segunda-feira, 27 de maio de 2013

AGENDA HISTÓRICA

Por Henrique Ribeiro

28/05/1933 - Com gols de Souza e Alcides, o Cruzeiro vence o Atlético por 2 a 1, no Barro Preto. Geraldino marcou o gol do time de lourdes. Este clássico amistoso, cuja renda foi em benefício da Federação Mineira, foi a primeira partida de ambos os clubes no regime profissional. Pela vitória o time estrelado recebeu a taça "cronistas esportivos"

29/05/1992 - o Cruzeiro estreia na Copa Master com um empate em 1 a 1 contra o Racing, no estádio do Velez Sarsfield, em Buenos Aires. Rubén Paz marcou para os argentinos e o atacante Charles empatou para o time estrelado. Na disputa de tiros livres, o Cruzeiro venceu por 3 a 1 e se classificou para a decisão. A Copa Master reunia os campeões da Supercopa e teve apenas as edições de 1992 e 1995.

30/05/1975 - O técnico Ilton Chaves convoca a Seleção Mineira que iria representar o Brasil na Copa América. Com 13 relacionados, o Cruzeiro teve o maior número de convocados. Foram chamados os goleiros Raul e Hélio, o lateral direito Nelinho, os zagueiros Morais e Darci, o lateral esquerdo Vanderlei, o volante Piazza, os meias Dirceu Lopes, Zé Carlos e Eduardo, o ponta direita Roberto Batata, o centro-avante Palhinha e o ponta esquerda Joãozinho. O Atlético teve 12 convocados, o Uberaba dois, e a Caldense, o Villa Nova e o America, um cada.

31/05/2003 - Os direitos econômicos do zagueiro Edu Dracena são adquiridos pelo Cruzeiro por R$ 1 milhão, junto ao Guarani, de Campinas. O valor era referente a metade dos direitos econômicos do atleta. Em fevereiro, o clube já havia desembolsado Cr$ 700 mil pela outra metade, enquanto o empresário Juan Figger e a Energil C completaram o restante do valor em mais R$ 700 mil ao bugre.

01/06/2001 - desembarca em Belo Horizonte, vindos de Buenos Aires, os representantes do Barcelona, Anton Parera e Francisco Closa, com uma proposta oficial ao Cruzeiro para a compra do passe do atacante Geovanni (foto acima comemorando um dos gols que marcou na vitória por 2 a 0 sobre o Emelec, pela Libertadores, no Mineirão). Na Argentina, a dupla havia concluído a negociação com o Boca Juniors para a aquisição de 50% do passe de Riquelme pelo Barcelona, por US$ 11 milhões (cerca de R$ 26 milhões). A dupla prometia fazer uma oferta irrecusável ao Cruzeiro, pois o Barcelona estaria disposto a pagar até US$ 17 milhões (cerca de R$ 40 milhões) pelo passe do atleta.

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nos tempos em que se andava com fé a caminho do título

O time do Cruzeiro de 1940 (ainda como Palestra Italia)

Por Henrique Ribeiro

A primeira decisão direta entre Cruzeiro e Atlético foi pelo Campeonato da Cidade de 1940. Assim como acontece em 2013, em que o Independência tornou-se o estádio atleticano e, o Mineirão, o estádio cruzeirense, os rivais exerceram seus mandos de campo em seus próprios domínios naquela grande final. O estádio alvinegro era em Lourdes e o do Cruzeiro, no bairro vizinho, no Barro Preto. Ambos não existem mais. Eram outros tempos. Longe das mordomias e dos cuidados com a segurança dos dias atuais, os jogadores dormiam no próprio estádio antes das partidas e seguiam a pé, em meio aos torcedores, para jogar no campo rival.

O Campeonato da Cidade de 1940 seguiu a fórmula dos pontos corridos. Como os rivais encerraram a disputa empatados em número de pontos, o título foi decidido numa série de três partidas. Belo Horizonte, que ainda tinha 220 mil habitantes, teve o privilégio de assistir a primeira final entre os times de maiores torcidas. O clássico do turno, no Barro Preto, que terminou empatado em 2 a 2, havia proporcionado a maior renda do certame com mais de 10 contos de réis (moeda da época). Mais da metade da soma das rendas das outras partidas da fase.


