sábado, 8 de dezembro de 2012

Bicampeonato da Supercopa veio com goleada cruzeirense sobre o Racing


Foto: Guinaldo Nicolaevsky (Hoje em Dia)

Por Henrique Ribeiro

O adversário do Dream Team na decisão da Supercopa de 1992 foi o Racing. O time argentino chegou a final enfrentando menos adversários que o Cruzeiro. Nas oitavas de final, pela chave seis, superou o Independiente, no clássico de Avellaneda, com uma vitória por 2 a 1, em seu estádio e um empate sem gols na casa do rival. Nas quartas de final, o Racing nem precisou jogar para se classificar. Seu adversário seria o Nacional, de Montevidéu, mas os jogadores profissionais do Uruguai estavam em greve e o Racing foi contemplado com a classificação para a semifinal para encarar o Flamengo, que há poucos meses, haviam levantado o título do Campeonato Brasileiro. O Racing surpreendeu e e liminou o rubro-negro com um empate em 3 a 3, no Pacaembu e uma vitória por 1 a 0, no jogo da volta, em Avellaneda.

Assim, mais uma vez, Cruzeiro e Racing faziam uma final da Supercopa. Ambos decidiram a primeira edição da competição dos campeões em 1988. Os argentinos levaram a melhor com uma vitória por 2 a 1, em Avellaneda, no jogo de ida, e deram a volta olímpica, no Mineirão, no jogo da volta, com um empate em 1 a 1. Assim, a decisão de 1992 passou a ter um sabor de vingança.

"O Cruzeiro vai despachar o Racing. Uma vitória aqui e a conquista do título é uma questão de honra para todos", garantia o meia Boiadeiro. Ao contrário de 1988, a segunda partida decisiva seria em Avellaneda. Assim, os jogadores do Cruzeiro já queriam decidir o título logo no primeiro jogo, no Mineirão e firmaram um pacto por uma goleada.

"Sem dúvida que a decisão é aqui, onde teremos que fazer muitos gols", avisava o treinador Jair Pereira. O atacante Roberto Gaúcho endossava as palavras do técnico cruzeirense: "Nós precisamos vencer aqui com uma contagem de três ou quatro gols para jogar com tranquilidade na Argentina". O discurso era repercutido por todos os atletas do grupo estrelado. "Temos que atacar e procurar incansavelmente o gol, porque uma vitória com muitos gols nos deixa em situação mais cômoda para o jogo da volta", planejava o meia Boiadeiro.

Ninguém no plantel duvidava que o mesmo clima hostil que enfrentaram em Buenos Aires, nas quartas de final, contra o River, iria se repetir, em Avellaneda, contra o Racing, na final. "Todos os times argentinos procuram fazer de cada partida uma guerra. Temos que fazer o resultado aqui para jogar mais tranquilo lá", analisava o atacante Edson, que era o único remanescente do plantel cruzeirense de 1988. Édson só não participou das finais contra o Racing, porque rompeu o tendão do pé.

Pelo lado do Racing, o experiente Ruben Páz, era o único jogador do time supercampeão de 1988, que ainda permanecia na "academia celeste". Páz era um velho conhecido da torcida brasileira, pois foi titular da Seleção Uruguaia na década de 1990 e teve uma passagem marcante com a camisa do Internacional. Ele previa um jogo aberto e sem violência, no Mineirão e deu as dicas de como sua equipe iria se comportar na primeira partida da decisão. "Sempre marcando e buscando os contra ataques. Precisamos do título. Desta forma poderemos compensar a torcida pelo sofrimento de ver o time tão mal no Campeonato Argentino", declarou. O Racing dividia a vice-lanterna com o Newell's Old Boys e estavam a frente, somente do Gymnasia e Esgrima. No domingo, antes da decisão, haviam empatado em 1 a 1, com o Newell's.

E Ruben Páz era a principal preocupação do técnico Jair Pereira, que o considerava o maestro do Racing. "Eles atuam em função do Paz. Seus lançamentos buscam as pontas, principalmente o lado esquerdo", declarou. Mas o time também tinha o ponteiro direito, ClaudioGarcia, cujo estilo era comparado ao de Renato Gaucho, além de Borelli, que era da seleção argentina e o goleiro Roa, que era do selecionado olímpico.

O treinador do Racing era Humberto Grondona. Ele era filho do presidente da Associação de Futebol da Argentina-AFA, Julio Grondona. Assim que chegou a Belo Horizonte, avisou que o seu time partiria pra cima do Cruzeiro e que não armou nenhuma marcação especial para parar Renato Gaúcho, no Mineirão. "Não sou favorável a esquemas defensivos. Não há nenhuma razão para jogar fechado. Não temos esse hábito. Vamos partir logo pra cima", avisava. 

Grondona apontava a experiência como a maior virtude do time do Cruzeiro. "Eles atuam de forma cadenciada, tocando a bola e, quando partem para o ataque procuram fazer valer a experiência. Assim, o Cruzeiro foi muito prejudicado pelo árbitro, em Buenos Aires, mas soube garantir a classificação", analisou.

Outra preocupação do time cruzeirense era quanto a sua contusão na panturrilha esquerda, que o fez sair no decorrer das partidas contra o River e o Olimpia. "Tenho que me cuidar durante o jogo para não levar outra pancada no mesmo lugar", declarou. O uso de uma proteção na panturrilha foi descartada pelo jogador. "Aí, eu mostraria para os zagueiros como me tirar da partida", ironizou.

Coincidentemente, Renato se machucou em dois lances que originaram gols de pênalti contra o River e o Olimpia, no Mineirão. "Os caras estão me quebrando lá na frente e o Paulo Roberto é que ganha a fama. Ele cobra o pênalti e se consagra", brincou.
Foto: Conmebol (divulgação)

A diretoria do Cruzeiro previu que a grande final poderia quebrar o próprio recorde nacional de renda da partida contra o Olimpia e, mais uma vez, majorou os preços dos ingressos. A geral passou a custar Cr$ 15, a arquibancada Cr$ 30, a cadeira Cr$ 70 e o setor especial especial Cr$ 100. Nem os preços altos e a chuva forte que caiu sobre Belo Horizonte foi capaz de desanimar a nação cruzeirense que formou longas filas em busca de um bilhete para o jogão.

A partida entre Cruzeiro e River teve dois tempos distintos. No primeiro tempo, os argentinos procuraram enervar os cruzeirenses e retardavam, o quanto podiam, as cobranças de laterais e dos tiros de meta. O ponteiro Roberto Gaúcho não encontrava facilidades com a marcação de Reinoso e o Cruzeiro passou a buscar o lado direito do campo para atacar. Numa das avançadas por aquele setor surgiu o primeiro lance de perigo. O meia Boiadeiro recebeu de Paulo Roberto e chutou rente ao travessão.

Aos 17 minutos, o meia Luiz Fernando quase abriu o placar. Ao enviar um chute a gol, a bola desviou num marcador do Racing e o goleiro Roa executou uma bela defesa. Mas aos 31 minutos, o Cruzeiro conseguiu colocar a bola na rede do gol do Racing. O atacante Betinho desarmou Reinoso na lateral esquerda e na corrida ganhou a linha de fundo e cruzou para a área. A zaga do Racing rebateu para fora da área e a bola caiu no pé esquerdo de Roberto Gaúcho que emendou de primeira. A bola desviou num dos defensores do time argentino e enganou o goleiro Roa.

No segundo tempo, o Cruzeiro encontrou as mesmas dificuldades para superar a marcação do Racing, que abusava das faltas. Numa delas, aos 8 minutos, o zagueiro Cosme Zacantti atingiu com violência o atacante Renato Gaúcho com um pontapé por trás e foi expulso pelo árbitro. Não demorou três minutos para o Cruzeiro aproveitar a vantagem de um jogador a mais em campo. Renato Gaúcho recebeu um passe de Boiadeiro e foi a linha de fundo. O cruzamento na segunda trave foi na medida para Roberto Gaúcho colocar de cabeça para o fundo das redes: Cruzeiro 2 a 0.

Aos 13 minutos, Grondona recompôs a defesa e colocou Abelardo Vallejos na vaga do atacante Alfredo Graciani. Mas o Cruzeiro continuou pressionando e a goleada era questão de tempo. Aos 17 minutos, o zagueiro do Racing evitou o terceiro gol tirando uma bola em cima da linha. Aos 20 minutos, Renato Gaúcho escorou de cabeça um cruzamento de Roberto e Roa fez outra defesa difícil na partida.

De tanto martelar o Cruzeiro chegou ao terceiro gol aos 24 minutos, após Roberto Gaúcho passou por vários marcadores e rolar para Luiz Fernando na entrada da área. O meia ajeitou e chutou rasteiro no canto direito: Cruzeiro 3 a 0.

O gol deixou o Racing ainda mais nervoso em campo e lateral direito Jorge Borelli acabou expulso aos 35 minutos. Num lance individual na intermediária, o meia Boiadeiro fechou a goleada com um chute de fora da área, aos 40 minutos e encerrou a goleada: Cruzeiro 4 a 0.

Se a missão era decidir logo o título no primeiro jogo, o dever foi cumprido. Na Argentina ninguém acreditava numa virada no jogo da volta. "Cruzeiro liquidou o Racing com um resultado quase utópico de se virar", estampou o jornal Clarín.

A renda de Cr$ 2.370.065.000,00 tornou-se o novo recorde nacional. E o incentivo da torcida cruzeirense do primeiro ao último minuto de jogo ganhou elogios dos jornais da Argentina. "Que fortaleza é o Mineirão, onde o Cruzeiro assume o papel de cruel carrasco de cada um de seus visitantes", escreveu o La Nación.

Além dos dois gols marcados, o atacante Roberto Gaúcho foi premiado com a compra do seu passe, após o jogo. O Cruzeiro pagou 2 bilhões (200 mil US$) ao empresário Léo Rabello.

Para a partida em Avellaneda, o treinador Jair Pereira adiantou qual seria a sua estratégia. "Vou armar a equipe de forma defensiva, fechando o meio e evitando o apoio de Paulo Roberto e Nonato, que ficarão presos à marcação", declarou. “Temos que jogar pelo regulamento explorando os contra-ataques. Desta forma poderemos vencer o jogo, pois o Racing terá de sair para o ataque e deixará espaços para que Renato e Roberto Gaúcho contra-ataquem em velocidade”, explicou.

Os jogadores cruzeirenses procuraram, durante a semana, analisar a goleada com cautela e evitar o clima de já ganhou. “Se formos analisar o primeiro jogo o Racing não apresentou um bom futebol e esteve mais preocupado em fazer o tempo passar. Em Buenos Aires terão que sair para o jogo. E o Cruzeiro terá que manter o mesmo ritmo com um pouco mais de cautela na marcação para explorar os contra-ataques”, dizia o lateral-esquerdo Nonato.

