sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Queda de energia salvou o Ceará da sede de gols da Máquina Azul em 1979

A Máquina Azul de 1979 que aplacou goleadas em série no Campeonato Brasileiro. Em pé da esquerda para a direita, Luiz Antônio, Mariano, Flamarion, Marquinhos, Zezinho Figueroa e Berto. Agachados da esquerda para a direita, Júnior Brasília, Eduardo, Paulo Luciano, Erivelto e Joãozinho.

Cruzeiro e Ceará já fizeram uma partida de 36 minutos! Foi pelo Campeonato Brasileiro de 1979, que teve o time do Cruzeiro, comandado pelo técnico Ílton Chaves, como a grande sensação, por causa das goleadas em série que aplicou sobre os adversários.

Os resultados elásticos levaram o time estrelado a ser apelido de “Máquina Azul”. O Ceará foi um dos poucos adversários que escapou da sede de gols do Cruzeiro naquele campeonato. E não foi apenas por méritos da equipe do Vovô, mas porque uma queda de energia elétrica no estádio Castelão, em Fortaleza, provocou a suspensão da partida ainda no primeiro tempo.

Antes da partida contra o Ceará, a Máquina Azul havia atropelado o Remo, por 3 a 0, no Mineirão, o Vitória, por 4 a 2, na Fonte Nova, o Nacional-AM, por 4 a 1, no Mineirão e o Bahia, por 5 a 0, também no gigante da Pampulha. Já na partida contra o Nacional, o Cruzeiro havia garantindo a classificação para a segunda fase do Campeonato com duas rodadas de antecedência.

Na última rodada da fase, o adversário foi o Ceará. O Cruzeiro abriu o placar, logo aos 7 minutos, com um gol do lateral direito Nelinho. O Ceará chegou ao empate, com um gol de Rubens Nicola, aos 30 minutos.

Aos 36 minutos, quando o Cruzeiro pressionava em busca do segundo gol, uma queda de energia deixou o estádio Castelão às escuras. O problema não foi resolvido e o árbitro sergipano, Antônio Vieira Góis, suspendeu o jogo.

Uma nova partida deveria ser realizada, já que 36 minutos não correspondem ao tempo regulamentar de um jogo de futebol. Assim, a delegação cruzeirense permaneceu em Fortaleza aguardando uma decisão da Confederação Brasileira do Desporto-CBD.

No entanto, surpreendentemente, a CBD cancelou a realização de um novo jogo e considerou os 36 minutos disputados e o placar de 1 a 1, dando um ponto para cada equipe na tabela de classificação.

A CBD justificou a medida, alegando que a partida não representaria nenhuma alteração na tabela e que não havia datas disponíveis para agendar outro jogo. Curiosamente, a decisão revoltou os jogadores cruzeirenses. Queriam uma nova partida, porque estavam confiantes que iriam aplacar uma nova goleada! 

Na segunda fase daquele Brasileiro, o Cruzeiro ainda aplicou outras goleadas: 4 a 0 sobre o Dom Bosco-MT; 5 a 2, sobre o Americano-RJ; e 4 a 1 sobre o Villa Nova-MG. Como campeão da chave, o time estrelado se classificou para a terceira fase, onde enfrentou o Goiás, o Atlético-MG e o Internacional, mas na reta final, a Máquina perdeu o fôlego. Com dois empates contra o Galo e o Verdão e uma derrota para o Colorado, que ficou com a primeira colocação na chave, a Máquina ficou fora da fase semifinal e da disputa pelo título.

A ficha do jogo de 36 minutos

CRUZEIRO 1 x 1 CEARÁ (CE)
04/11/1979 (Dom-17h) - Copa Brasil (1ª fase/9ª rodada) - Castelão (Fortaleza, CE)
Renda: Cr$ 577.280,
Árbitro: Antônio Vieira Góis (SE)
Auxiliares: Manoel Alves Araújo e Francisco Augusto Pereira
Gols: Nelinho 7’; Rubens Nicola 30’
Cruzeiro: Luiz Antônio, Nelinho, Zezinho Figueroa, Marquinhos, Mariano, Nélio, Alexandre, Mauro, Júnior Brasília, Roberto César, Joãozinho. T: Ílton Chaves
Ceará: Dalmir, Tércio, Celso, Aluísio Correia, Bezerra, Edmar, Rubens Nicola, Tiquinho, Chinês, Aloísio Chaves, Jangada. T: William Pontes

