quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quem daria um milhão por Reinaldo Alagoano?

O atacante Reinaldo Alagoano (foto acima) foi mais um dos investimentos inexplicáveis do Cruzeiro na gestão dos Perrellas. Ele foi apresentado como um novo reforço do Clube na reta final do Campeonato Mineiro e apresentado oficialmente pelo gerente de futebol Eduardo Maluf, na Toca da Raposa, em 17 de maio de 2008. O Cruzeiro pagou R$ 1,2 milhões pela metade dos direitos do jogador. Não foi muito dinheiro por uma promessa, não? A justificativa apresentada por Maluf era de que o jogador foi destaque no Corinthians, de Alagoas, na Copa do Brasil. Reinaldo assinou contrato de cinco anos, ou seja, até 2013 ele é do Cruzeiro.

Tecnicamente muito fraco, entrou apenas em três partidas e não viu o cheiro do gol. Em janeiro de 2009 fez parte da lista de dispensa do treinador Adilson e, a partir daí, passou por um rosário de empréstimos e não consegue agradar em nenhum clube por onde passa. Foi para Bahia, Huesca (da segunda divisão da Espanha), Vegalta Sendai (da segunda divisão do Japão), Mirassol-SP, Boa Esporte-MG e, atualmente, está no ASA, de Arapiraca-AL. E depois os Perrellas dizem que não fazem loucuras com o dinheiro do clube!

As confusões com os horários das partidas que a CBF e as emissoras de televisão promovem no futebol não são recentes. Em 1982 os Campeonatos Estaduais estavam marcados para começar, após a Copa do Mundo. Para manter os clubes em atividade durante o período, a CBF organizou uma competição envolvendo todos os campeões e vicecampeões brasileiros desde 1959. Era a Taça dos Campeões! A tabela marcou o confronto entre Cruzeiro e Grêmio, no Olímpico, no dia 8 de maio, as cinco da tarde. A pedidos da televisão, a CBF antecipou o horário para as quatro da tarde, mas não deu tempo de avisar a torcida gremista que só chegou no estádio no segundo tempo da partida. A desinformação provocou, inclusive, a ausência do árbitro Bráulio Zanotto e do auxiliar Wilson Bagatini.

Nesta partida, o Cruzeiro precisava da vitória e dependia da derrota do Atlético para o América, do Rio, para se classificar para as quartas-de-final. O atacante Edmar abriu o placar para o Cruzeiro aos 20 do segundo tempo, mas um minuto depois, o árbitro gaúcho Sílvio Oliveira, que era para ter sido o auxiliar no jogo, assinalou um pênalti inexistente de Luis Cosme em Tarciso. A marcação foi tão absurda que a própria torcida gremista gritou o coro de “ladrão” no estádio. O zagueiro uruguaio Dé Leon converteu a cobrança e a partida terminou em 1 a 1. O América-RJ, que entrou no torneio como convidado, venceu o Atlético e se classificou. O time carioca acabou se sagrando o campeão da taça.

CRUZEIRO 2 X 1 BAHIA
17/06/2011 (Dom-18:30h) - Campeonato Brasileiro (Turno) - Arena do Jacaré (Sete Lagoas, MG)
Público: 6.666 (R$ 108.625,)
Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha (GO)
Auxiliares: Fábio Pereira (TO) e João Patrício de Araújo (GO)
Gols: Wallyson 4' e 52' (C)/ Jobson 14'(B)
Cruzeiro: 1-Fábio; 2-Vitor (17-Roger/46'), 4-Naldo, 3-Léo e 6-Gilberto (16-Dudu/78'); 8-Leandro Guerreiro, 5-Fabrício, 7-Marquinhos Paraná e 10-Montillo; 11-Wallyson e 9-Ortigoza (15-Everton/68'). T: Joel Santana
Bahia: 31-Marcelo Lomba; 54-Jancarlos, 28-Paulo Miranda, 22-Titi e 6-Ávine; 8-Helder (80-Ricardinho/61'), 7-Fahel, 17-Diones (21-Gabriel/73') e 19-Carlos Alberto; 11-Jobson e 99-Junior (77-Lulinha/55') T: Renê Simões
CA: Fabrício/71', Léo/74' e Leandro Guerreiro/89' (C); Jancarlos/37', Jobson/82' e Fahel/87' (B)

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

O jogador e torcedor Renato Gaúcho

A torcida que apresentou o modo mais esquisito de comemorar gols em jogos do Cruzeiro foi a do Nacional do Amazonas nos anos 1970. No dia 7 de outubro de 1973, o Cruzeiro foi enfrentar aquele time, no estádio Vivaldão, pelo Campeonato Brasileiro. Logo, aos 22 minutos, os manauaras abriram o placar com um gol marcado pelo ponta esquerda Reis. Foi então que, de repente, a torcida eufórica atirou garrafas, pedras e laranjas dentro do campo. Palhinha empatou o jogo aos 2 minutos do segundo tempo, mas Bené voltou a colocar o Nacional na frente, aos 11. E tome chuva de objetos no campo! Eduardo marcou aos 34 e a partida terminou em 2 a 2 com o gramado cheio de entulho!