Outra preocupação do plantel cruzeirense era quanto o clima de guerra que deveriam criar em Avellaneda. “Logicamente eles vão querer nos intimidar. Sabemos das dificuldades que teremos pela frente. Isto ficou claro na partida contra o River”, previa o atacante Betinho. “Eles vão tentar nos enervar dando cotoveladas. O que não podemos é entrar no jogo deles. Temos que mostrar experiência, superando as catimbas com qualidade”, concluiu o atacante.

Roberto Gaúcho que saiu da partida do Mineirão com um dente bambo, após receber uma cotovelada de Matosas, endossou as palavras de Betinho. “Estamos preparados para jogar futebol. Mas se houver qualquer problema, saberemos o que fazer", avisou. “Estamos preparados para todo tipo de jogo, até para o anti-jogo”, dizia o meia Luiz Fernando.

Já o zagueiro Célio Lúcio não conseguia esconder o otimismo. "Quem quer ser campeão, tem que superar todas as adversidades que surgirem durante a competição. Este é o último jogo e vale o título. Portanto, vale tudo”, dizia. “Conquistar um título na casa do adversário, ainda mais um bicampenato na Argentina é mais difícil, por isso é bem mais gostoso”, completou.

Alheio a tudo isso estava a torcida cruzeirense que acreditava na força do time em Avellaneda. A diretoria do Cruzeiro providenciou a instalação de um telão, na praça da estação, com 50 mil litros de chope para os torcedores, além de outro no ginásio da sede do barro preto. As torcidas organizadas também instalaram telões na Cidade Industrial e no Restaurante Raja Grill, na avenida Raja Gabaglia.

O treinador Grondona, do Racing, ainda tentava afastar o clima de pessimismo que abateu sua equipe. “O Cruzeiro não me surpreendeu. Pensei até que fosse mais time. Pode parecer loucura minha, mas não é assim. Podemos ganhar por quatro gols e decidir o título nos pênaltis”, sonhava.

Mas a coisa não andava boa para o treinador. O meia Ruben Paz iniciou um movimento entre os jogadores para pedir a volta de Perfumo ao comando técnico que irritou o presidente do clube, Juan Distefano. No domingo, antes do jogo, o Racing bateu o lanterna Gimnasia e Esgrima por 4 a 2 e dava mostrar de que havia se reabilitado da goleada. No entanto, contra o Cruzeiro, o time não teria o zagueiro Jorge Borelli e o atacante Cosme Zacantti, suspensos. Gustavo Costas e Carlos Torres foram os substitutos.

Renato Gaúcho e Matosas 

A diretoria do Racing baixou os preços dos ingressos para a partida para motivar seus torcedores. Assim o ingresso mais caro passou a custar US$ 40 e o mais barato US$ 20. A medida deu certo e um público de 30 mil torcedores compareceu ao El Cilindro.

Com toques rápidos e envolventes, o Racing criou a primeira chance de gol antes de completar o primeiro minuto de jogo. Os argentinos voltariam a ameaçar a meta cruzeirense, aos 13 minutos. Numa cobrança de escanteio, o goleiro Paulo César foi empurrado no lance e quando a bola caminhava para o gol, a defesa tirou em cima da linha.

O Cruzeiro suportou os primeiros minutos de pressão do Racing e passou a equilibrar a partida. Aos 16 minutos quase marcou. O meia Boiadeiro recebeu de Renato Gaúcho e chutou forte, mas o goleiro Roa evitou o gol com uma grande defesa. Logo, em seguida, foi a vez do goleiro Paulo César evitar o gol do Racing, ao defender uma cabeçada de Carlos Torres.

As dificuldades do Racing aumentaram, a partir dos 37 minutos, quando Matosas deixou o jogo, após sentir uma lesão muscular. E o Cruzeiro quase abriu o placar aos 43 minutos, quando Renato Gaúcho recebeu cruzamento de Paulo Roberto, matou a bola no peito e chutou para Roa fazer boa defesa.

Aos 16 minutos do segundo tempo, o treinador Humberto Grondona foi para o tudo ou nada e colocou mas um atacante em campo. Ele substituiu Vallejos por Felix Torres. Um minutos depois, Jair Pereira reforçou ainda mais a defesa e colocou em campo o volante Rogério Lage no lugar do atacante Betinho.

Mas a partir daí, o árbitro paraguaio Juan Francisco Escobar começou a entrar em cena. Na primeira disputa de bola de Rogério Lage com o atacante Cláudio Garcia, ele expulsou o volante cruzeirense. Garcia já tinha sido advertido com um cartão amarelo e, muito nervoso, já havia agredido vários jogadores cruzeirense durante a partida. Antes, o árbitro deixou de marcar um pênalti claro cometido por Gustavo Costas em Renato Gaúcho.

Mesmo com um jogador a mais, o Racing encontrava dificuldades para chegar a meta cruzeirense e quando conseguia finalizar, tinha pela frente o goleiro Paulo César sempre bem posicionado. O melhor lance do jogo foi proporcionado pelo meia Boiadeiro. Ele partiu com a bola do meio de campo e se livrou por duas vezes consecutivas de Gustavo Costas, que tentou atingi-lo com um carrinho. Na sequencia ele deu um drible que deixou outro marcador sentado no gramado e colocou por cobertura. O goleiro Roa buscou a bola no ângulo e evitou o gol de placa.

Aos 30 minutos, Juan Escobar expulsou o volante Douglas e o Cruzeiro ficou sem um jogador com características de marcação no meio-campo. Assim, Jair Pereira teve de tirar o atacante Roberto Gaúcho e colocar o zagueiro Arley Alvares para reforçar a marcação.

O Racing chegaria ao gol aos 41 minutos, após Cláudio Garcia receber um lançamento de Guendulain na área e ser deslocado por Célio Lúcio. Ele mesmo cobrou e marcou o gol da vitória. Minutos depois sera expulso, após uma discussão com o zagueiro Luizinho.

No final da partida, alguns torcedores do Racing invadiram o gramado e a volta olímpica dos jogadores do Cruzeiro foi impedida. O troféu da Supercopa só foi entregue nos vestiários. O empresário Jorge Sanches Merenda procurou a diretoria cruzeirense e ofereceu US$ 800 mil (US$ 8 bi) pelo passe do atacante Roberto Gaúcho. Sua intenção era levá-lo para Racing, River Plate ou Boca Junior. O presidente César Masci recusou a oferta.

Somente após o jogo é que a diretoria cruzeirense divulgou o valor do prêmio aos jogadores pelo título. Cada um receberia US$ 6,5 mil sendo US$ 2,5 mil pelo direito de arena. Enquanto o time se aprontava para embarcar para o Brasil, uma multidão de cruzeirenses comemorou o título com um buzinaço ensurdecedor pelas ruas de Belo Horizonte e das cidades do interior do estado. A festa pelo super bicampeonato transcorreu por toda a madrugada.

No desembarque em Belo Horizonte, uma multidão aguardou a chegada do time no aeroporto da Pampulha. A delegação foi recebida na prefeitura e a torcida cruzeirense congestionou toda a extensão da avenida Afonso Pena, que é a principal via de acesso do centro da cidade. Com a taça do bicampeonato da Supecopa, o Dream Team deixava de ser um sonho e tornava-se uma realidade.

CRUZEIRO 4 x 0 RACING (ARG)
18/11/1992 (Qua-21h) - Supercopa (final/1ª) - Mineirão
Público: 78.077 (Cr$ 2.370.065.000,)
Arbitragem: José Joaquim Torres/COL (Armando Perez/COL e John Jairo Toro/COL)
Gols: Roberto Gaúcho 31’, Roberto Gaúcho 57’, Luiz Fernando 69’, Boiadeiro 84’
Cruzeiro: 1-Paulo César; *2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas, 10-Boiadeiro e 17-Luiz Fernando; 9-Betinho (14-Cleison/87’), 7-Renato Gaúcho e 11-Roberto Gaúcho. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 15-Arley Alvares, 21-Rogério Lage, 23-Tôto
Racing: 1-Carlos Roa; 2-Jorge Borelli, 18-Cosme Zaccanti, 4-Jorge Reinoso e 3-Juan Distéfano; 8-Gustavo Matosas (9-Félix Torres/75’), 5-Gustavo Costas e 10-Rubén Paz; 7-Cláudio García, 11-Alfredo Graciani (6-Abelardo Vallejos/58’) e 19-Guillermo Guendulain. T: Humberto Grondona
Suplentes: 12-Jorge Bartero, 14-Luis Ernesto Abramovich, 15-Dario Cabrol
CA: Douglas, Betinho, Renato Gaúcho, Roberto Gaúcho (Cru); Carlos Roa, Jorge Reinoso, Jorge Borelli, Claudio Garcia (Rac)
CV: Cosme Zaccanti/53’, Jorge Borelli/80’ (Rac)

CRUZEIRO 0 x 1 RACING (ARG)
25/11/1992 (Qua-21h) - Supercopa (final/2ª) - El Cilindro (Avellaneda, Argentina)
Público: 29.857 (US$ 180.014,)
Arbitragem: Juan Francisco Escobar/PAR (Carlos Alberto Mariel/PAR e Bonifácio Nuñes/PAR)
Gol: Cláudio Garcia (pênalti) 85’
Cruzeiro: 1-Paulo César, 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas, 10-Boiadeiro e 17-Luiz Fernando; 9-Betinho (21-Rogério Lage/62’), 7-Renato Gaúcho, 11-Roberto Gaúcho (15-Arley Alvarez/78’). T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 16-Édson, 23-Tôto
Racing: 1-Carlos Roa; 4-Jorge Reinoso, 5-Gustavo Costas, 6-Abelardo Vallejos (9-Félix Torres/61’) e 3-Juan Distéfano; 8-Gustavo Matosas (15-Darío Cabrol/37’), 19-Guillermo Guendulain e 10-Rubén Paz; 7-Cláudio Garcia, 16-Carlos Torres e 11-Alfredo Graciani. T: Humberto Grondona
Suplentes: 12-Jorge Bartero, 20-Alejandro Pacheco, 24-Claudio López
CA: Célio Lúcio, Douglas (Cru); Cláudio Garcia, Abelardo Vallejos, Carlos Torres, Juan Distéfano (Rac)
CV: Rogério Lage/66’, Douglas/75’ (Cru); Cláudio Garcia/86’ (Rac)

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Com recorde de renda e de público, Cruzeiro passava pelo Olimpia e avançava as finais


Henrique Ribeiro

Depois de passar pelos campeões da Colômbia e da Argentina, Atlético Nacional e River Plate, respectivamente, o próximo adversário do Cruzeiro foi o Olimpia, do Paraguai. O "Rei de Copas" como era chamado em seu país, havia passado pelo Colo Colo, nas oitavas, e surpreendido o poderoso São Paulo, atual campeão da Libertadores, nas quartas de final.
O treinador Jair Pereira já sabia como jogavam os paraguaios. Ele acompanhou a final da Copa Conmebol, no Mineirão, entre Olimpia e Atlético e viu o atacante Amarilla jogar muito mal. No entanto, viu o mesmo centroavante se redimir nos confrontos contra o São Paulo, pela na Supercopa, quando marcou dois gols, que deu a classificação ao Olimpia.
A primeira partida das semifinais foi marcada para o Defensores del Chaco. "Temos que estar preparados para o clima de guerra. O estádio deles não oferece muita segurança e favorece o jogo de abafa que eles sempre fazem quando jogam lá", alertava o técnico Jair Pereira. "O Olimpia é rápido e perigoso nas jogadas de contra ataque. Vamos marcar em bloco para fechar os espaços deles", avisava. 
O Cruzeiro teria os desfalques de Luizinho e Boiadeiro, que cumpririam a suspensão automática. Assim o zagueiro Arley Álvares, de 20 anos, entraria no time para reeditar a dupla de zaga da equipe júnior com Célio Lúcio. Para a vaga de Boiadeiro, Jair Pereira optou em colocar o volante Rogério Lage, ao invés do meia-atacante Cleison.
O Cruzeiro dominou o primeiro tempo da partida e  não deu espaços para o Olimpia, que teve apenas uma boa chance com Caballero, aos 19 minutos. Renato Gaúcho perdeu duas boas chances. Na primeira, aos quatro minutos, ele cabeceou por cima um cruzamento na medida de Paulo Roberto. A outra ele apanhou um rebote do goleiro Goycochea e acertou a trave direita.

