terça-feira, 7 de março de 2017

Copa do Brasil 1993

O time estrelado posa para a foto antes do jogo decisivo contra o Grêmio, no Mineirão. Em pé: Paulo Roberto, Célio Lúcio, Rogério Lage, Robson, Paulo César e Nonato; agachados: Ademir, Cleison, Edenilson Pateta, Éder e Roberto Gaúcho.

Carlos Henrique

PRIMEIRA FASE
CRUZEIRO 1 x 1 DESPORTIVA (ES)
16/03/1993 (Ter-21h) - Engenheiro Araripe (Cariacica, ES)
Ingressos: 9.633 (Cr$ 514.690.000)
Arbitragem: Cláudio Seixas/BA (Fernando Santana/BA e Armando Menezes/BA)
Gols: Washington (pênalti) 51’; Cleison 68’
Cruzeiro: Paulo César; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho (Arley Alvares) e Nonato; Douglas, Boiadeiro e Luiz Fernando; Nivaldo, Cleison e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Desportiva: Jorcey; Paulo Henrique, Alves, Silvério e Adilson; Morelato, Andrade e Edson Garcia (Marcelo); Alex Santana, Washington e Weller. T: Zuza
CA: Nonato, R. Gaúcho (C); Washington, Morelato, Alves, Alex (D)
CV: L. Fernando (C)

CRUZEIRO 5 x 0 DESPORTIVA (ES)
23/03/1993 (Ter-21h) - Mineirão
Ingressos: 12.220 (Cr$ 576.510.000)
Árbitro: Edmundo Lima/SP
Gols: Cleison 6’; Cleison 30’; Éder 71’; Nivaldo 87’; Nivaldo 90’
Cruzeiro: Paulo César; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato (Arley Álvares); Douglas, Boiadeiro (Rogério Lage) e Éder; Nivaldo, Cleison e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Desportiva: Jorcey, Paulo Henrique (Sérgio), Alves, Silvério e Adilson; Morelato, Andrade e Edson Garcia; Alex Santana (Evair), Washington e Weller. T: Zuza
CA: Boiadeiro, Douglas, P. Roberto (C); Silvério (D)

OITAVAS DE FINAL
CRUZEIRO 0 x 1 NAUTICO
06/04/1993 (Ter-21h) - Aflitos (Recife, PE)
Ingressos: 6.929 (Cr$ 232.550.000)
Arbitragem: Sidrack Marinho/SE (Semião Fagundes/SE e Francisco Santos/SE)
Gol: Paulo Leme 70’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Zelão; Douglas, Boiadeiro e Luiz Fernando; Nivaldo, Cleison (Tôto) e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Náutico: Marco Antônio, Cafezinho, Parreira (Milton Lima), Lúcio Surubim, Baiano, Borçato, Cléber, Paulo Leme, Rinaldo, Jefferson (Washington), Lau. T: Luciano Sabino.
CA: Luizinho, R. Gaúcho, Nivaldo, L. Fernando, Boiadeiro (C)

CRUZEIRO 2 x 0 NAUTICO
13/04/1993 (Ter-21h) - Mineirão
Ingressos: 22.166 (Cr$ 1.060.305.000)
Arbitragem: Paulo C. Gomes/ES (Jorge Correia/ES e Hamilton Nunes/ES)
Gols: Nivaldo 22’; Nonato 26’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Douglas, Boiadeiro e Luís Fernando; Nivaldo (Ramon Menezes), Cleison (Rogério Lage) e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Náutico: Marco Antônio, Cafezinho, Nilton Lima, Parreira, Baiano, Lúcio Surubim, Porsato (Naílson), Cléber, Paulo Leme, Jefferson, Washington (Lau). T: Luciano Sabino
CA: Boiadeiro, R. Gaúcho, Nonato (C); Porsato, Baiano, M. Antônio, Cafezinho (N)
CV: Boiadeiro, R. Gaúcho (C)

QUARTAS DE FINAL
CRUZEIRO 2 x 1 SÃO PAULO
04/05/1993 (Ter-21h30) - Morumbi
Ingressos: 2.435 (Cr$ 121.750.000)
Arbitragem: Ivo Scatola/PR (Julião Antônio/PR e Sérgio Faria/PR)
Gols: Cláudio 19’; Tôto 70’; Boiadeiro 73’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Rogério Lage, Boiadeiro e Ramon Menezes (Arley Álvares); Nivaldo (Tôto), Cleison e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
S. Paulo: Gilberto, Pavão, Murilo, Adilson, Marcos Adriano, Mona, Suélio, Vaguinho, Catê, Cláudio, Elivélton (Jamelli). T: Márcio Araújo
CA: R. Lage, Cleison, P. Roberto (C); Elivelton (S)
*São Paulo disputava três competições simultâneas e escalou uma equipe mista na Copa do Brasil.