O primeiro jogo da final, no dia 29 de dezembro, foi marcado para o estádio do Atlético, onde atualmente está erguido o shopping Diamond Mall. Era acanhado e comportava, no máximo, 10 mil torcedores. No bairro vizinho, no Barro Preto, estavam concentrados os jogadores cruzeirenses. A Toca da Raposa surgiria em 1967 e a concentração eram nos quartos construídos embaixo das arquibancadas do estádio.

Segundo o relato do jornalista Plínio Barreto, que tinha 18 anos, e que assistiu aquela decisão, no dia do jogo "os jogadores saíram uniformizados do estádio do Barro Preto pelo portão da rua Guajajaras (que existe até hoje). Não existia o translado de ônibus, como nos dias atuais, e nem mesmo os batedores da polícia militar. O grupo caminhava a pé até o estádio de Lourdes. Ao virarem a rua Araguari, se misturavam aos torcedores, onde recebiam os primeiros gritos de incentivo. Ao cruzarem a avenida amazonas, seguiam à direita do Colégio Santo Agostinho, na rua Rio Grande do Sul. Ao chegarem no estádio alvinegro entravam pelo portão da rua Gonçalves Dias". 

Mesmo na casa do adversário, o Cruzeiro quase emplacou uma goleada histórica. A partida foi dirigida pelo árbitro Mundico, apelido de Raimundo Sampaio, que se tornaria presidente do Sete de Setembro e levaria o nome oficial do estádio Independência. Foi a última temporada dos dois auxiliares de arbitragem de linha de fundo, que seriam extintos.

O atacante Niginho, que era considerado o maior jogador de Minas, desequilibrou o primeiro clássico decisivo e mostrou porque era o carrasco do Atlético. No primeiro tempo, deu o passe para o ponta esquerda Alcides abrir o placar e ainda marcou o segundo gol, após receber um passe de seu irmão caçula, Orlando. Ele ainda perderia dois gols incríveis antes de marcar o terceiro gol, no segundo tempo. Paulo conquistou o gol de honra dos alvinegros. O estádio de Lourdes foi desapropriado na década de 1960 e, em seguida, desmanchado. Na década de 1990 deu lugar ao Shopping Diamond Mall.

Veio o domingo seguinte, já no ano de 1941, no dia 5 de janeiro. O time atleticano, que também se concentrava em quartos abaixo das arquibancadas de seu estádio, deixou o reduto uma hora antes da partida. Plínio Barreto recorda o exato trajeto que o grupo percorreu até o estádio do Cruzeiro. "Saíram pelo portão da Gonçalves Dias e desceram a rua Rio Grande do Sul. No cruzamento com a rua dos Aimorés, juntaram-se aos torcedores, onde receberam as primeiras palavras de apoio. Ao cruzarem a avenida amazonas seguiam a rua Araguari até o estádio do Barro Preto, onde entraram pelo portão da rua Guajajaras".

Aquela também foi a última temporada das partidas com o tempo regulamentar de 80 minutos. A partir de maio, os jogos de futebol passaram a ter 90 minutos por determinação da FIFA. Neste segundo jogo, o Atlético foi mais objetivo e abriu o placar, logo aos 15 minutos. O ponta-direita Edgard recebeu um passe de Rezende e chutou sem chances para o goleiro Geraldo II. Começava a brilhar na partida a figura dos extremas atleticanos, que se tornariam o destaque do jogo. O Cruzeiro chegou ao empate no final do primeiro tempo, com um gol de cabeça de Dejardes. Mas, na segunda etapa, o ponta Rezende marcou o gol da vitória alvinegra. O estádio do Barro Preto foi desmanchado em 1986 e deu lugar ao parque poliesportivo do clube.