O Cruzeiro abriu o placar aos 32 minutos, com Luiz Fernando que aproveitou um cruzamento de Nonato pelo lado esquerdo. Antes do gol, o goleiro Goycochea havia feito uma grande defesa numa cabeçada de Luiz Fernando, após outro cruzamento de Paulo Roberto.
O Olimpia voltou para o segundo tempo querendo achar o gol de empate na base do abafa. Os paraguaios chegaram várias vezes com perigo em bolas aéreas. Numa delas um rebote sobrou para Samaniego, mas Nonato salvou em cima da linha. O Cruzeiro suportou a pressão e depois passou a encaixar contra-ataques perigosos. Num deles Renato Gaúcho tocou para Roberto Gaúcho que perdeu uma chance incrível na cara do gol. Em outro lance, Édson lançou Roberto Gaúcho livre na esquerda. Mas, ao invés de tocar para Renato na área, ele preferiu concluir, mas acabou chutando por cima. 
"Tentaram nos menosprezar. Acredito que agora eles tem outra opinião a respeito do Cruzeiro", disse o lateral direito Paulo Roberto, assim que desembarcou em Belo Horizonte. Ele se referia aos comentários da imprensa paraguaia que colocava o Cruzeiro, como inferior aos outros adversários enfrentados pelo Olimpia: o São Paulo e o Colo Colo. Consideravam o Cruzeiro defensivo e os outros ofensivos. 
E Paulo Roberto tinha razão. As manchetes dos principais jornais reverenciaram o bom futebol do Cruzeiro. O Jornal Hoy estampou a manchete: "A história se repetiu: Cruzeiro dobra o Olimpia". Referia-se a eliminação que o Cruzeiro impôs aos paraguaios na semifinal da Supercopa de 1991. "Fecharam-se todos os caminhos para o Rei", completava a matéria. 
O descrédito quanto a uma reviravolta na classificação foi grande. O Notícias estampou: "Olimpia vai ao Brasil em busca de um milagre". Já o ABC Color fazia um trocadilho entre o Cruzeiro e a desvalorizada moeda brasileira e a sina dos paraguaios contra o time estrelado na Supercopa: "Diante do Olimpia, o Cruzeiro sempre está em alta". Só não convenceram o treinador Perfumo, que ainda acreditava numa reviravolta. "Foi nossa pior partida do ano, mas assim como eles venceram aqui, nós podemos ganhar lá", avisava.
Na Toca da Raposa, os jogadores comemoravam o resultado e o "esquema matador" do treinador Jair Pereira. "No Mineirão a marcação forte será mantida", prometeu o técnico. A estratégia do treinador foi endossada pelo atacante Betinho. "O Olimpia não parte para cima, eles ficam tocando a bola em seu campo defensivo e quando menos se espera partem em contra-ataques. Não podemos deixá-los jogar. Eles não podem nem pensar", declarou.

Enquanto a Federação Mineira adiava a partida do Cruzeiro contra o Trespontano, no domingo pelo Campeonato Mineiro, o Olimpia saiu derrotado para o Libertad, por 3 a 1, no Campeonato Metropolitano e entrou em crise. Os paraguaios prometiam se reabilitar no confronto no Mineirão. Um prêmio de US$ 5 mil (Cr$ 50 milhões) foi oferecido para cada jogador pela conquista da vaga para a decisão.

"Eles tinham que sair da crise lá no Paraguai e não vai ser aqui que eles conseguirão se reabilitar", rebatia o meia Boiadeiro. Sobre o prêmio de US$ 2 mil oferecido pela diretoria cruzeirense pela classificação, Boiadeiro comentou: "Não é o lado financeiro que nos motiva. É importante para o jogador o lado profissional. Uma conquista importante como a Supercopa valoriza em muito o nosso currículo".
O meia Luiz Fernando era dúvida para o jogo. O meia sofreu contratura muscular na partida em Assunção. Já o lateral direito Cáceres havia sofrido um problema estomacal antes do jogo contra o Libertad e sequer veio a Belo Horizonte.

Além de uma vaga para a decisão, a partida também valeria um recorde para a torcida do Cruzeiro. A meta era bater o recorde de arrecadação do clássico Palmeiras e Corinthians em que as bilheterias renderam CR$ 1,8 bilhão. Para superar a marca, a diretoria cruzeirense aumentou ainda mais os valores dos ingressos. A geral passou a custar Cr$ 15, a arquibancada Cr$ 25, a cadeira Cr$ 50, e o setor especial Cr$ 80,

O Cruzeiro começou a partida com o esquema matador. Logo, aos dois minutos, Renato Gaúcho foi lançado por Luiz Fernando e foi derrubado na área. Paulo Roberto converteu o pênalti e abriu o placar. No lance Renato gaúcho sentiu a pancada, mas permaneceu em campo.

O Cruzeiro pressionava o Olimpia em seu campo e criava chances para ampliar, mas errava nas finalizações. O Olimpia passou a fazer tabelas rápidas para sair da forte marcação do Cruzeiro. Boiadeiro quase ampliou o placar ao aproveitar um rebote do goleiro Goycoechea, mas o chute saiu rente a trave esquerda.

No entanto, o Olimpia chegaria ao empate num contra-ataque rápido. Amarilla recebeu um lançamento de González e mandou para as redes. No entanto, o centro-avante paraguaio sentiria uma contusão muscular e deixaria o campo aos 30 minutos. O criador da jogada do gol de empate, Gabriel Gonzalez, também pediria substituição, no final do primeiro tempo.
O Cruzeiro voltou melhor no segundo tempo, mas errava ao insistir nas jogadas com bolas aéreas. Aos 14 minutos, Renato sofreu pênalti não marcado pelo árbitro. Quatro minutos depois, Roberto Gaúcho recebeu cruzamento de Nonato na área, ele dominou no peito e mandou um balaço pro fundo das redes explodindo a nação cruzeirense no Mineirão.

Minutos após o gol, Renato Gaucho não aguentou as dores na panturrillha e saiu para a entrada de Tôto. Empolgado com o incentivo da torcida, o Cruzeiro partiu pra cima e criou várias chances para ampliar. No entanto, foi o Olimpia que chegou ao gol de empate com o zagueiro Ramirez.

Os descontos da partida foram dramáticos. O Olimpia quase chegou a virada numa fnalização de Cavallero que obrigou Paulo Cesar a fazer grande defesa. O meia Boiadeiro deu o troco e por pouco não marca o gol do Cruzeiro.

Ao final do apito do árbitro, a nação cruzeirense comemorou a classificação para a final e o recorde de renda do futebol brasileiro.
CRUZEIRO 1 x 0 OLIMPIA (PAR)
04/11/1992 (Qua-22h) - Supercopa (semifinal/G2/1ª) - Defensores del Chaco (Assunção, Paraguai)
Público: 23.677 ou 23.267 ($169.567.000,)
Arbitragem: Jorge Orellana/EQU (Alfredo Rolas/EQU e Hilton Villavicencio/EQU)
Gol: Luiz Fernando 35’
Cruzeiro: 1-Paulo César; 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 15-Arley Alvares e 6-Nonato; 8-Douglas, 21-Rogério Lage, 17-Luiz Fernando (16-Edson/76’) e 9-Betinho; 7-Renato Gaúcho e 11-Roberto Gaúcho. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 13-Zelão, 14-Cleison, 23-Tôto
Olimpia: 1-Sergio Goycochea; 2-Virginio Cáceres, 3-Mario César Ramírez, 13-Celso Ayala (21-Miguel Sanabria/46’) e 4-Silvio Suárez; 8-Adolfo Jara Heyn, 6-Vidal Sanabria, 24-Romerito e 19-Mauro Caballero (11-Adriano Samaniego/46’); 7-Gabriel González e 9-Raúl Amarilla. T: Roberto Perfumo
Suplentes: 12-Ricardo Tavarelli, 5-Isidro Nuñez, 10-Jorge Campos
CA: Renato Gaúcho, Paulo César, Luiz Fernando (Cru); Gabriel Gonzales (Oli)
CRUZEIRO 2 x 2 OLIMPIA (PAR)
11/11/1992 (Qua-21h30) - Supercopa (semifinal/G2/2ª) - Mineirão
Público: 83.724 (Cr$ 2.187.025.000,00)
Arbitragem: Alberto Tejada/PER (Luiz Seminário/PER e José Arana/PER)
Gols: Paulo Roberto (pênalti) 3’ (1-0), Raúl Amarilla 16’ (1-1), Roberto Gaúcho 64’ (2-1), Mario Ramírez 89’ (2-2)
Cruzeiro: 1-Paulo César; 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas, 10-Boiadeiro, 17-Luiz Fernando (21-Rogério Lage/46’); 9-Betinho, 7-Renato Gaúcho (23-Tôto/70’) e 11-Roberto Gaúcho. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 23-Tôto, 15-Arley Alvares, 16-Édson
Olimpia: 1-Sergio Goycochea; 5-Isidro Nuñez, 3-Mario Ramírez, 13- Celso Ayala e 4-Silvio Suárez; 8-Adolfo Jara Heyn, 6-Vidal Sanabria, 24-Romerito e 19-Mauro Caballero; 7-Gabriel Gonzalez (10-Jorge Campos/36’) e 9-Raúl Amarilla (11-Adriano Samaniego/30’). T: Roberto Perfumo
Suplentes: 12-Ricardo Tavarelli, 15-Juan Ramón Jara, 16-Felipe Peralta
CA: Boiadeiro, Paulo Roberto (Cru)
Público presente: 89.022
Twitter: @henriqueribe

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Na revanche contra o River Plate, uma classificação monumental

Foto: Hoje em Dia
O zagueiro Luizinho numa dividida com Leonardo Astrada. Ao fundo
os meias Luiz Fernando e Boiadeiro

Por Henrique Ribeiro

Após superar o Atletico Nacional, da Colômbia, o próximo adversário do Cruzeiro foi o River Plate, que havia eliminado o Argentinos Juniors, pela chave quatro, com duas vitórias por 2 a 1 e 3 a 0. Os "millonarios" ostentavam o título de campeão argentino de 1991 e, no atual campeonato, figuravam na vice-liderança. Avisaram que não estavam priorizando nenhuma das duas competições, ou seja, queriam ganhar as duas. Mais do que isso pretendiam vingar a perda do título da Supercopa de 1991, que ainda não haviam digerido. Pela qualidade das duas equipes, o confronto foi encarado como uma final antecipada.