CRUZEIRO 2 x 2 SÃO PAULO
11/05/1993 (Ter-21h30) - Mineirão
Ingressos: 36.049 (Cr$ 1.801.025.000)
Arbitragem: Manoel Serapião/BA (Marivaldo B. Santos/BA e Rubem B. Santos/BA)
Gols: Cleison 42’; Elivelton 51’; Cleison 60’; Douglas 63’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Rogério Lage, Boiadeiro e Luiz Fernando; Ramon Menezes (Nivaldo), Cleison e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
S. Paulo: Gilberto, Pavão, Nelson, Lula, Marcos Adriano, Murilo, Mona, Suélio, Hamilton (Douglas), Cláudio, Elivélton (Carlos Alberto). T: Márcio Araújo
CA: L. Fernando, Cleison (C); Nelson, Cláudio, Gilberto (S)
*São Paulo atuou com uma equipe mista.

SEMIFINAL
CRUZEIRO 3 x 1 VASCO
20/05/1993 (Qui-21h40) - Mineirão
Ingressos: 49.803 (Cr$ 3.570.350.000)
Arbitragem: José C. França/PB (Genival B. Lima/PA e José J. Lins/PE)
Gols: Luiz Fernando 22’; França 28’; Edenilson Pateta 45’; Edenilson Pateta 80’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando (Rogério Lage); Roberto Gaúcho, Tôto e Edenilson Pateta. T: Pinheiro
Vasco: Carlos Germano, França, Alê, Torres e Cássio; Luizinho, Leandro, Geovani (Gian) e Carlos Alberto Dias (Hernandez); Valdir, Bismarck. T: Joel Santana
CA: Boiadeiro, Nonato, R. Lage, Ademir (C); Bismarck (V)
CV: França, Joel Santana, Eurico Miranda (V)

CRUZEIRO 1 x 1 VASCO
27/05/1993 (Qui-21h45) - Maracanã
Ingressos: 22.135 (Cr$ 1.126.000.000)
Arbitragem: Renato Marsiglia/RS (Ivan Carlos Godoy/RS e Adão Alípio/RS)
Gols: Valdir 8’; Paulo Roberto (falta) 67’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Zelão; Ademir, Ramon Menezes e Edenilson Pateta (Nivaldo); Cleison, Tôto (Éder) e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Vasco: Carlos Germano, Pimentel, Jorge Luiz, Torres, Cássio, Luizinho, Leandro (Jardel), Geovani, Carlos Alberto Dias (Hernandez), Valdir, Bismarck. T: Joel Santana
CA: P. Roberto, R. Menezes, Ademir, Éder, Cleison, Luizinho (C); Leandro, Hernandez (V)
*Paulo Roberto perdeu pênalti aos 86’. Início do jogo sofreu atraso de 30 minutos.

FINAL
CRUZEIRO 0 x 0 GRÊMIO
30/05/1993 (Dom-18h) - Olímpico (Porto Alegre, RS)
Ingressos: 36.342 (Cr$ 4.792.750.000)
Arbitragem: Márcio Rezende Freitas/MG (Teodoro Castro Lino/RJ e Paulo Jorge Alves/RJ)
Cruzeiro: Paulo César; Zelão, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Ademir, Rogério Lage, Boiadeiro e Edenilson Pateta; Roberto Gaúcho e Cleison. T: Pinheiro
Grêmio: Eduardo Heuser; Luiz Carlos Winck, Paulão, Luciano e Dida; Jamir, Pingo, Juninho e Dêner; Gilson (Charles) e Carlos Miguel (Mabília). T: Sérgio Cosme
CA: Nonato, Luizinho, Cleison (C); Juninho, Luiz C. Winck (G)