O resultado obrigou a realização de uma terceira partida, em terreno neutro, no estádio do América, que foi desmanchado nos anos 1970. Em seu lugar foi erguido o supermercado Jumbo. Atualmente, é o supermercado extra, na avenida francisco sales, em Santa Efigênia. A decisão serviu para quebrar os tabus que incomodavam os rivais. O Cruzeiro não conquistava o campeonato havia 10 anos e o Atlético, que era o atual bicampeão, era o único dos grandes da cidade que nunca havia sido tricampeão. Esta sequência lhe escapara em duas oportunidades, em 1928 e 1933.

A partida, dia 12 de janeiro de 1941, teve como destaque o veterano Carazo, que criou a jogada do primeiro gol cruzeirense, marcado pelo ponta-esquerda Alcides. Logo ao primeiro minuto do segundo tempo, o Cruzeiro confirmou a vitória quando, num chute forte de Orlando, o goleiro Kafunga rebateu e Niginho, sempre ele, marcou o gol da vitória e do título: Cruzeiro 2 a 0. Foi o último título do Cruzeiro com o seu nome de origem, Palestra Itália. A partir de fevereiro de 1943, após a aprovação de seus novos estatutos pela FMF, passou a atender pelo nome atual.

Após a partida, as duas delegações retornaram, novamente a pé, para os seus respectivos estádios. A do Atlético, triste pela perda de mais um tricampeonato e a do Cruzeiro acompanhando o carnaval dos torcedores até o Barro Preto.


CRUZEIRO 3 x 1 ATLÉTICO
29/12/1940 - Campeonato da Cidade (decisão/1ª) - Lourdes
Árbitro: Mundico
Gols: Alcides (1-0); Niginho (2-0); Niginho (3-0); Paulo (3-1)
Cruzeiro: Geraldo II, Caieira e Bibi; Souza (Carazo), Juca e Caieirinha; Nogueirinha, Orlando, Niginho, Carlos Alberto (Geraldino) e Alcides. T: Bengala
Atlético: Kafunga, Airton e Evando; Cafifa, Jaime e Quirino (Alcindo); Hamilton, Selado (Paulo), Baiano, Nicola e Rezende. T: Said

CRUZEIRO 1 x 2 ATLÉTICO
05/01/1941 - Campeonato da Cidade de 1940 (decisão/2ª) - Barro Preto
Árbitro: Mundico
Gols: Edgar 15’ (0-1); Dejardes 38’ (1-1); Resende (1-2)
Cruzeiro: Geraldo II, Caieira, Bibi, Souza, Juca, Caieirinha, Nogueirinha, Orlando, Niginho, Carlos Alberto (Carazo), Dejardes (Alcides). T: Bengala
Atlético: Kafunga, Linthom, Evando, Cafifa, Jaime, Quirino, Edgar, Baiano, Paulo (Itália), Selado, Resende. T: Said

CRUZEIRO 2 x 0 ATLÉTICO
12/01/1941 - Campeonato da Cidade de 1940 (decisão/3ª) - Alameda
Renda: 15:613$000
Árbitro: Mario Vianna (RJ)
Gols: Alcides (1-0); Niginho 46’ (2-0)
Cruzeiro: Geraldo II, Caieira, Bibi, Souza, Juca, Caieirinha, Nogueirinha, Orlando, Niginho, Carazo, Alcides (Dejardes). T: Bengala
Atlético: Kafunga, Linthom, Evando, Cafifa, Jaime, Quirino, Edgar, Baiano, Paulo (Itália), Selado, Resende. T: Said


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dívida atual do Cruzeiro é o dobro do período em que foi o maior devedor do futebol brasileiro


Foto: Estado de Minas
O presidente Benito Masci (ao telefone) no dia da assinatura 
do contrato do atacante Reinaldo, na sede urbana do Cruzeiro.
Masci assumiu a presidência do clube estrelado em 1985 e
deu início ao processo de saneamento das contas do clube

Por Henrique Ribeiro

Segundo o levantamento de Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, o Cruzeiro soma R$ 143 milhões em dívidas e é o 12o maior devedor entre os clubes brasileiros. Ele chegou a estes números ao analisar os balanços dos clubes divulgados em abril.