Assim como o Cruzeiro, o plantel do River estava bem modificado em relação ao que disputou a Supercopa do ano anterior com as saídas de Borelli, Gordillo, Rivarola, Higuaín e Carlos Enrique, mas ainda assim mantinha um grupo de selecionáveis. Cinco atletas haviam participado da seleção argentina campeã da Copa America de 1991: Basualdo, Astrada, Zapata, Medina Bello e Altamirano. Este último foi contratado como reforço para a temporada, junto ao Independiente. Mas, no primeiro confronto, contra o Cruzeiro, no Mineirão, dois deles não puderam participar: os laterais Basualdo e Altamirano. Ambos estavam servindo a Seleção Argentina na Copa Rei Fahd, na Arábia Saudita. A competição foi a precursora da atual Copa das Confederações.

Para primeiro jogo, o treinador Jair Pereira ressaltou que o Cruzeiro partiria para o abafa e que o objetivo era decidir a partida nos primeiros minutos. Prometia um meio de campo flutuante, sem nenhum jogador do setor guardando posição. A diretoria prometeu uma premiação de US$ 1,5 mil (Cr$ 12 milhões) para cada jogador pela classificação. Renato Gaúcho que era o único do grupo que fazia parte da Seleção Brasileira, não temia uma marcação especial dos argentinos. “Não vai adiantar. Na fase em que estou dá impressão que faço aniversário todos os dias. O pessoal vive me abraçando”, brincou se referindo a série de gols que vinha marcando nas partidas pela Supercopa e pelo Estadual.

O meio-campista Zapata, assim que chegou a Belo Horizonte, declarou: “o River não vai mudar a sua forma de jogar. Vamos fazer o de costume quando atuamos como visitante. Faremos pressão em todo o campo, esperando o adversário lá atrás, para tentar surpreender nos contra ataques”.

Os argentinos estavam preocupados com o forte calor na cidade, mas uma chuva no início da noite amenizou o clima. No primeiro tempo, o Cruzeiro teve dificuldades para superar a marcação do River. A primeira chance surgiu aos 10 minutos, quando Luiz Fernando quase abriu o marcador. Logo, o Cruzeiro descobriu que as tabelas rápidas eram a melhor forma de superar a marcação adversária. E foi numa delas entre Luiz Fernando e Betinho, aos 29 minutos, que Renato Gaúcho foi lançado na área e derrubado por Astrada. O pênalti foi marcado e o lateral direito Paulo Roberto converteu sacudindo a nação cruzeirense no Mineirão.

No lance do pênalti, Renato Gaúcho sofreu um estiramento na panturrilha, mas permaneceu em campo. O gol desequilibrou o time do River, que passou a apelar para faltas violentas. Aos 31 minutos, Astrada foi expulso ao atingir Luizinho.

Aos 37 minutos, o River perdeu o seu atacante Ramón Diaz. Ele chocou-se de cabeça com o volante Douglas. Sentiu tonturas e foi levado para o Hospital Felício Rocho com suspeita de traumatismo craniano. Três minutos depois, os argentinos tiveram o melhor momento no jogo, quando acertaram a trave defendida por Paulo César.

No intervalo, Passarela trocou o meia Da Silva pelo atacante Silvani. A modificação deu mais ímpeto ao River, que mesmo com um jogador a menos se arriscou mais ao ataque. Aos 9 minutos, Renato Gaúcho não suportou as dores e saiu para a entrada de Cleison. A modificação tornou  o time mais lento e o River equilibrou o jogo.

O panorama mudou com a saída de Betinho para a entrada de Roberto Gaúcho, aos 15 minutos. O ponteiro Édson foi deslocado para o meio de campo. Roberto Gaúcho incendiou o jogo. Criou três chances seguidas. Na primeira acertou a trave, na segunda o goleiro Comizzo salvou um gol certo e na terceira, o zagueiro Cocca tentou desviar uma cabeceio do ponteiro cruzeirense e mandou a bola contra o próprio gol. O Cruzeiro ainda criou mais chances para ampliar, mas o jogo terminou com a vitória estrelada por 2 a 0.
Marco Antônio Boiadeiro em um lance da partida no Mineirão
marcado de perto por Fernando Cáceres

"O Cruzeiro sofreu na Argentina um pesadelo de olhos abertos". Assim definiu o cronista Roberto Drummond sobre os incidentes no estádio Monumental de Nuñez. O prenúncio de que os argentinos tratariam a partida de volta como uma guerra começou com a exigência da diretoria "millonaria" de uma cota de US$ 500 mil (Cr$ 4,2 bilhões) para ceder a transmissão do jogo para o Brasil. A Rede Bandeirantes que transmitia as partidas da Supercopa considerou o valor inviável e os cruzeirenses tiveram que acompanhar o drama do time pelas emissoras de rádio.

Outra medida tomada pela diretora do River foi reduzir os preços dos ingressos para a torcida lotar o estádio. Assim, o preço do setor mais caro no Monumental passou a ter o valor do mais barato: US$ 20 (Cr$ 170 mil). E o bilhete do setor mais barato foi reduzido para US$ 7 (Cr$ 60 mil).

O Cruzeiro solicitou as presenças no estádio do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e da Federação Mineira, Elmer Guilherme, temendo as hostilidades. Durante a semana, os jogadores do Cruzeiro reclamaram do abuso das faltas violentas cometidas pelos jogadores do River na partida, no Mineirão. “Vou colocar caneleiras na parte da frente e de trás das duas pernas”, ironizava o ponta esquerda, Roberto Gaúcho. "Se baterem, vamos bater também", avisava Renato Gaúcho, que sentia a panturrilha e era dúvida para o jogo. "Espero jogar nem que seja gessado!", dizia.

O meia Boiadeiro adiantou, durante a semana, como seria a estratégia para conseguir a classificação. “Eles terão que sair pro jogo em busca dos gols e vamos explorar os contra-ataques. Vamos tocar a bola para irritá-los", avisava.

As hostilidades começaram, assim que o ônibus que levava a delegação do Cruzeiro chegou ao estádio. Foi logo cercado por torcedores do River que tentaram tombá-lo sendo impedidos pela polícia. Na entrada para os vestiários o time foi alvejada por cadeiras. No vestiário atiraram bombas. E quando o time entrou em campo, uma pedra atingiu o nariz do atacante Roberto Gaúcho, que levou três pontos.

No primeiro tempo o Cruzeiro soube administrar a vantagem obtida no Mineirão. O River partiu para o abafa, mas o time estrelado soube explorar os contra-ataques acionando Roberto Gaúcho pelo lado esquerdo. Num dos lances criados pelo ponta, Betinho quase marcou. A partir dos 20 minutos, o Cruzeiro equilibrou o jogo e criou as melhores chances na partida. O zagueiro Cáceres chegou a salvar, em cima da linha, uma bola chutada por Roberto Gaúcho.

No segundo tempo, o Cruzeiro continuou mais perigoso e criou duas chances para abrir o placar. Aos 25 minutos, Roberto Gaúcho quase marcou, mas Cáceres, novamente, salvou o gol tirando a bola em cima da linha. O goleiro Comizzo ainda faria uma bela defesa num chute de Luiz Fernando.

No entanto, o árbitro chileno Henrique Marín entrou em cena nos quinze minutos finais ao aplicar vários cartões amarelos para os jogadores cruzeirenses. Aos 35 minutos, ele expulsou o zagueiro  Luizinho pela demora em cobrar um tiro de meta. O treinador Jair Pereira então sacou o meia Betinho e promoveu a entrada de Adilson para recompor a defesa. Mas em seu primeiro lance na partida, Adilson foi atingido violentamente por Da Silva. No lance, o jogador voltaria a fraturar a mesma perna, que o deixou seis meses afastado do futebol. Antes havia sofrido a mesma lesão na decisão da Recopa, em abril, contra o Colo Colo. O meia Boiadeiro levou o cartão vermelho, logo em seguida, ao reclamar de uma agressão sofrida por um jogador do River.

Com oito jogadores em campo, o Cruzeiro recuou em seu campo e resistiu a pressão do River. Mas o árbitro, Henrique Marín assinalou um pênalti inexistente, aos 44 minutos, que foi convertido por Ramón Diaz. Um minuto depois, ele marcaria outra penalidade. Ramon Diaz cobrou, o goleiro Paulo César defendeu, mas o atacante Walter Silvani apanhou o rebote e ampliou para 2 a 0.

O resultado obrigou as equipes a disputarem a vaga na decisão por tiros livres. Ramón Diaz desperdiçou a última cobrança da série do River e o volante Douglas converteu a última do Cruzeiro, que deu a vitória por 5 a 4.

Após o apito final, alguns torcedores invadiram o campo e se misturaram aos jogadores do River. A torcida passou a arremessar objetos nos jogadores na saída de campo. Quando se dirigia aos vestiários, o volante Rogério Lage foi agredido por um torcedor e o preparador físico Luiz Inarra revidou. A polícia impediu que uma briga generalizada ocorresse.

Na chegada ao Brasil, o presidente da Federação Mineira, Elmer Guilherme, anunciou que iria a Confederação Sulamericana pedir a interdição do estádio do River e a eliminação de Henrique Marin do quadro de arbitragens. Elmer também criticou a omissão do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que prometeu, mas não compareceu a partida. Roberto Gaúcho relatou a conivência do árbitro chileno. “Os jogadores do River deram socos, cotoveladas e Marin não puniu ninguém”. Devido aos incidentes, o Monumental de Nuñez foi suspenso para jogos internacionais por um período de seis meses.

Diante de todas as circunstâncias, contra tudo e contra todos, o Cruzeiro conquistou sua classificação para a semifinal de forma "monumental".