Todos os jogos entre Cruzeiro e Ceará

CAMPEONATO BRASILEIRO
Jogo 3 - 29/8/1971 - Cruzeiro 6 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 4 - 5/11/1972 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Presidente Vargas (Fortaleza)
Jogo 5 - 9/6/1974 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Castelão (Fortaleza)
Jogo 7 - 4/11/1979 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Castelão (Fortaleza)
Jogo 8 - 31/5/2010 - Ceará 1 X 0
Campeonato Brasileiro (turno) - Castelão (Fortaleza)
Jogo 9 - 22/9/2010 - Cruzeiro 2 X 0
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena do Jacaré (Sete Lagoas, MG)
Jogo 10 - 20/8/2011 - Cruzeiro 1 X 0
Campeonato Brasileiro (turno) - Parque do Sabiá (Uberlândia, MG)

AMISTOSO
Jogo 1 - 19/6/1962 - Ceará 3 X 2
Amistoso - Presidente Vargas (Fortaleza)
Jogo 2 - 12/10/1969 - Cruzeiro 1 X 0
Amistoso - Presidente Vargas (Fortaleza)
Jogo 6 - 26/2/1978 - Cruzeiro 3 X 1
Amistoso (Torneio de Fortaleza) - Castelão (Fortaleza)

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Bons tempos eram aqueles que Cruzeiro e Atlético-PR brigavam para subir

Sorin marca o gol do título da Copa Sul Minas de 2002. Tempos que Atlético Paranaense e Cruzeiro duelavam em decisões



Cruzeiro e Atlético Paranaense fizeram, neste domingo, um dos mais tristes duelos em toda a história deste confronto. Logo este duelo, que já decidiu vagas na Copa do Brasil, com o Furacão levando a melhor em 1999 e o Cruzeiro dando o troco no ano seguinte. O encontro também já ocorreu pela disputa de uma vaga na Libertadores, em 1999, e o Atlético, mais uma vez, se deu bem. Em 2002 fizeram a decisão da Copa Sul Minas e o Cruzeiro bisou o título em cima do Furacão.

O Atlético Paranaense levantou o título brasileiro em 2001 e o Cruzeiro em 2003. O Furacão brigou pelo título, até a última rodada em 2004, quando ficou com o vicecampeonato e o mesmo aconteceu com o Cruzeiro, no ano passado.

O mundo dá voltas. Há alguns anos os dirigentes destes dois clubes gabavam-se de terem a melhor estrutura do país baseando-se nos CT’s do Caju e da Toca. Curiosamente, neste domingo, há três rodadas do término do Campeonato Brasileiro, ambos estavam em campo compartilhando o drama do rebaixamento para a Série B. Justamente, no Campeonato de pontos corridos que, ironicamente, premia o time que melhor se estruturou e se planejou durante a temporada.

O confronto jogo a jogo:

CAMPEONATO BRASILEIRO
Jogo 1 - 17/10/1968 - Cruzeiro 4 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 2 - 14/11/1970 - Cruzeiro 2 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Couto Pereira (Curitiba)
Jogo 3 - 12/9/1976 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Couto Pereira (Curitiba)
Jogo 5 - 8/2/1984 - Atlético 3 X 2
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Couto Pereira (Curitiba)
Jogo 6 - 26/2/1984 - Empate 2 X 2
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 7 - 16/10/1986 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (2ª fase) - Pinheirão (Curitiba)
Jogo 8 - 30/11/1986 - Cruzeiro 1 X 0
Campeonato Brasileiro (2ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 9 - 11/9/1988 - Empate 0 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª fase/1º turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 10 - 14/4/1991 - Cruzeiro 3 X 2
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Pinheirão (Curitiba)
Jogo 11 - 20/2/1992 - Cruzeiro 4 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 12 - 29/8/1996 - Empate 0 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 13 - 27/7/1997 - Empate 0 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 14 - 1/11/1998 - Cruzeiro 2 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Durival de Britto (Curitiba)
Jogo 17 - 22/8/1999 - Cruzeiro 3 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 22 - 30/7/2000 - Atlético 2 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 23 - 5/8/2001 - Atlético 2 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Independência (Belo Horizonte)
Jogo 27 - 9/11/2002 - Cruzeiro 4 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª fase) - Independência (Belo Horizonte)
Jogo 28 - 3/5/2003 - Cruzeiro 5 X 2
Campeonato Brasileiro (turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 29 - 13/9/2003 - Cruzeiro 4 X 1
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 30 - 30/5/2004 - Atlético 3 X 1
Campeonato Brasileiro (turno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 31 - 19/9/2004 - Atlético 4 X 2
Campeonato Brasileiro (returno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 32 - 6/8/2005 - Atlético 5 X 4
Campeonato Brasileiro (turno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 33 - 17/11/2005 - Atlético 2 X 1
Campeonato Brasileiro (returno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 34 - 31/5/2006 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 35 - 8/10/2006 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 36 - 25/7/2007 - Empate 2 X 2
Campeonato Brasileiro (turno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 37 - 27/10/2007 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (returno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 38 - 16/7/2008 - Cruzeiro 1 X 0
Campeonato Brasileiro (turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 39 - 25/10/2008 - Atlético 1 X 0
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 40 - 5/8/2009 - Atlético 2 X 0
Campeonato Brasileiro (turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 41 - 21/11/2009 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 42 - 14/7/2010 - Cruzeiro 2 X 0
Campeonato Brasileiro (turno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 43 - 2/10/2010 - Empate 0 X 0
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena do Jacaré (Sete Lagoas)
Jogo 44 - 17/8/2011 - Atlético 2 X 1
Campeonato Brasileiro (turno) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 45 - 20/11/2011 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena do Jacaré (Sete Lagoas, MG)

