola parecia um chute! E ele tinha sorte também. Numa partida entre a Seleção Mineira e a Seleção do Espírito Santo, no extinto estádio da Alameda, em 8 de novembro de 1942, ele marcou um gol inusitado. A partida seguia empatada sem gols, quando o goleiro capixaba Dias fez uma defesa firme, após um chute do atacante Tião. Na sequência, ele se viu obrigado a soltar a bola para segurar seu calção que estava caindo. A bola escorreu em suas pernas e caiu no chão. Orlando aproveitou-se do descuido do goleiro e mandou a bola pro gol. A Seleção Mineira venceu o time do goleiro calça frouxa por 4 a 2. Orlando foi o único jogador cruzeirense que participou daquele jogo da Seleção.

O Cruzeiro enfrentou o Atlético, pela última rodada do Campeonato Mineiro de 1970, no dia 20 de setembro, no Mineirão. A partida seria apenas para cumprir tabela, pois o Galo já era o campeão antecipado. E seria uma festa particular da torcida atleticana, se não fosse o presidente Felício Brandi que, durante a semana, apresentou o zagueiro Brito, como a nova contratação. Ele veio do Flamengo e havia acabado de conquistar o tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira, no México, junto com Tostão, Piazza e Fontana. O zagueirão foi escalado para o clássico, mesmo sem estar inscrito no Estadual e, devido a isso, o Cruzeiro entrou em campo com os pontos perdidos. O clássico terminou empatado em 1 a 1. Dario marcou para o Atlético e Zé Carlos fez o gol do empate. A torcida cruzeirense foi em peso e a estréia do becão tricampeão mundial roubou a cena da festa do título estadual dos rivais.

E a Federação Mineira também colaborou para estragar a festa atleticana. É que a entidade entregou com atraso os troféus de Campeão Mineiro de 1968 e 1969 ao Cruzeiro, que recebeu os canecos e fez a festa! Para o Galo, a entidade só entregou as taças de vice-Campeão de 1968 e 1969, mas nada de entregar o troféu de campeão mineiro de 1970, que era o que valia!

O lateral esquerdo Ademar, do time júnior do Cruzeiro, foi o primeiro jogador brasileiro a atuar no futebol japonês. Em 1975 ele saiu do clube e foi para aquele país, após ganhar uma bolsa de estudos num curso de computação em Tóquio. Lá ele acabou ingressando no time do Fujita Kogyo. Era chamado de Marinho, seu sobrenome, e passou a jogar como armador. Foi destaque do Campeonato Nacional e vice-artilheiro do Campeonato de 1977. No ano seguinte levantou o título pelo Fujita. No Cruzeiro, quando ainda tinha 16 anos, foi campeão mineiro júnior de 1971, no time que tinha o ponta esquerda Joãozinho e o goleiro Vítor.

O primeiro jogo que o  Cruzeiro disputou na Europa foi no dia 9 de agosto de 1975. Foi a estréia do time no troféu Teresa Herrera. Um torneio beneficente disputado desde 1946, em La corunã, na Espanha, em homenagem a enfermeira Teresa Herrera que dedicou a vida aos pobres e por isso a renda dos jogos era revertida a entidades assistenciais. E por estar no velho continente, o Cruzeiro teve como o seu primeiro adversário, o time mais velho do mundo, o Stoke City, da Inglaterra, fundado em 1872. Apesar da experiência, os ingleses não suportaram a qualidade técnica brasileira e o Cruzeiro goleou por 3 a 0. O mais curioso é que os três gols foram marcados pelo lateral direito Nelinho, sendo dois em cobranças de pênalti e um de falta.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Um atacante cruzeirense no Clube da Esquina

O Meia atacante Clayton, que jogou no Cruzeiro entre 1978 e 1979, não era lá um jogador muito comum. Era formado em Direito e primo do compositor Wagner Tiso. Como era nascido em Três Pontas, terra de Milton Nascimento, garantia que chegou a compor algumas músicas com a rapaziada do Clube da Esquina.