O que poucos se lembram é que o Cruzeiro já foi o líder do ranking dos endividados do futebol brasileiro. Em 19 de abril de 1988 o IAPC colocou o time estrelado no posto mais alto da tabela com 74 milhões de cruzados que, convertidos para o real, seria de 26,9 milhões. A dívida era maior que a do américa e do atlético. Naquele levantamento o alviverde somava 25 milhões de cruzados (9 milhões de reais) e o alvinegro 5 milhões de cruzados (1,8 milhões de reais)

Em outro relatório publicado pelo governo federal, em 19 de agosto de 1996, o Cruzeiro já não aparecia na liderança dos endividados. Foi ultrapassado pelos clubes do futebol carioca e paulista. O clube estrelado havia abatido boa parte de suas dívidas, que caiu para R$ 4 milhões, após um longo processo de saneamento de suas contas. Já o rival atlético havia dobrado seus valores para R$ 3,6 milhões.

De lá para cá, o Cruzeiro continua caindo no ranking dos endividados, sendo ultrapassado pelo grêmio e pelo rival atletico que hoje tem quase o triplo de sua dívida. No entanto, surpreendentemente, a soma da dívida atual cruzeirense é muito maior que a dos tempos em que foi o maior devedor: R$ 143 milhões

Lista dos envidados
1) flamengo R$ 741,7
2) botafogo R$ 614,5
3) fluminense R$ 434,9
4) atlético R$ 414,5
5) vasco R$ 410
6) palmeiras R$ 287,2
7) internacional R$ 214
8) são paulo R$ 199,7
9) santos R$ 194,4
10) grêmio R$ 187,2
11) corinthians R$ 177,1
12) cruzeiro R$ 143
13) portuguesa R$ 135,4
14) coritiba R$ 122,8


domingo, 12 de maio de 2013

Em 1966 a conquista do estadual que veio antes de entrar em campo


Natal, Tostão e Dirceu Lopes aterrorizaram as
defesas adversárias na conquista do Estadual de 1966

Por Henrique Ribeiro

O Cruzeiro conquistou o Campeonato Mineiro de 1966 com uma campanha inquestionável. Em 22 partidas obteve 20 vitórias, um empate e apenas uma derrota e somou 41 pontos (cinco a mais que o vice, o atlético). Teve o ataque mais positivo com 77 gols e o artilheiro da competição, o meia Tostão, com 18 gols. O título foi confirmado na penúltima rodada e o time cruzeirense sequer precisou entrar em campo. Um empate do atletico, no dia anterior, contra o Uberlândia, eliminou as chances do alvinegro de alcançar o time estrelado na liderança e o resultado deu o título antecipado ao time estrelado.

O Cruzeiro dividiu o primeiro posto da tabela com o atlético até a quinta rodada do estadual. No entanto, o rival tropeçou na sexta rodada e permitiu ao Cruzeiro assumir a liderança isolada, que manteve até o fim do Campeonato.

Na penúltima rodada, o Cruzeiro somava 38 pontos e havia aumentado a vantagem para o vice-líder atletico para quatro pontos. Para se manter vivo na disputa o alvinegro precisava vencer o Uberlândia, no sábado, no Mineirão, e torcer por uma derrota do Cruzeiro para o América, no domingo, para diminuir a diferença para dois pontos. Isto porque a última rodada marcava o clássico entre alvinegros e azuis. Caso o Atlético vencesse o Cruzeiro, ambos encerrariam o campeonato, que seguia a fórmula dos pontos corridos, com o mesmo número de pontos. Como não existiam critérios de desempate, o regulamento determinava uma série decisiva de duas ou três partidas entre os líderes para decidir o título. No entanto, o Atlético não passou de um empate em 1 a 1 contra o Uberlândia. Com o resultado, o Cruzeiro sagrou-se campeão mineiro de 1966 antes mesmo de entrar em campo, contra o América, no domingo.

