terça-feira, 11 de abril de 2017

Copa do Brasil 1996

O time cruzeirense posa para foto antes da vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras na decisão da Copa do Brasil, no Palestra Itália. Em pé: Dida, Vítor, Gelson, Célio Lúcio, Fabinho e Nonato; Agachados: Teotônio (massagista), Marcelo, Palhinha, Cleison, Ricardinho e Roberto Gaúcho.

Carlos Henrique

PRIMEIRA FASE

CRUZEIRO 1 x 1 JUVENTUS (AC)
13/03/1996 (Qua-20h45) – Rio Branco FC (Rio Branco, AC)
Ingressos: 4.372 (R$ 43.720,)
Arbitragem: José R. Araújo/PA (Carlos A. Nunes/PA e Jefferson Holanda/AC)
Gols: Ueslei 9’; Sairo 30’
Cruzeiro: Dida, Nonato, Gelson, Célio Lúcio e Serginho; Fabinho, Belletti (Roberto Gaúcho), Ricardinho e Uéslei; Marcelo Ramos e Palhinha. T: Levir Culpi
Juventus: Alex, Nei, Josman, Carlos e China (Nêgo); Hélio, Ico, Tinda (Adriano) e Artemar (Ulisses); Sairo e Pitiu. T: Gualberto Cravero.
CA: Nonato, R. Gaúcho (C); Sairo, Josman (J)

CRUZEIRO 4 x 0 JUVENTUS (AC)
20/03/1996 (Qua-20h45) - Horto
Ingressos: 3.289 (R$ 31.142,)
Arbitragem: Carlos Magno/PR (Roberto Braatz/PR e Marco A. Gomes/MG)
Gols: Ueslei 2’, Marcelo Ramos 35’, Edmundo 43’, Marcelo Ramos (pênalti) 90’
Cruzeiro: Dida, Marcos Teixeira, Gelson, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Uéslei e Palhinha; Marcelo Ramos e Roberto Gaúcho (Edmundo). T: Levir Culpi
Juventus: Alex, Nei, Josman, Carlos e Luís Carlos; Hélio, Jorge Cubu (Nego), Artemar (Adriano) e Ico; Pitiu (Tinda) e Sairo. T: Gualberto Cravero
CA: Fabinho, Uéslei (C); Tinda, Carlos (J)
CV: Luís Carlos, Nego (J)

OITAVAS DE FINAL

CRUZEIRO 6 x 2 VASCO
28/03/1996 (Qui-20h45) – S. Januário (Rio de Januário, RJ)
Ingressos: 760 (R$ 10.496,)
Arbitragem: Antônio P. Silva/GO (Filomeno Dourado/GO e Ramon Rodrigues/GO)
Gols: Ueslei 3’, Gelson 11’, Nilson 29’, Roberto Gaúcho 52’, Marcelo Ramos 55’, Palhinha 60’, Zinho 73’, Edmundo 83’
Cruzeiro: Dida, Vitor (Marcos Teixeira), Gelson, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Uéslei e Palhinha (Cleison); Marcelo Ramos (Edmundo) e Roberto Gaúcho. T: Levir Culpi
Vasco: Carlos Germano, Bruno Carvalho, Zé Carlos (Sidnei), Rogério e Zinho; Luisinho, Leandro, Assis (Bill) e Juninho (Brener/40’); Valber e Nilson. T: Carlos Alberto Silva
CA: Fabinho, Ueslei (C); Sidnei, Zinho (V)
CV: Válber (V)

CRUZEIRO 1 x 1 VASCO
17/04/1996 (Qua-20h45) - Horto
Ingressos: 3.619 (R$ 52.175,)
Arbitragem: João P. Araújo/SP (Wagner Selami/SP e Ednílson Corona/SP)
Gols: Marcelo Ramos (pênalti) 42’; Zinho 49’
Cruzeiro: Dida, Marcos Teixeira, Jean, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Uéslei (Luiz Fernando) e Palhinha (Cleison); Marcelo Ramos (Edmundo) e Roberto Gaúcho. T: Levir Culpi
Vasco: Carlos Germano, Pimentel, Sidnei, Alex e Bill (Bruno Carvalho); Leandro, Luisinho, Nelson e Assis (Zé Carlos); Zinho e Nilson (Brener/46’). T: Carlos Alberto Silva
CA: Jean, L. Fernando (C); Pimentel, B. Carvalho, Leandro (V)
CV: Sidnei (V)