Entre 1945 e 1963, os torcedores do Cruzeiro viajavam de trem para o interior acompanhar o time nos jogos do Campeonato. O "Trem da Vitória", como ficou conhecido, foi uma iniciativa do diretor de futebol do Clube, José Fialho Pacheco. A medida foi extinta em 1963, porque a Tabela Dirigida foi adotada no Campeonato e as partidas no interior ficassem escassas.

O zagueiro Fontana nunca teve papas na língua e falava o que bem entendia, doe a quem doer. Ele havia saído do Cruzeiro em 1972 e, no dia 10 de maio de 1974, foi a Toca visitar os ex-companheiros. Numa conversa com os jornalistas sobre a Seleção Brasileira ele fez críticas ao treinador Zagallo, dizendo que ele estava perdido sem Pelé, Gérson e Tostão para ajudá-lo na escalação do time e nas instruções dentro de campo.

Toda vez que o time profissional treina com os juniores ocorre algumas desavenças entre os velhos e os mais novos. Em 1973, havia no júnior do Cruzeiro um jogador chamado Caio. Num treino contra os profissionais ele aplicou um drible no experiente ponta-esquerda Lima, que lhe perguntou:
_Por acaso você é o Pelé branco?
E Caio, respondeu:
Sou sim. Quer o meu autógrafo?
Saíram na porrada!

Em 11 de junho de 1944, Cruzeiro e Atlético fizeram um clássico pelo Campeonato da Cidade. O técnico Bengala prometeu surpreender o rival com a "marcação cerrada" - um sistema de jogo introduzido no Brasil pelo treinador húngaro, Krushener, também conhecido como "o chantagista do futebol”. O esquema já era praticado pelos clubes de Rio e São Paulo e obrigava todos os jogadores, inclusive os atacantes, a exercerem a marcação.

O técnico do Atlético, Gregório Suarez, tentou ludibriar os cruzeirenses trocando os números das camisas dos jogadores de seu time, mas falhou na estratégia, pois o esquema consistia na marcação da posição e não do jogador. Em três minutos, o Cruzeiro decidiu o jogo. Os atacantes roubaram duas bolas dos defensores adversários, que resultaram nos gols de Alcides e Braguinha. A vitória por 2 a 1 colocou o Cruzeiro na liderança da tabela.

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cruzeiro superstar na Indonésia

O maior público da história do Cruzeiro no exterior foi num amistoso disputado em 26 de fevereiro de 1972, contra o Dinamo Tblisi, da República da Georgia, em Jacarta, na Indonésia. O estádio Senajan recebeu naquele dia 102 mil torcedores. O Cruzeiro venceu por 3 a 1 com gols de Eduardo, Tostão e Roberto Batata. Hipiani David descontou para o adversário. Sobre o time do Cruzeiro, o técnico do Dínamo, Gravi Katchalin, declarou: _“vocês não são craques, são artistas”.

Uma multidão seguiu o ônibus que levou a delegação do Cruzeiro da porta do estádio até o hotel. As ruas ficaram congestionadas e, por causa disso, o ônibus completou o trajeto em uma hora, quando normalmente levaria apenas10 minutos.

O Cruzeiro estreou na Copa do Brasil de 1998 goleando o time do Amapá por 7 a 1, na noite do dia 5 de fevereiro. A partida foi disputada no Estádio Zerão, em Macapá, que leva este apelido, por ter sido construído, sobre a linha imaginária do Equador – mais conhecida como "Marco Zero" e que divide os hemisférios sul e norte do planeta Terra. O mais curioso é que o estádio foi projetado para que a linha passasse, exatamente, no meio do campo. A goleada acima de dois gols de diferença na casa do adversário eliminou o segundo jogo e o time estrelado se classificou para as oitavas de final.