CRUZEIRO 2 x 0 RIVER PLATE (ARG)
21/10/1992 (Qua-21h30) - Supercopa (quartas de final/Chave 2/1ª) - Mineirão
Público: 66.090 (Cr$ 1.036.670.000,)
Arbitragem: Juan Francisco Escobar/PAR (Carlos Maciel/PAR e Felix Benegas/PAR)
Gols: Paulo Roberto (pênalti) 29’, Cocca (contra) 65’
CRUZEIRO: 1-Paulo César; 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas, 10-Boiadeiro e 9-Betinho (11-Roberto Gaúcho/60’) e 17-Luiz Fernando; 7-Renato Gaúcho (14-Cleison/54’) e 16-Édson. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 22-Adilson, 21-Rogerio Lage
RIVER PLATE: 1-Angel Comizzo; 13-Alfonso Domínguez, 2-Fernando Cáceres, 6-Jorge Balbis e 16-Diego Cocca; 8-Gustavo Zapata, 5-Leonardo Astrada, 14-Hernán Diaz e 10-Rubén Da Silva (20-Walter Silvani/46’); 7-Ramón Medina Bello e +9-Ramón Díaz (15-Javier Claut/37’). T: Daniel Passarella
Suplentes: 12-Adolfo Zeoli, 11-Julio César Toresani, 21-Jorge Vázquez
CA: Paulo Roberto, Nonato (Cruzeiro); Hernán Diaz (River)
CV: Leonardo Astrada/31’ (River)
*River desfalcado de Fabian Basualdo e Ricardo Altamirano que estavam servindo a Seleção Argentina na Arábia.

CRUZEIRO 0 x 2 RIVER PLATE (ARG)
28/10/1992 (Qua-21h30) - Supercopa (quartas-de-final/Chave 2/2ª) - Monumental de Nuñez (Buenos Aires, Argentina)
Renda: 317.970 pesos
Arbitragem: Enrique Marín/CHI (Ivan Guerrero/CHI e Carlos Robles/CHI)
Gols: Ramón Díaz (pênalti) 87’, Walter Silvani 89’
CRUZEIRO: 1-Paulo César; 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas, 10-Boiadeiro, 17-Luiz Fernando e 9-Betinho (22-Adilson/81’+83’); 7-Renato Gaúcho e 11-Roberto Gaúcho (16-Édson/82’). T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 14-Cleison, 21-Rogério Lage
RIVER PLATE: 1-Angel Comizzo; 4-Fabián Basualdo, 3-Fernando Cáceres, 16-Diego Cocca e 3-Ricardo Altamirano; 8-Gustavo Zapata, 15-Javier Claut (11-Julio César Toresani/69’) e 10-Rubén Da Silva; 7-Ramón Medina Bello, 9-Ramón Díaz e 19-Ariel Ortega (20-Walter Silvani/46’). T: Daniel Passarella
Suplentes: 12-Adolfo Zeoli, 6-Jorge Balbis, 21-Jorge Vázquez
CA: Luiz Fernando, Renato Gaúcho, Nonato, Paulo César, Roberto Gaúcho, Douglas (Cruzeiro); Basualdo, Cáceres (River)
CV: Luizinho/80’, Boiadeiro/84' (Cruzeiro)
Tiros livres: Cruzeiro 5 a 4 (Walter Silvani 0 a 1; Paulo Roberto 1 a 1; Rubén Da Silva 1 a 2; Nonato 2 a 2; Ramón Medina Bello 2 a 3; Roberto Gaúcho 3 a 3; Gustavo Zapata 3 a 4; Luiz Fernando 4 a 4; Ramón Díaz perdeu 4 a 4; Douglas 5 a 4)

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Contra o Atletico Nacional, classificação veio com massacre histórico

Foto: jornal Hoje em Dia
O meia Luiz Fernando abriu a goleada histórica de 8 a 0 sobre o Atletico Nacional,
pelas oitavas de final da Supercopa, no Mineirão. Ao fundo o atacante Édson
comemora, enquanto o zagueiro Cassiani e o goleiro Franco pressentem a goleada.

Por Henrique Ribeiro

O primeiro adversário do Cruzeiro na campanha do título do bicampeonato da Supercopa foi o Atlético Nacional, de Medelín, que era o atual campeão colombiano. O plantel verdolaga, como é conhecido, contava com quatro jogadores da Seleção da Colômbia: Higuita (goleiro), Escobar (zagueiro), Herrera (lateral direito) e Osório (lateral esquerdo). O seu treinador era Hernán Dario Gomez, que dirigiu a Seleção Colombiana Sub-23 nas Olimpíadas de Barcelona, que tinha oito jogadores do Nacional: José Fernando Santa, Marulanda, Osorio, Cassiani, Gaviría, Restrepo, Cañas e Aristizábal. Este último, então com 20 anos, era a sensação do futebol colombiano. Em 2003 ele chegaria ao Cruzeiro e seria um dos destaques na campanha da tríplice coroa.

Para a partida de estreia os desfalques de Douglas (volante), Boiadeiro (meia) e Nonato (lateral esquerdo) comprometeram o esquema com dois volantes do treinador Jair Pereira. É que Ademir e Andrade, que estavam inscritos na Supercopa, haviam sido negociados ao Racing e ao Vitória, respectivamente, na semana antes da estreia. Assim Rogério Lage era o único volante disponível no grupo. O meio de campo foi completado pelos atacantes Cleison e Betinho. O lateral direito Zelão foi deslocado para a lateral esquerda. Devido as improvisações, o treinador Jair Pereira adiantou que o Cruzeiro iria a Medellin em busca de um empate.

O Nacional não vencia a quatro jogos e havia sido derrotado por 1 a 0, no domingo, para o Once Phillips. O resultado deixou a equipe verdolaga na quinta colocação do Campeonato Colombiano. Além disso, o goleiro Higuita não atravessava um bom momento. Após a derrota, ele agrediu um jornalista que o criticou e corria risco de ser suspenso.

Apesar de jogar em casa, o Atlético Nacional atuou no sistema 4-4-2 com três volantes. Recuados, os verdolagas jogavam a base de contra-ataques rápidos e exploravam a velocidade e a habilidade de seus atacantes. Já o Cruzeiro foi bastante cauteloso com Renato Gaúcho isolado no ataque.

O primeiro tempo foi muito equilibrado. O Cruzeiro teve mais posse de bola, mas foi o Nacional que criou duas boas chances para marcar. No intervalo o Cruzeiro mudou a camisa azul pela branca e, logo aos dois minutos, chegou ao gol com Renato Gaúcho. No entanto, os colombianos chegaram ao empate, aos 13. O zagueiro Célio Lúcio cometeu pênalti no atacante Aristizábal e Restrepo converteu a cobrança. Aos 40 minutos, o zagueiro Luizinho tocou a mão na bola, dentro da área. Desta vez, o goleiro Paulo César evitou a derrota e defendeu a cobrança do meia Restrepo. Após o apito final, os torcedores verdolagas atiraram pedras em direção aos jogadores do Cruzeiro, que tiveram que ficar no campo esperando o estádio esvaziar para se dirigirem ao vestiário.

Durante a semana, o técnico Jair Pereira prometia um time mais ofensivo para decidir a vaga no Mineirão, pois teria os reforços de Nonato, Douglas e Boiadeiro. Para motivar ainda mais o grupo, a diretoria cruzeirense ofereceu um prêmio de mil dólares para cada jogador pela classificação para as quartas de final.

Antes do compromisso contra o Cruzeiro, o Atletico Nacional enfrentaria o Atletico Junior, na quarta-feira, pelo Campeonato Colombiano. Surpreendentemente, o técnico Hernán Dario Gomez escalou os titulares para este jogo e enviou para o Brasil a equipe reserva do Nacional, que seria dirigida pelo auxiliar Juan José Pelaez. Em Belo Horizonte, os verdolagas alegaram que, com o empate em Medellin, a equipe teria chances remotas de classificação. Assim, priorizaram o campeonato colombiano que dava vaga a Libertadores. A notícia irritou o atacante Renato Gaúcho que prometeu: "Já que estão não estão dando importância a Supercopa, o problema é deles. Vamos massacrar!"

Sem tomar conhecimento que se tratava de uma equipe reserva, o Cruzeiro enfrentou o Atletico Nacional como se fosse uma decisão. O Mineirão recebeu um público de 65 mil cruzeirenses que viram Renato Gaúcho comandar o massacre por 8 a 0. Pela primeira vez em sua carreira, Renato marcou cinco gols em uma só partida. Num deles o atacante completou a bola para as redes sentando no gramado. A goleada foi a maior da história do Cruzeiro em competições internacionais.

A goleada sofrida pelo Nacional é até hoje lembrada como "La masacre de Belo Horizonte". Foi a maior derrota sofrida pelo futebol colombiano em jogos internacionais oficiais.

CRUZEIRO 1 x 1 ATLÉTICO NACIONAL (COL)
08/10/1992 (Qui-21h30) - Supercopa (oitavas de final/1ª) - Atanasio Girardot (Medellin, Colômbia)
Público: 39.902 (72.789.000, pesos)
Arbitragem: Alberto Tejada/PER (Fernando Chapéu/PER e Luiz Seminário/PER)
Gols: Renato Gaúcho 47’ (1-0), Gustavo Restrepo (pênalti) 68’ (1-1)
CRUZEIRO: 1-Paulo César, 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 13-Zelão; 21-Rogério Lage, 17-Luiz Fernando e 14-Cleison (15-Arley Álvarez/60’); 9-Betinho, 7-Renato Gaúcho e 11-Roberto Gaúcho (16-Édson/80’). T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 23-Tôto, 19-Agnaldo
NACIONAL: 1-René Higuita, 4-Luis Fernando Herrera, 2-Andrés Escobar, 5-Víctor Marulanda e 18-Diego Osorio; 20-Gabriel Gómez, 6-Hernán Gaviría, 16-Gustavo Restrepo (7-John Mario Pérez/81’) e 17-Mauricio Serna; 11-John Jairo Trellez e 9-Victor Aristizábal. T: Hernan Dario Gomez
Suplentes: 12-Omar Franco, 22-Omar Cañas, 10-Luis Fajardo, 23-Francisco Foronda
CA: Zelão, Renato Gaúcho, Luiz Fernando, Cleison (Cru); Maurício Serna (Nac)
*Paulo César defendeu pênalti cobrado por Gustavo Restrepo aos 85’

CRUZEIRO 8 x 0 ATLÉTICO NACIONAL (COL)
15/10/1992 (Qui-21h30) - Supercopa (oitavas de final/2ª) - Mineirão
Público: 64.616 (Cr$ 981.895.000,)
Arbitragem: Ernesto Fillipi/URU (Fernando Cardillino/URU e Jorge Gambero/URU)
Gols: Luiz Fernando 11’, Renato Gaúcho 22’, Nonato 35’, Renato Gaúcho 47’, Renato Gaúcho 52’, Renato Gaúcho 54’, Cleison 75’, Renato Gaúcho 85’
CRUZEIRO: 1-Paulo César, *2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas (21-Rogério Lage/89’), 10-Boiadeiro (14-Cleison/71’), 17-Luiz Fernando e 9-Betinho; 7-Renato Gaúcho e 16-Édson. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 15-Arley Álvares, 23-Tôto
NACIONAL: 25-Omar Franco, 3-José Fernando Santa, 13-Geovanis Cassiani, 14-John Mario Caicedo e 15-Maximiliano Kemerer; 19-Carlos Jiménez, 8-John Jairo Sierra, 10-Luis Alfonso Fajardo e 24-Jorge Carmona; 7-John Mario Pérez e 22-Omar Cañas. T: Juan José Peláez
Suplentes: 25-José Castañeda, 21-Wilmar Moreno, 23-Francisco Foronda
CA: Omar Cañas (Nac)

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Atlético Nacional de 1992 foi um time marcado pelas glórias e tragédidas

Com a base do plantel que disputou a Supercopa de 1992, o Atletico Nacional
levantaria o Campeonato Colombiano de 1994. Dentre eles, em pé da esquerda para a 
direita Gavíria (primeiro), Marulanda (quarto) e Higuita (goleiro). Agachados da 
esquerda para a direita: Serna (primeiro), José Fernando Santa (terceiro), Herrera
(quarto) e Aristizábal (quinto).