Como foi a campanha do Cruzeiro no Estadual de 1966:


TURNO
09/07 - Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia
16/07 - Cruzeiro 7 x 0 Formiga
24/07 - Cruzeiro 2 x 0 Siderúrgica
30/07 - Cruzeiro 3 x 0 Renascença
07/08 - Cruzeiro 1 x 0 Nacional
14/08 - Cruzeiro 1 x 0 Villa Nova
*com o empate entre Atlético e Uberaba por 1 a 1, no Mineirão, o Cruzeiro se isolou na liderança com 12 pontos
21/08 - Cruzeiro 3 x 2 Democrata-SL
28/08 - Cruzeiro 2 x 1 Valerio
04/09 - Cruzeiro 6 x 3 Uberaba
*com o empate entre Atlético e América, por 2 a 2, no Mineirão, o Cruzeiro ampliou a vantagem para o alvinegro em dois pontos.
11/09 - Cruzeiro 5 x 1 América
18/09 - Cruzeiro 2 x 0 Atlético
*com a vitória no clássico, no Mineirão, o Cruzeiro abriu quatro pontos de vantagem sobre o Atlético.

RETURNO
25/09 - Cruzeiro 4 x 1 Siderúrgica
*os resultados da rodada eliminaram o Renascença que somava apenas três pontos
02/10 - Cruzeiro 3 x 0 Formiga
*os resultados da rodada eliminaram o Formiga com seis pontos e o Siderúrgica com quatro pontos
15/10 - Cruzeiro 4 x 1 Renascença
*com o empate entre Atlético e Villa Nova, por 1 a 1, no Mineirão, o Cruzeiro ampliou a vantagem para cinco pontos. Os resultados da rodada eliminaram o Valério que somava 11 pontos.
26/10 - Cruzeiro 0 x 1 Valério
*a partida ainda era válida pela terceira rodada do returno
30/10 - Cruzeiro 6 x 3 Villa Nova
*com a vitória do Atlético por 3 a 2 sobre o Uberaba, a diferença do Cruzeiro em relação ao alvinegro caiu para três pontos. Os resultados da rodada eliminaram Uberlândia (15 pontos), Nacional (16 pontos) e Democrata (15 pontos)
06/11 - Cruzeiro 9 x 0 Nacional
*o Atlético empatou em 1 a 1 com o Democrata, no Mineirão, e o Cruzeiro ampliou a vantagem para quatro pontos sobre o alvinegro. Os resultados da rodada eliminaram o América que somava 18 pontos e o Uberaba com 21 pontos
13/11 - Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia
*os resultados da rodada eliminaram o Villa Nova que somava 22 pontos
20/11 - Cruzeiro 5 x 0 Democrata
27/11 - Cruzeiro 4 x 0 Uberaba
04/12 - Cruzeiro 1 x 0 América
11/12 - Cruzeiro 1 x 1 Atlético

*Devido a fórmula da "tabela dirigida" que transferia para o Mineirão os mandos de campo dos dois confrontos com a maior soma de pontos da rodada, o Cruzeiro disputou todas as partidas do estadual no gigante da pampulha.

A maior gafe cometida por um árbitro no futebol mineiro


O árbitro Mario Vianna (ao centro) com a camisa da Confederação Brasileira do
Desporto-CBD antes de uma partida em 1953. Ao seu lado esquerdo Geraldo Fernandes, 
da Federação Mineira e ao seu lado direito, Quirubim da Silva

Por Henrique Ribeiro

Não é de hoje que os árbitros mineiros são preteridos para dirigir os jogos decisivos de campeonatos estaduais. Em 1940, Cruzeiro e Atlético fizeram a primeira decisão da história do confronto. O time estrelado venceu a primeira partida por 3 a 1, mas a equipe alvinegra venceu a segunda por 2 a 1 provocando a realização de um terceiro jogo. Temendo que a arbitragem mineira não pudesse suportar a pressão do jogo, os dirigentes dos clubes decidiram escolher um árbitro carioca para comandar a decisão. Assim, o experiente Mário Vianna foi enviado pela Federação Carioca para apitar o terceiro jogo, que foi disputado em campo neutro, no estádio do América.