COPA DO BRASIL
Jogo 15 - 24/3/1999 - Empate 0 X 0
Copa do Brasil (2ª fase) - Couto Pereira (Curitiba)
Jogo 16 - 31/3/1999 - Empate 3 X 3
Copa do Brasil (2ª fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 20 - 24/5/2000 - Cruzeiro 2 X 1
Copa do Brasil (Oitavas de final/1ª) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 21 - 31/5/2000 - Empate 2 X 2
Copa do Brasil (Oitavas de final/2ª) - Arena da Baixada (Curitiba)

COPA SUL MINAS
Jogo 24 - 20/1/2002 - Cruzeiro 2 X 0
Copa Sul Minas (1ª fase) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 25 - 5/5/2002 - Cruzeiro 2 X 1
Copa Sul Minas (Decisão/1ª) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 26 - 12/5/2002 - Cruzeiro 1 X 0
Copa Sul Minas (Decisão/2ª) - Mineirão (Belo Horizonte)

TORNEIO SELETIVO DA LIBERTADORES
Jogo 18 - 18/12/1999 - Atlético 3 X 0
Torneio Seletivo (Decisão/1ª) - Arena da Baixada (Curitiba)
Jogo 19 - 21/12/1999 - Cruzeiro 2 X 1
Torneio Seletivo (Decisão/2ª) - Mineirão (Belo Horizonte)

AMISTOSO
Jogo 4 - 29/4/1981 - Atlético 1 X 0
Amistoso (Torneio do Governador) - Couto Pereira (Curitiba)

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sábado, 19 de novembro de 2011

20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 5

O zagueiro Higuaín sai desolado de campo não acreditando que havia sido um dos protagonistas da maior derrota da história do River. Ao fundo os cruzeirenses da geral, que invadiram o gramado para comemorar mais uma página heroica e imortal do Cruzeiro Esporte Clube: a conquista da Supercopa de 1991

Reproduzo abaixo a crônica do jogo publicada pela Revista El Grafico da Argentina:

EL PESADILLA DEL MINERAO (O PESADELO DO MINEIRÃO)

Qual é a diferença entre o inesquecível e o tristemente célebre? O lado onde se está, quando o fato ocorre.
River teve muitas noites negras, mas a do dia 20 de novembro de 91, foi a maior e será uma mancha que jamais sairá de nossas melhores roupas.

Jogo da volta da final da Supercopa. Estádio Governador Magalhães Pinto. O famoso Mineirão. Um cilindro colossal de concreto que ferve e se enfurece como poucas vezes. Cem mil pessoas (sic) formam um um mar revolto de cabeças. As bandeiras se agitam, o calor incomoda e a fumaça de fogos de artifício no campo dão a impressão de que o estádio é um caldeirão gigante.

Sete dias antes, durante o final da primavera de Buenos Aires, River conseguiu uma vantagem de 2 a 0 sobre um adversário que não teve nada de extraordinário. Fez uma viagem cheio de esperança e otimismo, já que a equipe vivia uma grande fase na Supercopa e também no Campeonato Argentino.

Mas agora, no calor intenso da populosa e industrial Belo Horizonte, qualquer indício de comemoração desaparecerá dramaticamente com o passar dos minutos de um jogo inesquecível.

O Cruzeiro era outro. As 11 camisas azuis viajam à velocidade da luz e estão muito diferentes daqueles jogadores cautelosos, que vimos no jogo do Monumental de Nuñez.  O brio como jogam, impulsionados pela sua torcida, é a certeza de que eles estão jogando para entrar para a história. Mas também, desde o início, o River é outro. Passarella armou a equipe para jogar marcando sob pressão e sair rapidamente para o ataque. Naquela noite, o plano não funcionou por um motivo simples: River não tocou na bola.