Por Henrique Ribeiro

Após a primeira partida em Medellin, que terminou empatada em 1 a 1, o goleiro Paulo César, do Cruzeiro,  foi considerado o destaque do jogo com boas defesas e por ter evitado a derrota ao defender um pênalti de Restrepo, aos 40 minutos do segundo tempo. Ainda no estádio, os dirigentes do Atlético Nacional ofereceram US$ 500 mil pelo passe do goleiro, que viria para ocupar a vaga do astro Higuita, que não vivia um bom momento. "Era uma oferta muito boa. Muito dinheiro. Mas a Colômbia era um país muito perigoso e eu recusei", recorda o goleiro Paulo César.

E o ex-camisa um cruzeirense tomou a decisão correta. Parte do time do Atlético Nacional que enfrentou o Cruzeiro, pela Supercopa de 1992 foi vítima de assassinatos. Suspeita-se de que alguns jogadores do time tinham envolvimento com o cartel de Medellin, ligado ao traficante Pablo Escobar.

O atacante Omar Cañas, o El Torito, que participou da derrota por 8 a 0, no Mineirão, foi a primeira vítima daquele grupo. O jogador, então com 23 anos, foi assassinado, em 4 de fevereiro de 1993, num sítio próximo a Medellin. Um grupo paramilitar criado por um dissidente do traficante Pablo Escobar, denominado Los Pepes, assumiu o atentado. O grupo era financiado por civis para combater a organização do traficante e, na época, ameaçou vários atletas do Atletico Nacional.

Um ano depois o zagueiro Andrés Escobar, que enfrentou o Cruzeiro, em Medellin, teria o mesmo fim. Ele marcou o gol contra, que definiu a eliminação da Seleção da Colômbia para os Estados Unidos, na Copa do Mundo de 1994. Dez dias depois de retornar do Mundial foi assassinado na saída de um discoteca com 12 tiros. A suspeita recaiu sobre um grupo de apostadores, que perdeu muito dinheiro com a derrota da Seleção.

O atacante Felipe Pérez, que também esteve no Mineirão, na goleada sofrida por 8 a 0, foi assassinado a tiros em 17 de outubro de 1996. Antes o jogador havia sido detido em sua casa, onde escondia um arsenal de armas.
Foto: El Colombiano
O volante Jorge Carmona foi vítima de uma emboscada numa estrada próximo a Medellin

Por último, o volante Jorge Carmona, que também esteve na goleada por 8 a 0, foi vítima de um duplo homicídio, em Medellin, em 12 de outubro de 2005, quando já havia encerrado a carreira. A emboscada sofrida pelo ex-jogador tem relação com a disputa do tráfico de drogas em Medellin.

Outro atleta daquele grupo, o meia Hernán Gaviría, que participou do empate em 1 a 1, em Medellin, foi outro que faleceu ainda como jogador, porém vítima de uma fatalidade. Quando estava no Deportivo Cali, ele e o seu companheiro de time, Giovanni Córdoba, morreram após serem atingidos por um raio, em 25 de outubro de 2002, durante um treino.

Outros dois atletas daquele grupo tornaram-se dirigentes. O volante Luis Alfonso Fajardo, o El Bendito Fajardo, que enfrentou o Cruzeiro, no Mineirão, foi preso em 20 de setembro de 2008, quando já havia encerrado a carreira. Ele era suspeito de envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro com outros dirigentes do Deportivo Pereira. Três meses depois foi liberado por falta de provas. Atualmente, dirige o Deportivo Rionegro, da segunda divisão. Já o zagueiro Víctor Marulanda é o atual presidente do Atlético Nacional.

Apesar dos incidentes e do envolvimento com organizações criminosas, aquele time do Atlético Nacional foi o melhor de sua história. Além de terem sido o primeiro time colombiano a levantar a Taça Libertadores, em 1989, o time que enfrentou o Cruzeiro, pela Supercopa de 1992, havia ganho o campeonato colombiano do ano anterior de maneira inédita. Pela primeira vez na história, um plantel formado exclusivamente por colombianos levantou o título máximo do país, fazendo jus ao nome da agremiação.


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terça-feira, 27 de novembro de 2012

O emblemático esquadrão dos sonhos de 1992


Foto: Carlos Rhienck/Jornal Hoje em Dia
O time dos sonhos de 1992 foi o resultado de uma ousadia inedita da diretoria cruzeirense

Por Henrique Ribeiro


Entre os times vencedores do Cruzeiro, muitos torcedores de diferentes gerações já ouviram falar ou tiveram o privilégio de acompanhar no Mineirão o mais emblemático de todos eles: o Dream Team da Supercopa de 1992. O plantel que ergueu uma das taças mais importantes do futebol sulamericano interrompeu uma longa tradição no clube, que sempre formou equipes com jogadores talentosos, porém jovens e ainda desconhecidos. Aquele time foi formado a base de muita ousadia da diretoria cruzeirense, que não mediu esforços nas contratações de jogadores experientes e consagrados.

O time de 1992 do Cruzeiro ganhou o mesmo apelido da Seleção de Basquete dos Estados Unidos nas Olimpíadas de Barcelona, disputada meses antes: "Dream Team". Na ocasião, o time americano havia sido formado, pela primeira vez, pelos astros consagrados da Liga Profissional, a NBA.

Ao contrário de muitos projetos de supertimes montados no futebol, que fracassaram, o "Time dos Sonhos" do Cruzeiro de 1992 correspondeu às expectativas. Conquistou a Supercopa e, de quebra, o Campeonato Mineiro, de forma invicta. Rendeu lucros aos cofres do clube com públicos recordes no Mineirão. E acima de tudo apresentou pra torcida um futebol vistoso, de toque de bola refinado e de muita técnica digno da academia cruzeirense.


A montagem do time dos sonhos que conquistaria o bicampeonato da Supercopa de 1992 começou no início daquele ano, com a contratação do lateral direito Paulo Roberto, que era um dos melhores da posição no país. Hábil cobrador de faltas e de pênaltis, Paulo Roberto também se destacava pelos cruzamentos precisos para a área, quando apoiava o ataque.

No entanto, o plantel campeão da Supercopa de 1991 sofreu a baixa dos dois atacantes que mais se destacaram naquela campanha: o ponta direita Mário Tilico, que foi devolvido de empréstimo ao São Paulo e o artilheiro Charles, que foi negociado ao Boca Juniors, da Argentina. A dupla de zaga também havia sido desfeita com a venda de Paulão para o Grêmio e a séria contusão de Adilson, na decisão da Recopa, contra o Colo Colo, em abril.

Influenciados pela badalação e pelas exibições primorosas do Selecionado americano de basquete nas olimpíadas, a diretoria cruzeirense resolveu ousar e montar um Time dos Sonhos para a conquista do bicampeonato da Supercopa. Dois meses antes do início da competição, a série de anúncios de contratações bombásticas começavam a empolgar a nação cruzeirense.
O time de basquete dos Estados Unidos originou
o apelido do time do Cruzeiro supercampeão de 1992

Para o ataque, o atacante Betinho veio por empréstimo do Palmeiras, da milionária Parmalat. O jogador havia tido duas passagens brilhantes com a camisa cinco estrelas em 1988 e 1989 e já era bastante admirado pela torcida. Outro retorno acertado foi o do ponteiro esquerdo Édson, ídolo da torcida nos últimos anos da década de 80. Outro reforço que desembarcou na Toca foi o do ponteiro esquerdo Roberto Gaúcho. O atacante era comparado ao ídolo Renato Gaúcho da Seleção Brasileira pela precisão nos cruzamentos e nas finalizações a gol.

Outras duas grandes contratações iriam sacudir a nação cruzeirense. A primeira foi a do volante Douglas, que estava a quatro anos no Sporting, de Portugal. Douglas surgiu na base cruzeirense e foi o maior ídolo da torcida nos anos 1980. A outra foi a do zagueiro Luizinho, quando a diretoria cruzeirense superou a concorrência do rival Atlético, que também pretendia o retorno do jogador. Luizinho, que também estava no Sporting de Portugal, foi considerado um dos melhores zagueiros do futebol mundial nos anos 1980 e havia sido ídolo da torcida rival.

A última das grandes contratações foi a do atacante Renato Gaúcho, que estava em litígio no Botafogo. Ele foi recebido no aeroporto da pampulha por uma multidão de cruzeirenses. Renato estava afastado do plantel carioca, desde o churrasco que promoveu com jogadores do Flamengo, após a derrota do Botafogo para o rubro-negro, por 3 a 0, na primeira partida da decisão do Campeonato Brasileiro.

No entanto, uma semana antes da estreia, o plantel sofreria ainda a baixa do volante Ademir, que foi negociado ao Racing, da Argentina. Com a sua saída, o lateral direito Paulo Roberto assumiu a braçadeira de capitão do time dos sonhos.

Apesar do sucesso obtido na maioria das contratações, o time não careceu de jogadores na zaga e na lateral esquerda. O diretor de futebol Benecy Queiroz tentou acertar o retorno de Geraldão ao clube. O zagueiro que surgiu nas categorias de base do clube nos anos 80 estava no futebol europeu, mas exigiu salários muito altos. O titular Nonato não se recuperaria a tempo de sua lesão no joelho esquerdo para o jogo de estreia e o Cruzeiro tentou buscar Branco, que havia sido liberado pelo Genoa, da Italia. Outros jogadores pretendidos para a posição foram Lira, que estava no Inter e Jacenir, do Santo André. Não foi possível o acerto com os atletas e o time seguiu a competição com apenas Nonato, na lateral esquerda.

O time dos sonhos bicampeão da Supercopa de 1992 na Toca da Raposa
Em pé da esquerda para a direita: Paulo César, Paulo Roberto,
Célio Lúcio, Douglas, Luizinho, Nonato, Jair Pereira (treinador) e
César Masci (presidente). Agachados da esquerda para a direita:
Luis Inarra (preparador físico), Betinho, Boiadeiro, Renato Gaúcho,
Luiz Fernando e Roberto Gaúcho

PLANTEL TITULAR DE 1992

1-PAULO CESAR
Goleiro. Paulo César Borges (Fronteira, MG, 06/03/1960). Mede 1,82m e pesava 75kg. Estava no Cruzeiro desde 1989, quando veio do Bragantino. Foi titular em todos os oito jogos das campanhas dos títulos da Supercopa de 1991 e 1992

2-PAULO ROBERTO
Lateral direito. Paulo Roberto Curtis Costa (Viamão, RS, 27/01/1963). Mede 1,82m e pesava 78kg. Chegou ao clube no início da temporada. Seu último clube havia sido o Botafogo. Foi titular em todos os oito jogos da campanha.