Curiosamente, Vianna cometeu a maior gafe já registrada na arbitragem em Minas. As equipes entraram no gramado e se postaram cada uma em seu campo. Vianna apitou o início da partida sem perceber que não havia bola. Foram necessários alguns minutos para que providenciassem uma bola para começar a partida. Apesar do erro inicial, Mario Vianna conduziu a partida sem atropelos. O Cruzeiro venceu por 2 a 0 e levantou o caneco.

A gafe de Mario Vianna originou uma marchinha de carnaval anos mais tarde com o seguinte verso: “vala-me Deus, vala-me Nossa Senhora, quem foi esse juiz, que apitou o jogo sem a bola?". Mario Vianna apitou a vitória da Espanha sobre os Estados Unidos, por 3 a 1, na Copa do Mundo de 1950 e da Suíça sobre a Itália por 2 a 1, na Copa do Mundo de 1954. Após o Mundial fez graves denúncias de corrupção na FIFA e foi expulso pela entidade.

Decisões com árbitro de outros estados no clássico
1940 - Mario Vianna/RJ (3o jogo)
1954 - Carlos Oliveira Monteiro/RJ (1o jogo), Alberto Gama Malcher/RJ (2o jogo), Antônio Viug/RJ (3o jogo), Mario Vianna/RJ (4o jogo)
1967 - Armando Marques/SP
1976 - José Roberto Wright/RJ (1o jogo) e Dulcídio Wanderley Boschilla/SP (2o jogo)
1977 - Dulcídio Vanderlei Boschilla/SP (1o jogo), Valquir Pimentel/RJ (2o jogo), Márcio Campos Salles/SP (3o jogo)
1985 - Arnaldo Cézar Coelho/RJ (1o jogo), Dulcídio Wanderley Boschilla/SP (2o jogo), Arnaldo Cézar Coelho/RJ (3o jogo)
1987 - Romualdo Arppi Filho/SP (1o jogo) e Ney Andrade Nunes Maia/BA (2o jogo)
1998 - Cláudio Cerdeira/RJ (1o jogo), Sidrack Marinho/SE (2o jogo)
2000 - Paulo César Oliveira/SP (1o jogo) e Oscar Roberto Godói/PR (2o jogo)
2008 - Paulo César de Oliveira/SP (1o jogo) e Evandro Rogério Roman/PR (2o jogo)
2009 - Paulo César Oliveira/SP (1o jogo) e Leonardo Gaciba/RS (2o jogo)
2011 - Paulo César de Oliveira/SP (1o jogo) e Wilson Luiz Seneme/SP (2o jogo)

Decisões com arbitragem mineira no clássico
1940, 1956, 1962, 1972, 1990, 2004 e 2007

sexta-feira, 10 de maio de 2013

De Fabbi a Adilson, os treinadores que por mais tempo comandaram o Cruzeiro


O treinador Zezé Moreira na Toca da Raposa, 
observa o treino dos goleiros Raul e Hélio. Ele dirigiu o 
Cruzeiro na campanha do título da Libertadores de 1976

Por Henrique Ribeiro

Matturio Fabbi foi o primeiro treinador da história do Cruzeiro. Antes de sua contratação era uma comissão técnica formada pelos diretores esportivos e o capitão do time que comandavam os treinos e escalavam os jogadores. Fabbi foi contratado exclusivamente para o cargo em 1928 e comandou a equipe por quatro anos consecutivos. O último treinador que permaneceu a frente do comando técnico do Cruzeiro por mais de dois anos foi o ex-zagueiro Adilson.