Em 14 de abril de 1983 o Cruzeiro disputou um amistoso contra o Democrata, no extinto estádio Duarte de Paiva, em Sete Lagoas. A partida serviu para o técnico Orlando Fantoni testar uma formação no ataque que foi chamada de pentágono. Neste sistema o ataque era formado por cinco jogadores que se movimentavam sem guardar posição. O pentágono foi formado por Palhinha, Tostão, Mauro, Edmar e Eduardo. No segundo tempo Eudes substituiu o veterano Palhinha e Edu Lima entrou na vaga de Eduardo. O amistoso terminou empatado em 1 a 1. Edmar marcou o gol do Cruzeiro aos 33 minutos, mas o time levou o empate aos 35 do segundo tempo com um gol de Renato.

O atacante Nani Lazzarotti foi o autor do primeiro gol da história do Cruzeiro em 1921. Ele atuou no time até o ano 1927, quando finalmente à pedidos de sua mãe, Gasperina Lazzarotti, encerrou a carreira. Ela era torcedora do Atlético e ficava desesperada com os gols que o filho marcava no galo.

FICHA TÉCNICA - América 1 x 1 Cruzeiro:
América 1 x 1 Cruzeiro
18/06/2011 (Sab-21h) – Campeonato Brasileiro (Turno) - Arena do Jacaré (Sete Lagoas, MG)
Público: 5.027 (R$ 87.145,)
Árbitro: Paulo César Oliveira (SP)
Auxiliares: Marcelo Van Gasse (SP) e Fábio Pereira (TO)
Gols: Fabrício 15’ (Cru)/ Fábio Júnior 54' (Amé)
América: 1-Flávio, 2-Otávio (13-Sheslon/62'), 3-Anderson, 4-Gabriel, 5-Dudu, 6-Gilson, 7-Fábio Júnior, 8-Leandro Ferreira, 9-Alessandro (18-Kempes/81'), 10-Rodriguinho (16-Fabrício/70'), 11-Amaral. T: Mauro Fernandes
Cruzeiro: 1-Fábio, 2-Pablo (15-Everton/76'), 3-Gil, 4-Léo, 5-Fabrício, 6-Gilberto, 7-Marquinhos Paraná, 8-Henrique (16-Dudu/70'), 9-Anselmo Ramon (18-Brandão/60'), 10-Montillo, 11-Wallyson. T: Cuca
CA: Gabriel/9', Dudu/44', Leandro Ferreira/78', Kempes/85' (Ame) / Gil/22', Gilberto/78' (Cru)
*com o resultado o Cruzeiro permanece na zona do rebaixamento, na 18a posição. O treinador Cuca teve o seu pedido de demissão aceito após o jogo e o clube anunciou no domingo a contratação de Joel Santana.

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sábado, 18 de junho de 2011

Dois Botafogos na trajetória de Ronaldo pelo Cruzeiro


Dois Botafogos marcaram a trajetória do atacante Ronaldo Fenômeno com a camisa cruzeirense. Foi contra o Fogão, que o artilheiro fez sua última partida pelo Cruzeiro, num amistoso, no Mineirão, em 7 de agosto de 1994. O Fenômeno havia acabado de retornar da Copa do Mundo, dos Estados Unidos, onde sagrou-se campeão como reserva. O craque já havia sido negociado ao PSV, da Holanda, por seis milhões de dólares, e despediu-se da torcida jogando apenas o primeiro tempo. Ele abriu o placar aos 10 minutos. O jogo terminou empatado em 1 a 1.

Ronaldo chegou ao Barro Preto em março de 1993. O Cruzeiro adquiriu 55% de seu passe, que pertencia a empresa do ex-jogador Jairzinho por 50 mil dólares. A estréia com a camisa cruzeirense foi na preliminar de Cruzeiro e Desportiva-ES, pela Copa do Brasil, em 23 de março. Ronaldo atuou pelo time júnior contra os amadores do Botafogo, de Matosinhos-MG. Na goleada de 4 a 1 sobre o Foguinho, Ronaldo marcou duas vezes.

Camardelli foi um zagueiro do time do Cruzeiro na campanha do vicecampeonato da cidade de 1922. Ele também atendia pelo apelido de Nêgo e veio do Atlético. No entanto, ele era mais que um ex-jogador do rival. Camardelli foi vice-presidente daquele clube em 1918. Naquela época podia, né! Após a campanha de 1922, ele retornou ao galo, onde passou a exercer outros cargos de diretoria.

