terça-feira, 4 de abril de 2017

PAULO CÉZAR CARPEGIANI

Carlos Henrique

Paulo Cézar Carpegiani (Erexim, RS, 07/02/1949). Foi anunciado como o novo treinador do Cruzeiro, em 15 de junho de 2001. Veio substituir Luiz Felipe Scolari convocado para a Seleção Brasileira. Carpegiani assinou contrato até dezembro. O treinador havia dirigido a Seleção do Paraguai em sua melhor campanha no Mundial, disputado na França, quando chegou as oitavas de final em 1998. No entanto, ao retornar ao Brasil, teve passagens rápidas pelo Atlético-PR e Flamengo. Não durou três meses em cada clube. E no Cruzeiro não foi diferente.

A primeira medida tomada por Carpegiani foi pedir que a diretoria suspendesse, temporariamente, as negociações com atletas. E foi este o primeiro ponto da falta de sintonia entre o treinador e o presidente Zezé Perrella. O dirigente tinha pretensões pessoais. Queria lançar sua candidatura ao senado em 2002 e, com o dinheiro do investidor estadunidense, o fundo de pensões HMTF, ousou em formar um time de estrelas para ganhar as três competições do semestre: Copa dos Campeões, Copa Mercosul e Campeonato Brasileiro.

Com apenas uma semana para trabalhar, o treinador fez a estreia na vitória por 1 a 0 sobre o São Raimundo, pela Copa dos Campeões, em João Pessoa. A dificuldade pra vencer o time amazonense fez o treinador decidir em abandonar o sistema 3-5-2 que pretendia implantar com zagueiros rápidos, meio-campistas exercendo a função de alas e um líbero e retornar ao esquema 4-4-2: “_A Copa dos Campeões é uma competição de tiro curto e não podemos ficar inventando muito. Temos que jogar o trivial”.

Durante a disputa teve que administrar os anúncios de contratações de estrelas feitas pelo presidente Zezé Perrella à imprensa, como os meio-campistas Alex, Marcelinho Carioca, Rincón e Souza; os atacantes Edmundo, Viola, Reinaldo e Fernando Baiano; o zagueiro Fábio Luciano e o goleiro Rogério Ceni, com as expectativas e a indefinição que elas geravam quanto ao futuro dos jogadores do plantel - alguns deles oferecidos em trocas. A instabilidade gerou insatisfações no grupo e atos de indisciplina. O resultado foi a eliminação da Copa dos Campeões na semifinal para o Flamengo.

Devido as pretensões políticas de Zezé Perrella, muitos jogadores pretendidos se recusaram a jogar no Cruzeiro. Apenas Rincón, Edmundo e Alex acertaram contrato. Com vários jogadores de saída e outros convocados para a Seleção, como os zagueiros Cris e Luisão e o meio-campista Alex, além do lateral Sorín, constantemente, convocado para a Seleção da Argentina, Carpegiani não conseguiu encontrar a formação competitiva tão desejada.

A derrota por 2 a 1 para o Atlético-PR, no Horto, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro foi o último jogo de Carpegiani no comando do clube. Na segunda-feira, o treinador deu entrevista explicando a sua saída e negou rumores de que os jogadores boicotaram seu trabalho para demonstrar insatisfação com o salário que Rincón e Edmundo ganham, que seria bem maior do que o dos demais jogadores. O técnico deixou claro que a demissão foi consensual e explicou: "_Quem vai morrer não precisa ficar doente".

Os números do treinador Carpegiani no Cruzeiro:
Competição
Jogos
Vit
Emp
Der
Colocação
Copa dos Campeões
4
2
1
1
3o
Copa Mercosul
2
0
1
1
12o
Campeonato Brasileiro
2
0
0
2
21o
Amistoso
3
1
2
0
-
Total
11
3
4
4
-

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