Os Pac-Man não conseguiam, de corpo e alma, arrastarem-se no terreno com grama até os tornozelos. Porque Enrique e Gordillo chegavam atrasados e ofereciam espaços enormes em sua retaguarda. Por que Rivarola e Higuain nunca achavam os três atacantes, que vinham com a bola dominada, desde o meio-campo, antes de finalizar para gol. Por que Ramon Díaz e Medina Bello ficaram lá longe, isolados, engolidos pelos zagueiros adversários.

O jogo foi como uma tortura chinesa, uma lenta demolição. Cruzeiro revelou seus personagens. Charles (o 9, habilidoso e rápido) recebia de volta, tocava de primeira, encarava e driblava. Tilico (o 7, talentoso, corpulento) matava no peito, girava, enfrentava a marcação e ninguém o segurava. Boiadeiro (o 8, estatura média) desmontava paredes em sua área, encarava e passava. Ademir (5, um Marangoni mineiro) distribuía passes com a cabeça erguida, enfrentava e passava. No primeiro tempo Cruzeiro criou 13 situações claras para marcar. Só acertou uma, num cabeceio de Ademir.

Naquela noite, Comizzo fez o possível e o impossível. Mas a derrota era como um fruto maduro pronto para despencar da árvore. Aos 7 da etapa final Tilico desviou um lançamento de Macalé e marcou o segundo gol. Era o começo do fim. O mesmo Tilico, após uma jogada de Charles marcou o terceiro aos 33. A essa altura, ninguém estava mais surpreso.

Aos 21 minutos do período final, em meio ao baile, uma luz de esperança se acendeu para o River. Com o placar de 2 a 0 adverso, em um ataque isolado, Ramon Diaz esteva frente a frente com Paulo Cesar, mas o seu remate saiu forte e em cima do goleiro brasileiro. Definitivamente, o trem já tinha passado.

O goleiro Comizzo (na foto, perseguido pelo volante Ademir) jogou pelos onze jogadores do River. Fez uma das maiores exibições de sua carreira, mas mesmo assim não pode evitar a derrota e a perda do título

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 4

Gol de Ademir. O atacante Charles busca a bola dentro do gol, enquanto a dupla de zaga Paulão e Adilson comemoram. Era o início de uma das maiores vitórias da história do Cruzeiro.

A FAÇANHA ESTRELADA E O PESADELO "MILIONÁRIO"

Henrique Ribeiro

A decisão da Supercopa foi contra o River Plate, que vinha sendo o algoz dos times brasileiros, ao eliminar o Grêmio nas oitavas e o Flamengo nas quartas. Os argentinos chegaram a final após passarem pelo Peñarol, na semifinal.

O primeiro jogo da final foi em Buenos Aires, no dia 13 de novembro, e o River conquistou um placar de 2 a 0, com um gol de pênalti do zagueiro Rivarola, aos 31 minutos e outro de cabeça do lateral esquerdo Higuaín, aos 45 minutos. Um resultado confortável que poderia ser facilmente mantido para o segundo jogo. “Vai ser difícil, embora temos demonstrado que nos damos muito bem neste tipo de decisão”, previa o atacante Ramon Medina Bello, na saída de campo, após a vitória por 2 a 0.

O otimismo da torcida e do plantel “milionário” (como são chamados torcedores e jogadores do River Plate) se justificava pelas campanhas na Supercopa e no Torneio Apertura do Campeonato Argentino, que havia conquistado com quatro rodadas de antecedência.

O segundo jogo foi marcado para o dia 20 de novembro, no Mineirão, e o Cruzeiro teria a difícil missão, impossível para muitos, de vencer por três gols de diferença para levar o caneco. “O Ênio Andrade foi fundamental na preparação da equipe para o segundo jogo. Ele nos convenceu de que era possível reverter o resultado e passou muita confiança para a gente”, recorda o ex-atacante Charles.

O que ninguém poderia imaginar é que o Cruzeiro aplicaria um dos maiores bailes sobre o River Plate. O time imprimiu um ritmo alucinante do primeiro ao último minuto de jogo e com um toque de bola envolvente, transformou o onze milionário num mero espectador.

O volante Ademir abriu o placar aos 34 minutos, ao desviar de cabeça uma cobrança de escanteio. Segundo uma estatística levantada pela revista El Grafico, da Argentina, o lance do gol de Ademir foi a 13ª das 18 chances de gol criadas pelo Cruzeiro, somente, no primeiro tempo.

 O show de bola continuou na segunda etapa e, aos seis minutos, Mario Tilico ampliou ao desviar para gol, um lançamento do meia Macalé, que havia entrado na vaga de Luiz Fernando, que saiu machucado no primeiro tempo.