Em 23 de agosto de 1986, o Cruzeiro disputou o troféu Cidade de Pamplona, contra o time do Osasuna, em Pamplona, na Espanha. O Cruzeiro que era treinado por Jair Bala vencia por 3 a 1, quando o time espanhol marcou seu segundo gol, aos 36 minutos do segundo tempo. Na saída de bola, Ronaldo Sereno tocou para Ernane que chutou do meio do campo e marcou um golaço. O árbitro Paz Garcia estava de costas no momento do gol e, mesmo ser ter visto o lance, marcou o tiro de meta. Ele alegou que a bola havia passado por cima da trave sob vaias da torcida no estádio El Sadar. A marcação surpreendeu até o goleiro do Osasuna, que apanhou a bola de dentro do gol (!!!) e cobrou o tiro de meta. A partida terminou 3 a 2 para o Cruzeiro, que levou o troféu.

O zagueiro Arley Álvares, que surgiu nas categorias de base do Cruzeiro, foi dispensado do Clube, no início de 1995, junto com outros jogadores, por ter participado de uma balada na cidade de Sabará. Ele foi negociado ao Vitória de Guimarães e, em junho de 1996, quando passava férias em Belo Horizonte, foi dar um rolé de carro com o atacante Luiz Gustavo, que também começou na base do Cruzeiro e estava no Belenenses, de Portugal. Os jogadores passeavam na companhia de duas amigas e, quando passavam pela rua Tamoios com avenida Afonso Pena, furaram uma blitz do Batalhão de Trânsito. Além de não obedecerem a ordem para parar o carro, eles se viraram de costas para os policiais, tiraram as calças e fizeram bunda-lelê. O carro saiu em alta velocidade, sendo interceptado na avenida Contorno, na Floresta. Foram conduzidos ao Juizado Especial Criminal, no Fórum Lafayette e foram liberados, após pagarem multa.

Em janeiro de 1995, chegou ao Cruzeiro o atacante camaronês Wanga, do Union Douala, por indicação do goleiro William Andem. Ele era um ex-corredor, que ganhou várias provas em seus país, e mudou de esporte quando foi convidado a jogar futebol. Foi testado num amistoso do Cruzeiro contra o Ideal, de Ipatinga. Correu muito pela ponta direita, mas não achou a bola. Como tinha 19 anos, a idéia era deixá-lo treinando no plantel júnior para ser melhor observado, mas acabou dispensado. Wanga era muito ingênuo e não tinha a menor noção do que era estar numa categoria de base. Pra ficar no Cruzeiro ele exigiu contrato com salário de R$ 5 mil, luvas de R$ 30 mil e o aluguel de um apartamento!!!

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

O brinde de Moraes a hostilidade


Não era nada fácil jogar nos estádios do interior de Minas, até fins da década de 1980. No dia 13 de junho de 1976, o Cruzeiro foi enfrentar o Uberaba, em seu estádio, pelo Campeonato Mineiro, sob grande pressão da torcida colorada. A partida seguia empatada sem gols, quando aos 21 minutos do segundo tempo, Isidoro - que hoje é supervisor do Atlético - cometeu falta no atacante Henrique, do Uberaba. A torcida do Zebu exigiu a expulsão do jogador e pressionou o árbitro José Alberto Teixeira atirando várias latas de cerveja no campo. O zagueiro Moraes, do Cruzeiro, pegou uma que ainda tinha cerveja, brindou a torcida hostil e tomou um bom gole.

O meia atacante Dedé de Dora chegou ao Cruzeiro emprestado pelo ABC-RN, em fevereiro de 1985. O presidente Benito Masci contratou o atleta sem nunca tê-lo visto jogar. Ele ficou empolgado com uma matéria na Folha de São Paulo, que apontava o jogador como uma grande promessa do futebol potiguar. Temendo um possível interesse de outros clubes pelo meiocampista, Benito não perdeu tempo e tratou de sair na frente. Dedé não passou de uma promessa e foi devolvido ao ABC quatro meses depois.