QUARTAS DE FINAL

CRUZEIRO 4 x 0 CORINTHIANS
24/04/1996 (Qua-20h45) - Horto
Ingressos: 13.698 (R$ 132.327,)
Arbitragem: Dacildo Mourão/CE (César Sarmento/CE e Antônio Brito/CE)
Gols: Nonato 62’, Célio Lúcio 72’, Cleison 88’, Palhinha 90’
Cruzeiro: Willian Andem, Vitor (Marcos Teixeira), Jean, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Uéslei e Palhinha; Marcelo Ramos (Cleison) e Roberto Gaúcho (Luís Fernando). T: Levir Culpi
Corinthians: Mauricio, Carlos Roberto (Marquinhos), André Santos, Henrique e Silvinho; Bernardo, Marcelinho Paulista, Souza e Marcelinho Carioca (Tupãzinho); Edmundo e Leonardo (Julio César). T: Eduardo Amorim
CA: Jean, Nonato, Fabinho, Uéslei, R. Gaúcho (Cru); Henrique, Bernardo, A. Santos (Cor)
CV: M. Paulista, Bernardo (Cor); Ueslei (Cru)

CRUZEIRO 2 x 3 CORINTHIANS
10/05/1996 (Sex-20h30) – Pacaembu (S. Paulo)
Ingressos: 6.986 (R$ 66.910,)
Arbitragem: José C. Marcondes/PR (Antônio Salazar/PR e Roberto Braatz/PR)
Gols: Souza 38’; Marcelo Ramos 43’; Roberto Gaúcho 48’; Marcelinho Carioca (pênalti) 58’; Edmundo 73’
Cruzeiro: Dida, Vitor, Gelson, Célio Lúcio, Marcos Teixeira, Reginaldo, Léo, Cleison, Palhinha (Edmundo), Marcelo Ramos, Roberto Gaúcho (Luís Fernando). T: Levir Culpi
Corinthians: Ronaldo, Luciano, Alexandre Lopes, Cris, Silvinho (Robson), Julio César, André Santos (Marquinhos) (João Paulo), Tupãzinho, Souza, Marcelinho Carioca, Edmundo. T: Eduardo Amorim
CA: R. Gaúcho, Dida, Cleison, M. Teixeira, Léo (Cru); Luciano, A. Lopes, Ronaldo, Edmundo, Cris (Cor)
CV: Robson, M. Carioca (Cor); Vitor (Cru)
*Dida defendeu pênalti cobrado por Marcelinho Carioca aos 71’

SEMIFINAL

CRUZEIRO 1 x 1 FLAMENGO
28/05/1996 (Ter-21h35) – Maracanã (Rio de Janeiro)
Ingressos: 33.090 (R$ 373.600,)
Arbitragem: Antônio P. Silva/GO (Filomeno Dourado/GO e José Guedes/AL)
Gols: Sávio 44’; Cleison 54’
Cruzeiro: Dida, Marcos Teixeira, Gelson, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho (Léo), Ricardinho, Ueslei (Edmundo) e Palhinha (Luís Fernando); Marcelo Ramos e Cleison. T: Levir Culpi
Flamengo: Roger, Zé Maria, Jorge Luís, Ronaldão e Gilberto; Márcio Costa, Valber (Iranildo), Nélio e Marques; Romário, Sávio. T: Joel Santana
CA: Zé Maria, Ronaldão, Roger, J. Luís (F); Gelson, C. Lúcio (C)

CRUZEIRO 0 x 0 FLAMENGO
05/06/1996 (Qua-21h40) - Mineirão
Ingressos: 84.414 (R$ 729.207,50)
Arbitragem: Sidrack Marinho/SE (José C. Silva/RS e Válter Reis/SP)
Cruzeiro: Dida, Vitor, Gelson (Marcos Teixeira), Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Ueslei e Palhinha; Marcelo Ramos (Edmundo) e Cleison (Roberto Gaúcho). T: Levir Culpi
Flamengo: Roger, Zé Maria, Jorge Luís, Ronaldão e Gilberto; Márcio Costa, Mancuso, Nélio e Marques; Romário (Amoroso/26’) e Sávio (Iranildo/73’). T: Joel Santana
CA: Gelson, Palhinha (C); Ronaldão, J. Luis, Zé Maria (F)
CV: Mancuso (F)

