domingo, 12 de março de 2017

Treinador do América pediu pra sair, após derrota para os reservas do Cruzeiro em 1975

Com a categoria do atacante Roberto César, os reservas do Cruzeiro derrotaram os titulares do América no Campeonato Mineiro de 1975

Carlos Henrique

"Vencer os reservas do time adversário é obrigação; perder é humilhação.” Esta era a máxima de dirigentes e treinadores de futebol nos anos 1960 e 70. E foi com essa justificativa que o treinador do América, Cento e Nove, deixou o cargo, após a derrota por 2 a 0 para o time reserva do Cruzeiro, no clássico de 14 de junho de 1975, pelo Campeonato Mineiro. Os titulares do Cruzeiro estavam a serviço da Seleção Brasileira que se preparava para a disputa da Copa América. O time canarinho foi representado pela Seleção Mineira na disputa. Devido a convocação, o Cruzeiro, que já estava classificado para o quadrangular do Estadual, disputou todos os sete jogos da segunda fase com a sua equipe reserva.

Em junho de 1975, o Cruzeiro havia acabado de ser eliminado da Taça Libertadores, porém, dias antes, havia conquistado o título da primeira fase do Campeonato Mineiro na decisão contra o Esab, de Contagem. Logo após, a Confederação Brasileira do Desporto-CBD determinou à Federação Mineira que organizasse uma seleção para representar o Brasil na disputa da Copa América. O período de preparação coincidiu com as datas da segunda fase do estadual, que apontaria os quatro finalistas do Campeonato Mineiro. O Cruzeiro já estava garantido no quadrangular pela conquista da primeira fase. Assim todos os titulares estrelados foram convocados, incluindo o treinador Ílton Chaves. Foram relacionados: Raul, Hélio, Nelinho, Darci, Morais, Vanderlei, Piazza, Zé Carlos, Eduardo, Dirceu Lopes, Roberto Batata, Palhinha e Joãozinho. Devido a isso, o time estrelado disputou toda a segunda fase do Campeonato Mineiro com uma equipe mesclada de reservas e juniores.

A segunda fase do Estadual também contou com as presenças de América, Caldense, Esab, Tijucana, Uberaba e Villa Nova, além do Atlético que também disputou a fase com uma equipe reserva, pois assim como o Cruzeiro teve todos os titulares convocados.

O clássico entre Cruzeiro e América foi marcado para a terceira rodada. O Cruzeiro tinha três pontos (dois da vitória sobre a Tijucana mais o ponto-extra pela conquista da primeira fase) e o América dois (pela vitória sobre a Tijucana). Ambos haviam sido derrotados pela Caldense. O América contava em seu plantel com os experientes Buglê, autor do primeiro gol do Mineirão, e o meia Afonsinho, além da revelação do Campeonato: o ponta esquerda Éder. A ausência do time titular estrelado provocou o desinteresse do público: apenas 1.700 torcedores pagaram ingressos. Apesar do favoritismo, o time americano não suportou os reservas cruzeirenses e foi derrotado por 2 a 0 com os gols anotados pela jovem revelação cruzeirense, o atacante Roberto César. No dia seguinte, Vicente Lage abandonaria o cargo, envergonhado. Não suportou “a humilhação do seu time ter sido derrotado pelos reservas do adversário”.

CRUZEIRO 2 x 0 AMÉRICA
14/06/1975 - Campeonato Mineiro - Mineirão
Ingressos: 1.700 (Cr$ 11.634,)
Arbitragem: Maurílio José Santiago (Wilson Gomes Viveiros e Augusto Vieira Borges)
Gols: Roberto César 51’; Roberto César 60’
Cruzeiro: Vítor, Ângelo, Normandes, Souza e Paulo Roberto; Toninho, Waender e Jesum (Hely Mendes); Cândido, Roberto César (Silva) e Moacir. T: Moacir Rodrigues
América: Wagner, Mário, Vander, César e Galvão; Maurício, Buglê (Iaúca) e Afonsinho; Diguito (Aguilar), Dirceu e Éder. T: Cento e Nove
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