O gol do título foi aos 29 minutos, numa arrancada de Charles que partiu com a bola, desde o meio de campo, e terminou com o toque final de Tilico para as redes. “Acho que foi a única vez que fiz uma jogada como aquela”, recorda o ex-atacante Charles.

Para a geração de torcedores cruzeirenses da década de 1990, foi a maior vitória da história do clube e para a torcida milionária a derrota mais inesquecível. “Ninguém acreditava que o Cruzeiro pudesse reverter aquele resultado e a torcida do River não se conforma até hoje”, recorda o ex-lateral esquerdo Sorin, que na ocasião jogava nas categorias de base do River.

Aquele jogo é tratado na Argentina como “la pesadilla del Mineirao (o pesadelo do Mineirão)”.
A atuação de Charles impressionou o astro Maradona, que acompanhou as finais. No ano seguinte, o meia do Napoli, da Itália, pagou 1,2 milhão dólares do próprio bolso pelo jogador e o cedeu ao Boca Juniors. “Se não posso jogar no Boca, que jogue este fenômeno”, justificou o ídolo argentino.

“Aquele título representou uma nova era no Cruzeiro, que já tinha um título Brasileiro e uma Libertadores, mas há muitos anos não conquistava um título de expressão. Após a conquista o Cruzeiro passou a ser o que é hoje. Cresceu estruturalmente, formou times fortes e ganhou títulos em sequência”, analisa o ex-camisa 10, Luiz Fernando.

CRUZEIRO 0 x 2 RIVER PLATE (ARG)
13/11/1991 - Supercopa (final) - Monumental de Nuñez (Buenos Aires, Argentina)
Público: 60.000 (U$ 626.666)
Árbitro: Jorge Orellana (EQU)
Auxiliares: Elias Jacome (EQU) e Wilton Villavivencia (EQU)
Gols: Rivarola (pênalti) 31’; Higuaín 89’
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Vanderci, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico (Paulinho), Charles (Macalé), Andrade. T: Enio Andrade
River Plate: Ángel Comizzo, Jorge Gordillo, Jorge Nicolás Higuaín, Guillermo Rivarola, Carlos Enrique, Leonardo Astrada (Gustavo Zapata), Hernán Díaz, Juan Borelli, Ramón Medina Bello, Ramón Díaz, Walter Silvani (Sergio Berti). T: Daniel Passarella
CA: Zelão, Mario Tilico, Nonato (C)

CRUZEIRO 3 x 0 RIVER PLATE (ARG)
20/11/1991 - Supercopa (final) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 67.279 (Cr$ 218.402.000,)
Árbitro: Hernán Silva (CHI)
Auxiliares: Gastan Castro (CHI) e Enrique Marin (CHI)
Gols: Ademir 34’; Mário Tilico 51’ e 74’
Cruzeiro: Paulo César, Nonato, Adilson, Paulão, Célio Gaúcho, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando (Macalé), Mário Tilico (Paulinho), Charles, Marquinhos. T: Enio Andrade
River Plate: Ángel Comizzo, Jorge Gordillo, Jorge Nicolás Higuaín, Guillermo Rivarola, Carlos A. Enrique, Hernán Diaz (Sergio Berti), Leonardo Astrada, Gustavo Zapata (Julio César Toresani), Juan Borelli, Ramón Medina Bello, Ramón Díaz. T: Daniel Passarella
CA: Paulão (C); Rivarola (R)

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20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 3

Os dois confrontos contra o Olimpia, no Mineirão (foto acima - com o atacante Charles em ação) e em Assunção foram muito equilibrados. O Olimpia vivia a melhor fase de sua história e era o atual campeão da Supercopa e da Libertadores do ano anterior.

MUITO PRAZER, "LA BESTIA NEGRA"

Henrique Ribeiro

Após passar pela batalha de Montevidéu, o adversário do Cruzeiro na semifinal foi o Olimpia, que havia eliminado o Independiente, da Argentina, nas quartas de final.

Com as eliminações do Flamengo pelo River Plate e do Santos para o Peñarol nas quartas de final, o Cruzeiro passou a ser o único representante do futebol brasileiro na disputa.

A primeira partida contra o Olimpia foi disputada no Mineirão, no dia 31 de outubro e, mais uma vez, a torcida cruzeirense encheu o Mineirão, para empurrar o time para a final.

O ponta esquerda Marquinhos abriu o placar, logo aos 10 minutos, numa tentativa de cruzar a bola para a área, que acabou entrando no ângulo do gol defendido pelo goleiro Battaglia.