Foi num amistoso contra o Sete de Setembro, em 20 de abril de 1950, no estádio do Barro Preto, que o Cruzeiro jogou, pela primeira vez, de camisa branca. Ela foi criada para ser utilizada em jogos noturnos, devido a precariedade dos sistemas de iluminação dos estádios. No projeto original o uniforme seria camisa e meias brancas e o calção azul. No entanto, a empresa que o confeccionou entregou apenas as camisas. Foi por causa desse esquecimento que o uniforme branco deixou de ter o calção azul em sua composição.

O Cruzeiro fez a sua estréia na Taça Libertadores de 1975, contra o Vasco, no Mineirão, no dia 23 de fevereiro. Era a revanche da final do Campeonato Brasileiro de 1974, em que o time estrelado perdeu o título na derrota para os cariocas por 2 a 1, no Maracanã. Foi um jogo dificílimo. O Cruzeiro venceu por 3 a 2, com um gol de falta do lateral direito Nelinho, no último minuto. Além da vitória, o gol marcado pelo atacante Palhinha, aos 9 minutos do segundo tempo, valeu o ingresso e lavou a alma da torcida. Ele driblou os zagueiros Moisés e Miguel e o goleiro Andrada antes de tocar para as redes.

O atacante Reinaldo, que é o maior artilheiro da história do Atlético, assinou contrato com o Cruzeiro, em 17 de agosto de 1986. Ele estava no Rio Negro-AM, onde havia feito apenas cinco jogos em quatro meses. Na sua apresentação a imprensa, na sede do Barro Preto, ele vestiu a camisa do Cruzeiro, tirou fotos e declarou: “acho que poderei ter muitas alegrias ao lado da torcida cruzeirense. É uma torcida vibrante. Posso dizer que ela empurra mais o jogador que a do galo”

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Yustrich e os cabeludos


O técnico Yustrich, que tinha fama de disciplinador, foi contratado para dirigir o Cruzeiro, pela primeira vez, em 1972. Quando chegou a Toca da Raposa, foi apresentado aos jogadores, que ficaram perfilados, como um pelotão do exército. O treinador "linha dura" se deparou com um grupo de jovens bem a vontade, com cabelos compridos, barbados e de costeletas. Ele se voltou para o presidente Felício Brandi, que estava ao seu lado, e perguntou: _É uma banda de rock?

Os dirigentes do Cruzeiro sempre tiveram o terrível defeito de contratar jogadores que fizeram gol no time. Foi o caso do volante Pingo, que marcou o gol do Grêmio, na decisão da Copa do Brasil de 1993, que o Cruzeiro venceu por 2 a 1. Em 1995, logo em seu primeiro ano de mandato, o presidente Zezé Perrella pagou 800 mil dólares (!!!) ao Grêmio pelo passe do jogador. Foi o investimento mais alto feito pelo clube naquela temporada.

Além de não jogar porra nenhuma, o volantão, sem um Pingo de consideração ao investimento que lhe foi feito pelo Clube, foi para o Flamengo, em julho. O Cruzeiro, pra colocar o "Pingo nos is", deixou o jogador ir para a gávea diante de uma indenização. E o rubro negro foi generoso. Deu em troca dois jogadores no auge da forma física e técnica: o volante Fabinho e o zagueiro Gelson. Obrigado, Flamengo! O Pingo não fez falta alguma.

Em 1944 o Cruzeiro passava por uma séria crise financeira. Como o clube dispunha de parcas fontes de receita para manter os salários e as contas em dia, a torcida cooperou com a diretoria e organizou a “Campanha do Gol”. Cada participante pagava um cruzeiro por cada gol marcado pelo time. O dinheiro arrecadado era distribuído aos jogadores ao final da partida.

O atacante Reinaldo, que surgiu na categoria de base do Atlético, foi um dos reforços contratados pelo Cruzeiro para a Taça Libertadores de 1997. Ele estava jogando no Verona, da Itália, e quando soube do interesse do Cruzeiro em seu empréstimo veio correndo para o Brasil. Ao chegar em Belo Horizonte ele declarou que estava cansado de ver a sua equipe apanhar no Campeonato Italiano.