CRUZEIRO 2 x 1 GRÊMIO
03/06/1993 (Qui-21h45) - Mineirão
Ingressos: 70.723 (Cr$ 11.023.125.000)
Arbitragem: Renato Marsiglia/RS (Daniel Fernandes/SP e Edie M. Detofoli/SP)
Gols: Roberto Gaúcho 11’, Pingo 25’; Cleison 46’
Cruzeiro: 1-Paulo César; ©2-Paulo Roberto, 3-Robson, 4-Célio Lúcio e 6-Nonato; 5-Ademir, 8-Rogério Lage, 10-Éder e 7-Edenilson Pateta; 9-Cleison e 11-Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Grêmio: 1-Eduardo Heuser; 2-Jackson, 3-Paulão, 4-Luciano e +6-Dida (15-Charles/14’); ©5-Pingo, 8-Jamir (16-Fabinho/70’), 10-Juninho e 7-Dêner; 9-Gilson e 11-Carlos Miguel. T: Sérgio Cosme
CA: Cleison/22’, Ademir/63’, R, Gaúcho/79’ (C); Dener/30’, Jamir/40’, Charles/45’, Fabinho, Jackson/81’ (G)

Classificação Final: 1o Cruzeiro (Campeão)*; 2o Grêmio; Eliminados na semi: 3o Vasco; 4o Flamengo; Eliminados nas quartas: 5o Palmeiras; 6o Londrina-PR; 7o Ceará; 8o São Paulo; Eliminados nas oitavas: 9o Náutico; 10o Vitória; 11o Internacional; 12o Remo; 13o Sport; 14o Rio Branco-AC; 15o Paysandu; 16o União Bandeirante-PR; Eliminados na 1a fase: 17o Auto Esporte-PB; 18o Sergipe; 19o Brusque-SC; 20o Sul América-AM; 21o América-RN; 22o Sorriso-MT; 23o Desportiva-ES; 24o Goiatuba-GO; 25o América-MG; 26o Operário-MS e Sampaio Correia-MA; 28o 4 de Julho-PI; 29o Taguatinga-DF; 30o CRB; 31o Trem-AP; 32o Ji Paraná-RO
*classificado para a Taça Libertadores de 1994
Artilheiro máximo: Gilson (Grêmio) com 8 gols

Critérios de participação:
Participaram 22 campeões estaduais de 1992, 8 vice-campeões estaduais de 1992, além de um indicado pela Federação do Ceará.

Sistema de disputa:
Dividida em 5 fases. Os 32 clubes foram distribuídos em 16 chaves com duas equipes cada. Em cada fase, as equipes se enfrentavam em dois jogos dentro de suas respectivas chaves, sendo cada um em seus respectivos mandos de campo. Avançava para a próxima fase a equipe que somasse o maior número de pontos.
Critérios de desempate pela ordem: maior saldo de gols; maior número de gols marcados no mando de campo do adversário; decisão por tiros livres na marca do pênalti.
Após a primeira fase, o mandante do segundo jogo seria o campeão estadual. Caso duas equipes fossem campeãs estaduais, seria o mandante o que tivesse o maior número de pontos e de gols marcados.

Datas das semifinais e Finais remanejadas
A pedidos do Vasco e do Flamengo, que eram semifinalistas, o segundo jogo das semifinais foi transferido de 25 para 27 de maio. Isto porque os cariocas fariam o clássico, pela Taça Rio, no dia 23. Assim, os jogos das finais, que estavam marcados para os dias 28 e 30 de maio foram remanejados para 30 de maio de 3 de junho.
Perseguido pela arbitragem
Os problemas com a arbitragem acompanharam o Cruzeiro em toda a campanha. Contra o Náutico, o gol de empate marcado pelo atacante Nivaldo, aos 68 minutos, foi anulado, de forma equivocada, pelo árbitro Sidrack Marinho, que alegou que a bola havia saído antes do cruzamento de Boiadeiro. O Cruzeiro precisou reverter a desvantagem, no Mineirão, mas voltou a ser prejudicado pelos erros de arbitragem. Boiadeiro e Roberto Gaúcho foram injustamente punidos com o cartão vermelho pelo árbitro Paulo César Gomes. Mesmo com 9 jogadores em campo, o time estrelado reverteu a vantagem do Náutico e conquistou a classificação de forma dramática. Contra o Vasco, pelo primeiro jogo da semifinal, no Mineirão, foi a vez do árbitro José Clisaldo França anular um gol legítimo de Roberto Gaúcho, num chute de longa distância, que seria o quarto do Cruzeiro. Contra o Grêmio, no Mineirão, o árbitro Renato Marsiglia deixou de marcar um pênalti cometido por Jackson em Cleison, aos 23 minutos; e também não considerou a marcação de um tiro de meta do seu auxiliar, aos 25 minutos. No escanteio inventado por Marsiglia, saiu o gol de empate do Grêmio.