FINAL

CRUZEIRO 1 x 1 PALMEIRAS
14/06/1996 (Sex-21h45) - Mineirão
Ingressos: 68.763 (R$ 966.415,)
Arbitragem: Antônio P. Silva/GO (Jorge Paulo/DF e Arnaldo Pinto/BA)
Gols: Cláudio (falta) 12’, Marcelo Ramos 61’
Cruzeiro: Dida, Vitor, Jean, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Ueslei (Roberto Gaúcho) e Palhinha; Marcelo Ramos e Cleison (Luís Fernando). T: Levir Culpi
Palmeiras: Veloso, Gustavo, Cláudio, Cléber e Júnior; Galeano, Amaral, Marquinhos e Elivélton (Reinaldo) (Júnior II); Rivaldo e Luizão. T: Vanderlei Luxemburgo
CA: Ricardinho, Vítor (C); Rivaldo, Júnior, Gustavo, Cléber (P)
CV: Galeano (P)

CRUZEIRO 2 x 1 PALMEIRAS
19/06/1996 (Qua-21h40) – Palestra Itália (São Paulo, SP)
Ingressos: 29.636 (R$ 481.260,)
Arbitragem: Sidrack Marinho/SE (Teodoro Vieira/RJ e Milton Otaviano/RN)
Gols: Luizão 5’; Roberto Gaúcho 25’; Marcelo Ramos 81’
Cruzeiro: Dida, Vitor, Célio Lúcio, Gelson e *Nonato; Fabinho, Ricardinho, Cleison e Palhinha (Edmundo/67’); Marcelo Ramos e Roberto Gaúcho. T: Levir Culpi
Palmeiras: Veloso, *Cafu, Sandro, Cléber, e Júnior; Cláudio (Reinaldo/46’), Amaral, Marquinhos (Cris/85’), Djalminha e Rivaldo; Luizão. T: Vanderlei Luxemburgo
CA: Cleison/1’, Fabinho/59’, Edmundo/72’ (C); Júnior/11’, Cláudio/28’, Sandro/37’, Luizão/82’ (P)

Classificação Final:
1o Cruzeiro (Campeão)*; 2o Palmeiras; 3o Grêmio; 4o Flamengo; 5o Corinthians; 6o Criciúma; 7o Internacional; 8o Paraná; 9o Atlético-PR; 10o Fluminense; 11o Remo; 12o Atlético-MG; 13o Botafogo; 14o Coritiba; 15o Vasco; 16o S. Paulo; 17o Goiás; 18o Santa Cruz; 19o Bahia; 20o Vitória; 21o Juventus-AC; 22o América-MG; 23o Cori-Sabbá-PI; 24o Vila Nova; 25o Operário-MS e Santos; 27o Linhares-ES; 28o Operário-MT e Santa Cruz-PB; 30o CRB; 31o ABC; 32o Sergipe; 33o Araguaína-TO; 34o Cristal-AP; 35o Maranhão; 36o Ji-Paraná-RO; 37o Gama-DF; 38o Ferroviário-CE; 39o Nacional-AM e Roraima-RR
*classificado para a Taça Libertadores 1997

Critérios de Participação
Participaram 24 campeões estaduais de 1995, mais 6 vice-campeões (Amapá, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo), mais o campeão da Copa Tocantins e um indicado do Mato Grosso do Sul. A CBF criou mais 8 vagas pelo critério de melhores médias de renda do Campeonato Brasileiro de 1995 (Cruzeiro, Botafogo, Santos, São Paulo, Vasco, Bahia, Atlético-PR e Goiás).

Sistema de disputa
Dividida em seis fases. Na fase preliminar 16 equipes foram distribuídas em 8 chaves com duas cada, que se enfrentaram em turno e returno. Os vencedores dos confrontos desta fase se juntaram aos 24 clubes que ficaram de bye na primeira fase. A primeira fase foi disputada por 32 clubes e a partir dela, os classificados dos confrontos em chaves de duas equipes avançavam para as fases seguintes até se reduzirem a dois finalistas.

Na fase preliminar e na primeira fase a equipe que sofresse uma derrota, no primeiro jogo, em seu mando de campo, por saldo de dois gols seria, automaticamente, eliminada sem a necessidade do segundo jogo.

Os critérios de desempate pela ordem foram: número de pontos; maior saldo de gols; maior saldo de gols no mando de campo do adversário; disputa de tiros livres na marca penal.

Classificado pela torcida
O Cruzeiro classificou-se em terceiro lugar no Campeonato Mineiro de 1995 e, por isso, não conseguiu as duas vagas para a Copa do Brasil de 1996. No entanto, a partir daquela edição, a CBF decidiu ampliar o número de participantes de 32 para 40. Para as oito novas vagas criadas foram indicados os 8 clubes de melhor média de rendas no Campeonato Brasileiro de 1995. Por ter tido a quarta melhor média, o Cruzeiro foi um dos classificados ao lado de Botafogo, Santos, São Paulo, Vasco, Bahia, Atlético (PR) e Goiás.