3-LUIZINHO
Zagueiro. Luiz Carlos Ferreira (Nova Lima, MG, 22/10/1958). Mede 1,77m e pesava 73kg. Veio do Sporting, de Portugal, em agosto. Foi titular em todos os sete jogos que disputou na campanha. Ficou de fora apenas da partida contra o Olimpia, na primeira partida das semifinais, em que cumpriu suspensão automática.

4-CÉLIO LUCIO
Zagueiro. Célio Lúcio Costa Silva (Cajuru, MG, 11/02/1971). Mede 1,83m e pesava 72kg. Começou no infantil do Cruzeiro em 1986 e foi integrado ao plantel profissional em 1991. Foi titular em todos os oito jogos da campanha.

6-NONATO
Lateral esquerdo. Raimundo Nonato Silva (Mossoró, RN, 23/02/1967). Mede 1,69m e pesava 64kg. Estava no Cruzeiro desde 1990, quando veio do Baraúnas-RN. Foi titular em todos os sete jogos que disputou na campanha. Ficou fora apenas do jogo de estreia contra o Atletico Nacional por estar se recuperando de uma contusão no joelho esquerdo. Era um dos remanescentes da equipe campeã da Supercopa de 1991, quando também foi titular.

8-DOUGLAS
Volante. William Douglas Humia Menezes (Belo Horizonte, MG, 17/03/1963). Mede 1,79m e pesava 75kg. Surgiu no futebol de salão do Cruzeiro no final da década de 1970, de onde foi para as categorias de base do time de campo. Foi integrado ao plantel profissional em 1981 ainda com 18 anos. Retornou ao Cruzeiro do Sporting de Portugal em agosto de 1992. Foi titular em todos os sete jogos que disputou na campanha. Ficou fora apenas do jogo de estreia contra o Atletico Nacional por estar se recuperando de uma contusão.

17-LUIZ FERNANDO
Armador. Luis Fernando Rosa Flores (Bagé, RS, 22/02/1964). Mede 1,70m e pesava 68kg. Estava no Cruzeiro desde agosto de 1990, quando foi contratado junto ao Bahia. Foi titular em todos os sete jogos que disputou na campanha. Ficou fora apenas do jogo de estreia contra o Atletico Nacional por estar se recuperando de uma contusão. Foi titular em todos os oito jogos das campanhas dos títulos da Supercopa de 1991 e 1992

10-BOIADEIRO
Armador. Marco Antônio Ribeiro (Américo de Campos, SP, 22/02/1964 ou 13/06/1965). Mede 1,76m e pesava 75kg. Estava no Cruzeiro desde 1991, quando foi contratado junto ao Vasco. Foi titular em todos os seis jogos da campanha. Ficou de fora da estreia contra o Atletico Nacional por causa de problemas psicológicos e da primeira partida da semifinal contra Olimpia em que cumpriu suspensão automática. Era um dos remanescentes da equipe campeã da Supercopa de 1991, quando também foi titular.

9-BETINHO
Atacante. Gilberto Carlos Nascimento (São Paulo, SP, 14/06/1966). Mede 1,72m e pesava 70kg. Foi adquirido por empréstimo ao Palmeiras, em agosto. Era a sua terceira e última passagem pelo Cruzeiro. Foi titular em todos os oito jogos da campanha.

7-RENATO GAÚCHO
Atacante. Renato Portaluppi (Guaporé, RS, 09/09/1962). Mede 1,83m e pesava 80kg. Foi adquirido por empréstimo ao Botafogo, em agosto. Foi titular em todos os oito jogos da campanha.

11-ROBERTO GAÚCHO
Atacante. Roberto Jusceli Weber (Guarani das Missões, RS, 05/04/1968). Mede 1,70m e pesava 68kg. Veio do Guarani em agosto de 1992. Foi titular em todos os oito jogos da campanha.

RESERVAS

12-GILBERTO
Goleiro. Gilberto Carlos Fonseca (São João Del Rey, MG, 12/12/1970). Mede 1,81m e pesava 78kg. Revelado nas categorias de base do Cruzeiro. Foi integrado ao plantel profissional em 1991.

13-ZELÃO
Lateral direito. Wanderson Luís Oliveira (Belo Horizonte, MG, 20/01/1972). Mede 1,72m e pesava 73 kg. Surgiu nas categorias de base do Cruzeiro. Foi integrado ao plantel profissional em 1991. Foi titular da campanha do título de 1991 e na campanha de 1992 participou do jogo de estreia contra o Atletico Nacional improvisado na lateral esquerda.

14-CLEISON
Atacante. Cleison Edson Assunção Nascimento (Belo Horizonte, MG, 13/03/1972). Mede 1,78m e pesava 74kg. Estava no Cruzeiro desde dezembro de 1991, quando foi contratado junto ao time júnior do Santa Tereza, de Belo Horizonte. Participou de quatro partidas da campanha.

15-ARLEY ALVARES
Zagueiro. Arley Alvares Medeiros (Abaeté, MG, 30/06/1972). Mede 1,80 m. Revelado nas categorias de base do Cruzeiro. Foi integrado ao plantel profissional em 1992. Participou de três partidas da campanha.

16-ÉDSON
Ponta esquerda. Édson Gonzaga Alves Filho (Rio de Janeiro, RJ, 06/01/1960). Mede 1,69m e pesava 66kg. Retornou ao Cruzeiro em janeiro de 1992, por empréstimo, junto ao Internacional. Era a sua segunda passagem pelo Cruzeiro. Participou de cinco partidas da campanha.

19-AGNALDO
Armador e ponta esquerda. Agnaldo Divino Mendonça (Sanclerlândia, GO, 13/08/1967). Estava no Cruzeiro desde junho de 1991, após ter sido contratado junto ao Goiás.

21-ROGÉRIO LAGE
Volante. Rogério Lage Silva (Itabira, MG, 18/05/1969). Mede 1,75 m e pesa 75kg. Estava no Cruzeiro desde dezembro de 1990, após ter sido contratado junto ao Valério-MG. Participou de cinco partidas da campanha. Era um dos remanescentes do título da Supercopa de 1991, quando também foi um dos principais reservas.

22-ADILSON
Zagueiro. Adilson Dias Batista (Curitiba, PR, 16/03/1968). Mede 1,82 m e pesava 76kg. Estava no Cruzeiro desde fevereiro de 1989, após ter sido contratado junto a Atlético-PR. Era um dos remanescentes do título da Supercopa de 1991, quando foi titular em todas as partidas. Já na campanha de 1992, participou de apenas de uma partida, pois contundiu-se seriamente e ficou fora do restante dos jogos.

23-TÔTO
Sandro Luís Schmidt (Jaraguá do Sul, SC, 26/08/1968). Mede 1,88m e pesava 80kg. Foi adquirido ao Criciúma, em agosto, após ter disputado o Campeonato Brasileiro. Participou de uma partida da campanha.

*os volantes ADEMIR e ANDRADE foram inscritos para a Supercopa, mas foram negociados a uma semana da estreia e não participaram da campanha

CESAR MASCI - presidente
BENECY QUEIROZ - diretor de futebol
JAIR PEREIRA - treinador
EDUARDO AMORIM - auxiliar técnico
ZÉ MAURÍCIO - treinador de goleiros
LUIS INARRA e ALEXANDRE BARROSO - preparadores físicos
CARLOS PIÑON, RONALDO NAZARÉ e SÉRGIO FREIRE - médicos
EMERSON GARCIA - fisiologista
FLÁVIO IANNI - dentista
TEOTÔNIO TEODORO - massagista
GERALDO BAPTISTA - roupeiro

twitter: @henriqueribe
www.facebook.com.br/almanaquedocruzeiro

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cruzeiro x Coritiba


Foto: Estado de Minas
Carlos Henrique

CAMPEONATO BRASILEIRO
01/11/1969 - Empate 1 a 1
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: -
Gols: Nilson (falta) 16’ (0-1), Evaldo 46’ (1-1)
08/08/1971 - Cruzeiro 2 a 0
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: -
Gols: Tostão 81’, Lima 85’
19/11/1972 - Cruzeiro 3 a 2
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 17.413
Gols: Pescuma (contra) 31’ (1-0), Zé Roberto 42’ (1-1) Zé Carlos 45’ (2-1), Dirceu Lopes 66’ (3-1), Tião Abatia 87’ (3-2)
23/09/1973 - Empate 0 a 0
Primeira fase - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 18.073
27/08/1975 - Cruzeiro 1 a 0
Primeira fase - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 7.596
Gol: Nelinho (de falta) 86’
19/09/1976 - Cruzeiro 2 a 1
Primeira fase - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 22.030
Gols: Moraes (pênalti) 44’ (1-0), Eli Carlos 83’ (1-1), Palhinha 86’ (2-1)
31/01/1985 - Coritiba 2 a 1
Primeiro turno/Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 14.975
Gol: Índio 33’ (0-1), Índio (pênalti) 41’ (0-2), Tostão 69’ (1-2)
13/03/1985 - Coritiba 3 a 2
Segundo turno/Primeira fase - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 9.498
Gols: Carlinhos 12’ (1-0), Paulinho 47’ (1-1), Dedé de Dora 75’ (2-1), Índio 81’ (2-2), Índio 86’ (2-3)
08/11/1987 - Cruzeiro 3 a 0
Segundo turno - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 11.676
Gols: Heriberto 32’, Eduardo 51’, Cláudio Adão 84’
15/12/1988 - Cruzeiro 2 a 0
Primeira fase/Segundo turno - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 26.118
Gols: Heriberto (falta) 11’, Hamilton 88’
23/09/1989 - Empate 0 a 0
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 8.386
14/11/1996 - Empate 0 a 0
Primeira fase - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 10.642
23/09/1997 - Empate 0 a 0
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 11.402
19/09/1998 - Cruzeiro 4 a 0
Primeira fase - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 8.263
Gols: Valdo (pênalti) 25’, Fábio Júnior 44’, Müller 48’, Fábio Júnior 81’
15/08/1999 - Empate 2 a 2
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 2.136
Gols: Cléber (pênalti) 17’ (0-1), Alex Alves 29’ (1-1), Sinval 39’ (1-2), Müller 52’ (2-2)
19/11/2000 - Empate 1 a 1
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: -
Gols: Alonso 48’ (1-0), Paulo Foiani 59’ (1-1)
19/08/2001 - Coritiba 3 a 2
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: -
Gols: Alex (falta) 19’(1-0), Edmílson 48’(1-1), Rincón 55’(1-2), Edmilson 62’ (1-3), João Carlos 69’ (2-3)
30/10/2002 - Coritiba 3 a 1
Primeira fase - Couto Pereira (Curitiba)
Público: -
Gols: Fábio Júnior 5’ (1-0), Alexandre Fávaro 25’ (1-1), Lima 86’ (1-2), Reginaldo Araújo 90’+1’ (1-3)
16/04/2003 - Cruzeiro 4 a 3
Turno - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: -
Gols: Aristizábal 6’ (1-0), Lima 16’ (1-1), Aristizábal 30’ (2-1), Deivid 56’ (3-1), Marco Brito (pênalti) 59’ (3-2), Alexandre Fávaro (falta) 79’ (3-3), Aristizábal 86’ (4-3)
20/08/2003 - Empate 2 a 2
Returno - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 17.407
Gols: Tcheco (falta) 14’ (0-1), Marcel (pênalti) 19’ (0-2), Márcio Nobre 30’ (1-2), Mota 70’ (2-2)
04/07/2004 - Coritiba 3 a 0
Turno - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 4.094
Gols: Ataliba 18’, Tuta 52’, Laércio 84’
06/10/2004 - Empate 1 a 1
Returno - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 2.493
Gols: Tuta 23’ (0-1), Jussiê 40’ (1-1)
20/07/2005 - Empate 2 a 2
Turno - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 14.866
Gols: Adriano 3’ (1-0), Caio 56’ (1-1), Rafinha (pênalti) 71’ (1-2), Fred 88’ (2-2)
Diego marca um dos gols da goleada do Cruzeiro sobre
o Coritiba no Couto Pereira pelo Brasileiro de 2005