O início de jogo deixou a impressão de que a goleada contra o Nacional se repetiria, mas o Olimpia mostrou que não havia conquistado os títulos da Taça Libertadores e da Supercopa no ano anterior, por acaso. No segundo tempo, o treinador Aníbal Ruiz colocou em campo o astro Romerito, aquele que foi campeão brasileiro de 1984, pelo Fluminense e que até hoje é considerado como um dos maiores ídolos da torcida tricolor. Ele voltava ao futebol paraguaio, após duas temporadas no Barcelona, da Espanha. Os paraguaios equilibraram o jogo e, aos 25 minutos do segundo tempo, Guirland empatou a partida.

O jogo terminou com o placar de 1 a 1, muito comemorado pelos jogadores do Olimpia. Já os cruzeirenses saíram de campo lamentando as várias chances de gol desperdiçadas. “Nosso time era muito bom. Todos os jogadores eram muito técnicos e jogávamos com a bola no chão, como é a tradição no Cruzeiro. Era incrível como conseguíamos criar tantas chances de gol contra equipes de alto nível técnico, como naquela partida contra o Olimpia e nas outra pela Supercopa”, recorda o ex-atacante Charles.

O jogo da volta foi disputado no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, no dia 6 de novembro. Ênio Andrade surpreendeu ao escalar o volante Andrade no lugar do atacante Marquinhos, mas mesmo assim o time manteve a ofensividade. Com a expulsão do zagueiro Paulão, no segundo tempo, Ênio surpreendeu de novo e trocou o meia Luiz Fernando pelo veloz atacante Paulinho, para puxar os contra-ataques.

A partida teve lances de gol de lado a lado, mas o placar não saiu do zero e o Cruzeiro, novamente, decidiu a vaga na disputa de tiros livres. Guirlan desperdiçou a primeira cobrança do Olimpia, enquanto o Cruzeiro aproveitou todas e venceu por 5 a 3.

Assim como aconteceria com o Colo Colo, esta também foi a primeira de uma série de eliminações que o Cruzeiro iria impor ao Olimpia nas competições sul-americanas e foi na imprensa paraguaia que o time estrelado ganhou a referência de “La Bestia Negra”.

CRUZEIRO 1 x 1 OLIMPIA (PAR)
31/10/1991 - Supercopa (semifinal) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 49.963 (Cr$ 115.960.000,)
Árbitro: José Torres Cardena (COL)
Auxiliares: Jorge Zuluaga e Juan Manoel Gomes
Gols: Marquinhos 10’ (1-0); Carlos Guirland 65’ (1-1)
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico, Charles (Macalé), Marquinhos. T: Enio Andrade
Olimpia: Jorge Battaglia, Virginio Cáceres, Rogério Delgado, Mario Ramírez, Silvio Suárez, Adolfo Jara Heyn, Firmino Balbuena, Jorge Guasch, Carlos Guirland (Romerito), Miguel Sanabria, Gabriel Gonzalez (Castro). T: Anibal Ruiz
CA: Delgado (O)

CRUZEIRO 0 x 0 OLIMPIA (PAR)
06/11/1991 - Supercopa (semifinal) - Defensores del Chaco (Assunção, Paraguai)
Público: 15.680 (90.615.000 guaranis)
Árbitro: Juan Bava (ARG)
Auxiliares: Abel Gneco (ARG) e Ricardo Calábria (ARG)
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando (Paulinho), Mário Tilico, Charles, Andrade (Macalé). T: Enio Andrade
Olimpia: Jorge Battaglia, Virginio Cáceres (Franco), Rogério Delgado, Mario Ramírez, Silvio Suárez, Firmino Balbuena, Jorge Guasch, Carlos Guirland, Miguel Sanabria, Gabriel Gonzalez, Adolfo Jara Heyn. T: Anibal Ruiz
CA: Ademir, Andrade, Paulão (C)
CV: Paulão (C)
Tiros livres: Cruzeiro 5 a 3 (Adilson 1 a 0; Guirlan errou a cobrança 1 a 0; Boiadeiro 2 a 0; Suarez 2 a 1; Mário Tilico 3 a 1; Ramos 3 a 2; Charles 4 a 2; Franco 4 a 3; Nonato 5 a 3)

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20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 2

O atacante Charles marcou três dos quatro gols da goleada sobre o Nacional e acabou terminando a disputa como artilheiro máximo. Dois dos três gols marcados foram de jogadas do ponta direita Mário Tilico

FUTEBOL SHOW NO MINEIRÃO E VALE TUDO EM MONTEVIDÉU

Henrique Ribeiro


O Nacional, de Montevidéu, que havia eliminado o Boca Juniors, na fase de oitavas de final, foi o adversário do Cruzeiro nas quartas de final.