1) MATTURIO FABBI - 4 anos (janeiro de 1928 a janeiro de 1932)
2) BENGALA - 3 anos e 9 meses (junho de 1939 a março de 1943)
3) AIRTON MOREIRA - 3 anos e 2 meses (agosto de 1964 a outubro de 1967)
4) MATTURIO FABBI - 3 anos (agosto de 1932 a agosto de 1935)
5) ILTON CHAVES - 2 anos e 11 meses (julho de 1972 a junho de 1975)
6) ADILSON - 2 anos e 6 meses (janeiro de 2008 a junho de 2010)
7) NIGINHO - 2 anos (janeiro de 1948 a janeiro de 1950)
8) LEVIR CULPI - 1 ano e 11 meses (janeiro de 1998 a novembro de 1999)
9) NIGINHO - 1 ano e 10 meses (dezembro de 1959 a outubro de 1961)
10) ZEZÉ MOREIRA - 1 ano e 10 meses (agosto de 1975 a junho de 1977)
11) NELLO NICOLAI - 1 anos e 9 meses (agosto de 1935 a maio de 1937)
12) GERSON SANTOS - 1 ano e 8 meses (janeiro de 1969 a setembro de 1970)
13) VANDERLEI LUXEMBURGO - 1 ano e 6 meses (agosto de 2002 a fevereiro de 2004)
14) CHICO TRINDADE - 1 ano e 6 meses (agosto de 1944 a fevereiro de 1946)
15) NIGINHO - 1 ano e 5 meses (novembro de 1953 a maio de 1955)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Protesto de Januário Carneiro provoca o maior atraso de jogo do confronto Cruzeiro e Villa Nova


O comunicador Januário Carneiro, ao centro da foto, de óculos, numa homenagem
ao zagueiro Procópio, no Mineirão, em 1967

Por Henrique Ribeiro

O amistoso entre Cruzeiro e Villa Nova disputado no dia 20 de maio de 1964 teve o início de jogo mais demorado da história do confronto. A partida foi realizada numa quarta-feira e o seu início estava previsto para às 21h, mas somente começou às 22h20, devido aos protestos do radialista Januário Carneiro que, naquele ano, exercia o mandato de presidente do Villa Nova.

O primeiro atraso durou 15 minutos e ocorreu por causa do árbitro Milton França, que não compareceu ao jogo. A solução foi definir o substituto num sorteio entre os auxiliares Rodrigo Hungria e Benedito Deolindo e o primeiro foi contemplado para dirigir o jogo.

Após a equipe do Cruzeiro entrar em campo, surgiu o impasse que provocou outro atraso para o início do jogo. Ao constatar que o time estrelado era formado por uma equipe secundária (reservas), o fundador da Rádio Itatiaia, Januário Carneiro, recusou disputar o amistoso. Além dos reservas, a equipe estrelada ainda contava com o lateral direito Orlando, que sequer tinha registro no clube e havia chegado à poucos dias para testes.

Para Januário Carneiro, o amistoso acertado entre os clubes seria entre as equipes principais e considerou a decisão do treinador cruzeirense Marão, como um desprestígio ao seu clube e ao público que compareceu ao estádio. "Vencer uma equipe secundária do Cruzeiro não significa nada e perder será uma vergonha", justificou o dirigente.

Marão alegou que queria utilizar o amistoso para testar jogadores e que havia dispensado os titulares. O presidente Felício Brandi foi chamado para resolver o impasse e concordou com Januário Carneiro. Mesmo enfrentando a resistência do técnico Marão, que até ameaçou entregar o cargo, Felício convocou os titulares. Apenas os atacantes Tostão e Nerival e os volantes Piazza e Ílton Chaves não foram encontrados para comparecer ao estádio. Já o ponta esquerda Hilton Oliveira era ausência certa, pois estava contundido.

Com uma hora e vinte minutos de atraso o jogo foi iniciado e terminou com a vitória cruzeirense por 1 a 0. O gol foi marcado pelo atacante Gradim, aos 39 minutos, do primeiro tempo. O jogo ainda teve outras paralisações provocadas por desentendimentos entre os jogadores e só terminou à meia noite e quinze.