O Cruzeiro disputou um amistoso contra o Cruz Azul, do México, no Coliseu de Los Angeles, em 22 de junho de 1973. O jogo seguia empatado em 1 a 1, quando Dirceu Lopes, aos 41 minutos do segundo tempo, driblou os zagueiros Gusman e Quintano e deu um toque na bola, que encobriu o goleiro Marim. Foi um gol tão bonito, que a torcida invadiu o campo pra comemorar. O árbitro Willy Zooke encerrou a partida, ainda faltando quatro minutos para serem disputados, por não haver condições de retirar os torcedores do campo, que queriam levar as camisas dos jogadores do Cruzeiro como recordação. Pode-se dizer que Dirceu Lopes, literalmente, acabou com o jogo!

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O cachorro Sebastião do Raul



Em 1969, o goleiro Raul tinha um cachorro e, certa vez, teve que levá-lo ao veterinário. No dia seguinte, o telefone da sua casa não parou de tocar. Eram atleticanos indignados que ligaram para lhe dirigir desaforos. Um deles esbravejou:
_Fique sabendo que eu também tenho um cachorro e o nome dele é Raul!

É que na clínica, no dia anterior, Raul havia encontrado um repórter, que publicou num jornal, que o cachorro do goleiro do Cruzeiro se chamava Sebastião. Os atleticanos imaginaram que Raul havia escolhido esse nome para tripudiar o ponta esquerda Tião, do Atlético.

O treinador Geninho foi contratado para dirigir o time do Cruzeiro no returno do Campeonato Mineiro de 1961, que foi disputado em 1962. Foram os treinos mais engraçados dos tempos do Barro Preto. Ele costumava passar instruções aos jogadores, ao mesmo tempo que contava piadas do bocage, arrancando gargalhadas dos atletas a todo instante.

Em 1937, chegou ao Barro Preto, um zagueiro vindo da cidade de Tombos, atendendo pelo apelido de Tueu. Seu nome era complicado: Otoniel. Como seu sobrenome era Xavier Serpa, alguns preferiram chamá-lo de Serpa. Quando pisou no gramado para fazer o seu primeiro treino arrancou gargalhadas dos jogadores por causa das chuteiras, que eram de cor branca! Naqueles tempos o calçado futebolístico eram marrom ou preto. Ele foi submetido a uma prova de fogo. Sua estréia foi Rio de Janeiro contra o Vasco da Gama. Jogou bem, agradou ao treinador Nelo Nicolai e ganhou um contrato até dezembro. Envergonhado, pintou suas chuteiras de preto.

Em 1994 o presidente do Cruzeiro César Masci negociou o atacante Ronaldo Fenômeno ao PSV da Holanda por 6 milhões de dólares. Pouco tempo depois Masci adquiriu uma valiosa mansão às margens da lagoa da Pampulha. Contam que, quando o ônibus dos jogadores do time júnior do Cruzeiro passava em frente a casa, eles gritavam em côro:
_Ronaldo! Ronaldo! Ronaldo!

Numa partida contra o América-RN, pelo Campeonato Brasileiro de 1975, o atacante Joãozinho não parava de dar dribles no lateral Ivan e este retribuía pontapés na tentativa de intimidá-lo. Preocupado com a violência do seu marcador, o armador Toninho alertou a Joãozinho que tomasse cuidado, pois numa dessas ele poderia machucá-lo.
 _Deixa comigo, que estou guardando uma pra ele! – respondeu o atacante.

Ao receber uma bola, Joãozinho deu um drible tão desconcertante, que Ivan caiu no chão. Ele se levantou, rapidamente, mas levou outro drible ainda mais desconcertante, que o fez sair capengando pra fora do campo indo cair sentado próximo ao banco de reservas de sua equipe. O técnico Sebastião Leônidas, segurou-o pela camisa e não o deixou voltar. Chamou o reserva Maladão e decidiu fazer ali mesmo a sua substituição.

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