Donizete, Gilmar e Ailton
Os titulares Gilmar (zagueiro), Donizete (volante) e Aílton (atacante) já haviam disputado jogos pela Copa do Brasil, pelo São Paulo, e por isso não puderam atuar pelo Cruzeiro.

Polêmica dada, polêmica cumprida!
Uma foto com os jogadores do Cruzeiro, Cleison, Roberto Gaúcho, Ueslei e Marcelo Ramos, jantando um porco assado em um restaurante da cidade foi estampada na primeira página de um dos jornais de maior circulação de Minas no dia da decisão.
A intenção da “Galo Press”, inconformada com a humilhante goleada de mão cheia sofrida pelo seu time para o Palmeiras, na semifinal, era motivar os paulistas contra o Cruzeiro. A crônica esportiva mineira estava em ponto de bala para disparar os mesmos comentários parciais (e nada originais) em caso de derrota do Cruzeiro: “arrogância”, “prepotência”, “cantaram a vitória antes da hora”.
No entanto, o Cruzeiro não tremeu para o Palmeiras, como fez o Galo, e conquistou o título na casa do adversário. Curiosamente, dois personagens da foto – Marcelo e Roberto Gaúcho – marcaram os gols da decisão. Restou aos jornais substituir os textos já preparados para hostilizar o clube estrelado e sua torcida por mensagens de torcedores atleticanos reconhecendo o título do Cruzeiro e parabenizando os torcedores cruzeirenses pela conquista.

Em mata-matas não há favoritos
As competições que adotam fórmulas de disputa eliminatórias são caracterizadas pelas incertezas. O que vale são os jogos do momento e não a campanha que ficou pra trás. No entanto, a crônica esportiva brasileira ainda não havia aprendido a lição com a derrota da Seleção Brasileira para a Itália no Mundial de 1982 na Espanha. Na decisão da Copa do Brasil, não levaram em consideração o equilíbrio no primeiro jogo da decisão, no Mineirão, e apostaram numa goleada do Palmeiras, no Palestra Itália, no segundo jogo. Basearam-se no elenco de estrelas contratados pela multinacional Parmalat e na campanha do ataque palmeirense que tinha média de quatro gols por jogo para justificarem a previsão.
O Palmeiras só teve fôlego nos primeiros minutos de cada etapa. No primeiro tempo fez o gol, mas no segundo tempo esbarrou nas defesas do goleirão Dida. A maior parte do tempo regulamentar foi controlada pelo Cruzeiro, que com eficiência marcou os gols, e levou o caneco.

As mesmas matérias de sempre!
A babaquice do jornalismo esportivo chegou ao extremo de consultarem uma picareta – a vidente Mãe Diná – para aquelas mesmas matérias que fazem todos os anos, a cada decisão, desde os anos 1950, que nunca muda e que só jornalista gosta! A picareta esparramou um baralho de pôquer numa mesa e bostejou: _Palmeiras vai ser campeão! E a emissora de TV ainda pagou caro pra isso! O editor de esportes deveria ter sido demitido depois dessa.

Mixaria de premiação
A CBF, que já era acusada por denúncias de corrupção, pagou apenas R$ 200 mil de prêmio ao time campeão. Para se ter uma ideia da sovinagem da CBF, a diretoria do Palmeiras havia oferecido R$ 15 mil para cada jogador como prêmio pela conquista.

Seleção Olímpica
Cinco jogadores que participaram da decisão estavam convocados pelo treinador Zagallo para a Seleção Brasileira, que disputaria os jogos olímpicos em Atlanta (EUA): o cruzeirense Dida e os palmeirenses Rivaldo, Amaral, Luizão e Flávio Conceição.

Título no Horto e na Pampulha
Devido a troca do gramado do Mineirão, no início do ano, o Cruzeiro mandou os jogos nas primeiras fases contra o Juventus-AC, Vasco e Corinthians no campo do Sete, no Horto. Apenas a semifinal e a final foram disputadas no Gigante da Pampulha.

Porque somos carnívoros
O investidor do Palmeiras, a multinacional de laticínios italiana Parmalat, exibia o slogan “porque somos mamíferos” em suas propagandas. O presidente do Cruzeiro, José de Oliveira Costa, publicou anúncios do seu frigorífico nos jornais parabenizando o Cruzeiro pela conquista usando um trocadilho com o slogan da parmalat: “porque somos carnívoros”.
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