25/10/2005 - Cruzeiro 3 a 0
Returno - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 6.140
Gols: Kelly 8’, Diego 36’, Adriano 57’
01/06/2008 - Empate 1 a 1
Turno - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 21.538
Gols: Michael 48’ (0-1), Ramires 55’ (1-1)
31/08/2008 - Empate 1 a 1
Returno - Mineirão
Ingressos: 12.970
Gols: Espinoza 4’ (1-0), Tiago Silvy 89’ (1-1)
09/08/2009 - Cruzeiro 3 a 1
Turno - Couto Pereira
Ingressos: 11.485
Gols: Wellington Paulista (pênalti) 20’ (1-0), Thiago Ribeiro 51’ (2-0), Wellington Paulista 55’ (3-0), Marcelinho Paraíba 69’ (3-1)
29/11/2009 - Cruzeiro 4 a 1
Returno - Mineirão
Ingressos: 27.291
Gols: Jeci 11’ (0-1), Henrique 44’ (1-1), Jonathan 45’ (2-1), Wellington Paulista (pênalti) 56’ (3-1), Eliandro 66’ (4-1)
25/06/2011 - Cruzeiro 2 a 1
Turno - Arena do Jacaré (Sete Lagoas, MG)
Ingressos: 5.256
Gols: Montillo (pênalti) 52' (1-0), Marcos Aurélio 79' (1-1), Montillo 83' (2-1)
21/09/2011 - Coritiba 2 a 1
Returno - Couto Pereira
Ingressos: 17.766
Gols: Marcos Aurélio 22’ (0-1), Bill 58’ (0-2), Bobô 65’ (1-2)
19/08/2012 - Coritiba 4 a 0
Turno - Couto Pereira
Ingressos: 11.739
Gols: Lucas Mendes 19', Ayrton (falta) 38', Roberto 47', Anderson Aquino 77'
25/11/2012 - Cruzeiro 2 a 1
Returno - Independência
Ingressos: 11.448
Gols: Wellington Paulista 7' (1-0), Leandro Guerreiro 50' (2-0), Everton Ribeiro 90' (2-1)
03/08/2013 - Cruzeiro 1 a 0
Turno - Mineirão
Gol: Luan 11'
Foto: Estado de Minas

20/10/2013 - Coritiba 2 a 1
Returno - Couto Pereira
Gols: Carlinhos 41' (0-1), Dagoberto 62' (1-1), Keirrison 72' (1-2)
17/05/2014 - Cruzeiro 3 a 2
Turno - Mineirão
Gols: Ricardo Goulart 10' (1-0), Alex 23' (1-1), Ricardo Goulart 45' (2-1), Norberto 54' (2-2), Borges 68' (3-2)
24/09/2014 - Cruzeiro 2 a 1
Returno - Couto Pereira
Gols: Marcelo Moreno 7' (1-0), Everton Ribeiro 39' (2-0), Martinuccio 61' (2-1)
28/06/2015 - Coritiba 1 a 0
Turno - Couto Pereira
Gol: Rafhael Lucas 62'
27/09/2015 - Cruzeiro 2 a 0
Returno - Mineirão
Ingressos: 22.897
Gols: Ceará 21', Willian 65'
14/05/2106 - Coritiba 1 a 0
Turno - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 6.028
Gol: Kleber 70'

Total de jogos pelo Campeonato Brasileiro: 39
Vitórias do Cruzeiro: 17
Empates: 12
Vitórias do Coritiba: 10
Total de Gols: 110
Gols do Cruzeiro: 62
Gols do Coritiba: 48

Quadro de goleadores do confronto pelo Campeonato Brasileiro:
4 gols: Wellington Paulista (Cruzeiro)
4 gols: Índio (Coritiba)
3 gols: Aristizábal, Fábio Júnior (Cruzeiro)
2 gols: Adriano, Heriberto, Montillo, Muller, Ricardo Goulart (Cruzeiro)
2 gols: Alexandre Fávaro, Edmilson, Lima, Marcos Aurélio, Tuta (Coritiba)
1 gol: Alex, Alex Alves, Alonso, Bobô, Borges, Carlinhos, Ceará, Cláudio Adão, Dagoberto, Dedé de Dora, Deivid, Diego, Dirceu Lopes, Eduardo, Eliandro, Espinoza, Evaldo, Everton Ribeiro, Fred, Hamilton, Henrique, João Carlos, Jonathan, Jussiê, Kelly, Leandro Guerreiro, Lima, Luan, Marcelo Moreno, Márcio Nobre, Moraes, Mota, Nelinho, Palhinha, Ramires, Thiago Ribeiro, Tostão,  Tostão II, Valdo, Willian, Zé Carlos (Cruzeiro)
1 gol: Alex, Anderson Aquino, Ataliba, Ayrton, Bill, Caio, Carlinhos, Cléber, Eli Carlos, Everton Ribeiro, Jeci, Keirrison, Kleber, Laércio, Lucas Mendes, Marcel, Marcelinho Paraíba, Marco Brito, Martinuccio, Michael, Nilson, Norberto, Paulinho, Paulo Foiani, Rafhael Lucas, Rafinha, Reginaldo Araújo, Rincón, Roberto, Sinval, Tcheco, Tiago Silvy, Tião Abatia, Zé Roberto (Coritiba)
1 gol contra: Pescuma (Coritiba) a favor do Cruzeiro

Foto: arquivo Hoje em Dia
O atacante Edilson Capetinha marcou um dos gols da vitória 
do Cruzeiro sobre o Coritiba pela Sul Minas de 2002

COPA SUL MINAS

30/01/2000 - Coritiba 2 a 1
Primeira Fase - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: -
Gols: Leandro (falta) 14’ (0-1), Marcelo Ramos (pênalti) 16’ (1-1), Marquinhos 43’ (1-2)
06/02/2000 - Cruzeiro 3 a 0
Primeira Fase - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 5.594
Gols: Marcelo Ramos (pênalti) 30’ (1-0), Ricardinho (falta) 62’ (2-0), Paulo Isidoro 90’+3’ (3-0)
07/03/2001 - Cruzeiro 2 a 0
Final - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 23.209
Gols: Jackson 53’, Oséas 72’
21/03/2001 - Cruzeiro 3 a 0
Final - Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 34.357
Gols: Jorge Wagner 50’, Geovanni (falta) 78’, Marcelo Ramos 84’
03/02/2002 - Cruzeiro 3 a 1
Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 20.734
Gols: Sorin 8’ (1-0), Edilson 12’ (2-0), Vander 16’ (3-0), Evair (falta) 80’ (3-1)

AMISTOSOS

30/01/1975 - Cruzeiro 1 a 0

Mineirão (Belo Horizonte)
Ingressos: 3.811
Gol: Joãozinho 53’
01/05/1981 - Coritiba 5 a 1
Torneio do governador - Couto Pereira (Curitiba)
Ingressos: 13.933
Gols: Viana (pênalti) 45’ (0-1), Capitão 59’ (0-2), Edmar 75’ (1-2), Viana 76’ (1-3), Bozó 80’ (1-4), Paulo César 89’ (1-5)

Total de jogos: 46
Vitórias do Cruzeiro: 22
Empates: 12
Vitórias do Coritiba: 12
Total de Gols: 132
Gols do Cruzeiro: 76
Gols do Coritiba: 56

Quadro geral de goleadores do confronto:
4 gols: Wellington Paulista (Cruzeiro)
4 gols: Índio (Coritiba)
3 gols: Aristizábal, Fábio Júnior, Marcelo Ramos (Cruzeiro)
2 gols: Adriano, Heriberto, Montillo, Muller, Ricardo Goulart (Cruzeiro)
2 gols: Alexandre Fávaro, Edmilson, Lima, Marcos Aurélio, Tuta, Viana (Coritiba)
1 gol: Alex, Alex Alves, Alonso, Bobô, Borges, Carlinhos, Ceará, Cláudio Adão, Dagoberto, Dedé de Dora, Deivid, Diego, Dirceu Lopes, Edilson, Eduardo, Eliandro, Espinoza, Evaldo, Everton Ribeiro, Fred, Geovanni, Hamilton, Henrique, Jackson, João Carlos, Joãozinho, Jonathan, Jorge Wagner, Jussiê, Kelly, Leandro Guerreiro, Lima, Luan, Marcelo Moreno, Márcio Nobre, Moraes, Mota, Nelinho, Oséas, Palhinha, Paulo Isidoro, Ramires, Ricardinho, Sorin, Thiago Ribeiro, Tostão, Tostão II, Valdo, Vander, Willian, Zé Carlos (Cruzeiro)
1 gol: Alex, Anderson Aquino, Ataliba, Ayrton, Bill, Bozó, Caio, Capitão, Carlinhos, Cléber, Eli Carlos, Evair, Everton Ribeiro, Jeci, Keirrison, Kleber, Laércio, Leandro, Lucas Mendes, Marcel, Marcelinho Paraíba, Marco Brito, Marquinhos, Martinuccio, Michael, Nilson, Norberto, Paulinho, Paulo César, Paulo Foiani, Rafhael Lucas, Rafinha, Reginaldo Araújo, Rincón, Roberto, Sinval, Tcheco, Tiago Silvy, Tião Abatia, Zé Roberto (Coritiba)
1 gol contra: Pescuma (Coritiba) a favor do Cruzeiro