Com a eliminação do Grêmio pelo River Plate nas oitavas de final, restaram apenas o Cruzeiro, o Santos e o Flamengo como representantes brasileiros na disputa.

O primeiro contra os uruguaios jogo foi no dia 16 de outubro, no Mineirão, e a dupla de ataque Charles e Mário Tilico, brindou os 60 mil cruzeirenses presentes com uma exibição antológica.
O Cruzeiro imprimiu um ritmo forte no início do jogo e abriu uma vantagem de 2 a 0, no primeiro tempo. Charles marcou duas vezes. Aos 7 minutos, o goleiro Seré rebateu uma cobrança de falta e o camisa 9 não perdoou. Aos 20 aproveitou um passe de Tilico, após uma avançada rápida pela ponta direita.

O time uruguaio passou a cadenciar o jogo e a valorizar a posse de bola, pois acreditavam que poderiam reverter a vantagem em Montevidéu, mas aos 35 minutos do segundo tempo, o meia Boiadeiro driblou um marcador e da intermediária mandou um bola indefensável no ângulo esquerdo. Nos minutos finais, em outra arrancada de Tilico pela ponta direita, Charles aproveitou o cruzamento para a área e fechou a goleada de 4 a 0. A dupla saiu consagrada do Mineirão.

“Foi fácil entrosar com o Tilico. Ele era velocista, do jeito que a torcida gostava, e tanto naquela partida, com em toda a campanha, nossa sintonia foi muito boa”, recordou o centro-avante Charles, que atualmente é o secretario de esportes da prefeitura de Itapetinga-BA.

Com o resultado de 4 a 0 conquistado no jogo de ida, no Mineirão, o Cruzeiro foi para o jogo da volta, em Montevidéu, no dia 23 de outubro, podendo até perder por três gols de diferença para se classificar para a semifinal.

“Esperava que o jogo em Montevidéu fosse tranquilo, já que a missão deles era quase impossível, pois deveriam reverter o resultado de 4 a 0, mas nunca tomei tanta pancada na minha vida, como naquela partida”, recordou Charles.

O Nacional abriu o placar, aos 26 minutos, com um gol do experiente atacante Cabrera, mas só chegou ao segundo gol, graças a marcação de um pênalti duvidoso, aos 29 do segundo tempo, que foi convertido por Venancio Ramos.

A conivência do trio de arbitragem paraguaio com o anti-futebol e a violência dos jogadores do Nacional transformou a partida, aparentemente fácil, num verdadeiro drama para o time cruzeirense. “Foi um vale-tudo. Os bandeirinhas fingiam não ver nada e o árbitro mandava seguir a pelota”, recorda o ex-meia Luiz Fernando, que hoje trabalha como auxiliar-técnico do Goiás.

Aos 45 minutos o Nacional marcou o terceiro gol com Nuñez e, inexplicavelmente, a arbitragem deu quatro minutos de descontos, mas o Cruzeiro segurou o resultado e conquistou a classificação.

“Levamos socos e cotoveladas fora da disputa pela bola. A Supercopa era difícil em todos os aspectos. Além da qualidade dos times, que tinham jogadores das Seleções de seus países, a arbitragem era sempre contra nós”, recorda o ex-atacante Mario Tilico, que atualmente trabalha como técnico.

CRUZEIRO 4 x 0 NACIONAL (URU)
16/10/1991 - Supercopa (quartas-de-final/1a) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 55.478 (Cr$ 102.190.000,)
Árbitro: Hernán Silva (CHI)
Auxiliares: Salvador Imperatore (CHI) e Victor Ojeda (CHI)
Gols: Charles 7’ e 20’, Boiadeiro 80’, Charles 88’
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando (Macalé), Mário Tilico, Charles, Marquinhos (Paulinho). T: Enio Andrade
Nacional: Seré, Tony Gomez, Reveléz, Wilmar Cabrera, Pintos Saldaña, Noé, Norán, Saralegui, Venancio Ramos, Dely Valdez, Nuñes (Cardaccio). T: Raul Moller
CA: Ademir, Zelão (C); Noran, Cabrera, Venicio, Saldaña (N)

CRUZEIRO 0 x 3 NACIONAL (URU)
23/10/1991 - Supercopa (quartas-de-final/2a) - Centenário (Montevidéu, Uruguai)
Árbitro: Carlos Maciel (PAR)
Auxiliares: Efigênio Mato Verdem (PAR) e Estanislao Barros (PAR)
Gols: Cabrera 26’; Venancio Ramos (pênalti) 74’; Nuñez 90’
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico, Charles (Macalé), Marquinhos. T: Enio Andrade
Nacional: Seré, Tony Gomez, Revelez, Wilmar Cabrera, Pintos Saldaña, Norán, Saralegui, Noé (Edgar Borges), Venancio Ramos, Dely Valdez, Nuñes. T: Raul Moller
CA: Charles (C)

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20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 1

O ponta esquerda Marquinhos em ação no difícil início da campanha do título da Supercopa de 1991 contra o Colo Colo, do Chile, que era o atual campeão da Libertadores.