As trapalhadas de Márcio Rezende de Freitas
Por sugestão do presidente do Cruzeiro, César Masci, ao presidente do Grêmio, Fabio Koff, e ao presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol-Conaf, Ivens Mendes, o mineiro Márcio Resende de Freitas e o gaúcho Renato Marsiglia foram indicados para dirigir as finais. Eram considerados os melhores árbitros do país. Foi a primeira decisão do árbitro Márcio Rezende e também o início de uma série de arbitragens desastrosas que marcariam a sua trajetória em jogos decisivos. O jogo entre Grêmio e Cruzeiro, no Olímpico, foi precedido de uma forte chuva que deixou o gramado impraticável. Ainda assim, Márcio Rezende se recusou a adiar o jogo. No entanto, seu maior erro foi dar cartão amarelo, de forma equivocada, ao zagueiro Luizinho, numa falta cometida pelo volante Rogério Lage. O equívoco custou a suspensão automática do zagueiro para a partida de volta, no Mineirão, pois foi o terceiro dele na competição. Também deixou de assinalar dois pênaltis, sendo um para cada equipe: o primeiro sobre o lateral Luís Carlos Winck, aos 30 minutos, e o outro sofrido pelo atacante Cleison, aos 53 minutos.

Quatro anos depois, um esquema de manipulação de resultados chefiado pelo presidente da Conaf, Ivens Mendes, foi descoberto. Ele foi flagrado em conversas telefônicas pedindo ajuda financeira para a sua campanha a deputado federal aos presidentes do Corinthians e do Atlético-PR. Em troca prometia manipular os resultados destas equipes na Copa do Brasil de 1997. O dirigente foi afastado do futebol pelo STJD e a Conaf foi extinta pela CBF. O árbitro Márcio Rezende de Freitas (que seria escolhido por Ivens Mendes para apitar todas as finais de Campeonato Brasileiro entre 1993 e 1996) participou do jantar de lançamento da campanha do dirigente a deputado federal, em Belo Horizonte, e foi visto publicamente usando a camiseta de campanha pedindo votos ao dirigente corrupto.
Eu falo; ninguém me escuta; na CBF só tem filho da puta!
O Cruzeiro já havia perdido o zagueiro Luizinho, suspenso por causa do equívoco do árbitro Márcio Rezende, no primeiro jogo, no Olímpico, e acabou enfrentando o Grêmio, no segundo jogo decisivo, sem o seu meio de campo titular. Contundidos, Douglas estava fora da equipe, desde as quartas de final, e Luiz Fernando, desde a semifinal; já o meio-campista Boiadeiro foi impedido pela CBF de atuar contra o Grêmio, no Mineirão, por causa de sua convocação para a Seleção Brasileira, que disputaria a Copa Ouro. A decisão revoltou dirigentes e jogadores. Os torcedores cruzeirenses indignados com as arbitragens e com o desfalque de Boiadeiro protestaram, durante todo o jogo, no Mineirão, com o seguinte coro: _eu falo; ninguém me escuta; na CBF só tem filho da puta!

Time copeiro
O Cruzeiro chegou a uma decisão nacional após 18 anos. A última havia sido a final do Campeonato Brasileiro contra o Inter em 1975. O título da Copa do Brasil foi o terceiro (Supercopa 1991 e 1992 e Copa do Brasil 1993) em competições que prevaleciam o sistema mata-mata, que levou o time a ser chamado de “copeiro”. Com a conquista o Cruzeiro retornou a Libertadores após 17 anos.

Ousadia e título
Em apenas seis meses o Cruzeiro conquistou três títulos importantes: Supercopa dos Campeões da América, o Campeonato Mineiro (de 1992) e agora a Copa do Brasil. A receita do Cruzeiro para o sucesso é simples. Os títulos são consequência de contratações audaciosas. O Cruzeiro respeita a sua torcida. Ela existe não para sofrer, mas para ter alegrias. Uma atrás da outra!” (jornalista Fernando Sasso, 04/06/1993)

Camisa azul
Não é verdade o que dizem que o Cruzeiro atuou em todos os jogos com o uniforme branco. Foi utilizado em apenas quatro jogos da campanha, que foram os três primeiros e o último, na final contra o Grêmio, no Mineirão. Nos demais jogos, o time entrou em campo com a sua tradicional camisa azul.
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