O atacante Renato Gaúcho (no centro da foto acima) teve uma passagem meteórica pelo Cruzeiro em 1992. Foram apenas seis meses. Tempo que durou o seu empréstimo junto ao Botafogo, mas o suficiente para fazer história e ficar marcado na memória da nação cruzeirense. Renato era um jogador que vestiu a camisa cruzeirense, como se fosse um torcedor. Fazia questão de ser querido pela sua torcida e odiado pelos adversários.

No dia 9 de dezembro de 1992, o Mineirão recebeu uma rodada dupla válida pelo jogo de volta das semifinais do Campeonato Mineiro. Na preliminar o Cruzeiro massacrou o Rio Branco de Andradas por 8 a 1. Renato marcou três gols e se dirigiu a torcida do América sinalizando silêncio. O Coelho faria o jogo principal da rodada dupla, contra o Atlético, apenas para cumprir tabela, pois já estava classificado para a final. Na saída de campo, ele prometeu:
_Os três gols que fiz hoje foram apenas o aperitivo para os três gols que vou marcar neles, domingo!

E Renato cumpriu a ameaça. No domingo (13 de dezembro), o Cruzeiro venceu o América por 3 a 2, no primeiro jogo da final. Renato fez os três gols, sendo o terceiro marcado no último minuto. E como um bom jogador-torcedor que era, não perdeu a chance. Foi lá onde estava a torcida do Coelho e sinalizou silêncio, mais uma vez!

No dia 24 de agosto de 1982, o Cruzeiro fez a sua estréia no Torneio de Valladolid, na Espanha, contra o Salamanca e saiu na frente no placar, aos 36 minutos, com um gol de pênalti do meiocampista Tostão. O árbitro espanhol Manuel Fanjo Hernandez tentou ajudar o time da casa e inventou um pênalti aos 43 minutos, que foi tão descarado, que a própria torcida espanhola vaiou a marcação. O goleiro Luiz Antônio defendeu a cobrança do atacante Brizola. Aos 8 minutos do segundo tempo, Tostão fez 2 a 0 para o Cruzeiro. Quando ainda restavam nove minutos, o árbitro estranhamente encerrou a partida. O motivo: os jogadores do Salamanca estavam cansados.

VASCO 0 x 3 CRUZEIRO
29/06/2011 (Qua-19:30h) - Campeonato Brasileiro (Turno) - São Januário (Rio de Janeiro, RJ)
Público: 5.474 (R$ 128.825,)
Árbitro: Arilson Bispo da Anunciação (BA)
Auxiliares: Alessandro Rocha de Matos (BA) e Luiz Carlos Silva Teixeira (BA)
Gols: Leandro Guerreiro 53', Montillo 89', Roger, de pênalti 90'
Vasco: 1-Fernando Prass, 23-Fagner, 26-Dedé, 25-Anderson Martins, 32-Márcio Careca (33-Ramon/72'), 28-Eduardo Costa (19-Leandro/79'), 37-Rômulo, 6-Felipe, 10-Diego Souza, 7-Éder Luís, 9-Alecsandro (39-Elton/72'). T: Ricardo Gomes
Cruzeiro: 1-Fábio, 2-Vitor, 3-Gil, 4-Naldo, 6-Diego Renan, 8-Leandro Guerreiro, 5-Fabrício, 7-Marquinhos Paraná, 10-Montillo (17-Roger/90'), 11-Thiago Ribeiro (15-Dudu/72'), 9-Wallyson (16-Ortigoza/85'). T: Joel Santana
CA: Vitor/28', Thiago Ribeiro/40', Marquinhos Paraná/46', Wallyson/77' (C)/ Márcio Careca/63', Felipe/84', Leandro/84', Elton /84' (V)
*com este resultado o Cruzeiro subiu cinco posições na tabela de classificação e agora está na 10ª posição do Campeonato Brasileiro.

twitter: @henriqueribe