ARRANCADA PARA O TÍTULO COMEÇOU CONTRA O CAMPEÃO DA LIBERTADORES

Henrique Ribeiro



A Supercopa foi a melhor das competições organizadas pela Confederação Sulamericana, além da Taça Libertadores e que deixou muitas saudades entre os torcedores argentinos, uruguaios e brasileiros. O torneio reuniu entre 1988 e 1997 os campeões da Libertadores e por isso era uma competição de alto nível técnico.

A edição de 1991 foi a quarta da Supercopa e contou com um novo participante, o Colo Colo, do Chile, que havia conquistado a Libertadores no mesmo ano e que acabou sendo o primeiro adversário do Cruzeiro.

A Supercopa começou no mês de outubro e o Cruzeiro buscava se reabilitar na temporada, após ter feito campanhas fracas na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro no primeiro semestre. A confiança e o bom futebol foram resgatados com as contratações do treinador Ênio Andrade e do ponteiro direito, Mário Tilico, que havia sido o herói do São Paulo, na conquista do título brasileiro, ao marcar o gol tricolor na decisão contra o Bragantino.

A diretoria cruzeirense promoveu o jogo da estréia, no Mineirão, em 2 de outubro, espalhando outdoors na capital convocando a torcida para o desafio contra o campeão da Libertadores e até os ingressos foram personalizados com os escudos dos dois times, o que não era comum naquela época. 

Mais de 60 mil cruzeirenses responderam ao desafio e encheram o Mineirão. O Cruzeiro dominou toda a partida, mas não conseguiu traduzir a superioridade em gols e o placar não saiu do zero. 

Após o jogo, o presidente César Masci reclamou do árbitro Juan Carlos Crespi por ter anulado um gol do zagueiro Adilson, enquanto o técnico do Colo Colo, Mirko Jozic, protestou contra os coros de baixo calão da torcida do Cruzeiro. “Eu nunca vi uma torcida tão sem educação”, protestou Jozic que, embora croata, entendia o idioma português.

No jogo da volta em Santiago, em 9 de outubro, as equipes fizeram um jogo aberto e com lances de gols para cada lado, mas novamente terminou empatada sem gols. Na disputa de tiros livres o Cruzeiro venceu por 4 a 3 e se classificou. 

Os torcedores do Colo Colo sequer imaginavam que aquela seria a primeira de uma série de eliminações que o Cruzeiro iria impor ao time chileno nas competições sul-americanas.



CRUZEIRO 0 x 0 COLO COLO (CHI)
02/10/1991 - Supercopa (oitavas-de-final/1ª) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 60.196 (Cr$ 106.591.000,)
Árbitro: Juan Carlos Crespi (ARG)
Auxiliares: Juan Carlos Losteau (ARG) e Abel Gneco (ARG)
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Adilson, Paulão, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico, Charles, Marquinhos (Paulinho). T: Enio Andrade
Colo Colo: Morón, Peralta, Garrido, Miguel Ramírez, Salvatierra, Vilches, Adomaitis (Ormeño), Mendoza, Barticiotto, Patricio Yáñez, Ruben Martínez (Hugo Rubio). T: Mirko Jozic
CA: Paulão (C)

CRUZEIRO 0 x 0 COLO COLO (CHI)
09/10/1991 - Supercopa (oitavas-de-final/2ª) - David Arellano (Santiago, Chile)
Público: 40.606 (U$ 274.000,)
Árbitro: Francisco Lamolina (ARG)
Auxiliares: Ricardo Calábria (ARG) e Juan Carlos Biscay (ARG)
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico, Charles, Marquinhos (Paulinho). T: Enio Andrade
Colo Colo: Morón, Mendoza, Vilches, Garrido, Miguel Ramírez, Peralta, Adomaitis (Dabrowsk), Barticiotto, Patricio Yáñez, Ruben Martínez, Luiz Pérez (Rubio). T: Mirko Jozic.
*Tiros livres: Cruzeiro 4 a 3 (Boiadeiro, Mário Tilico, Charles e Paulão converteram para o Cruzeiro, enquanto Martinez, Vilches e Dabrowsk converteram para o Colo Colo).

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