segunda-feira, 10 de abril de 2017

PINHEIRO

Carlos Henrique

João Carlos Batista Pinheiro (Campos, RJ, 13/01/1932; +Rio de Janeiro, RJ, 31/08/2011). Pinheiro foi anunciado como o novo treinador do Cruzeiro em 15 de janeiro de 1993. O treinador, de 61 anos, assinou contrato de seis meses, para dirigir a equipe estrelada nas disputas da Copa do Brasil e do Campeonato Mineiro. O técnico havia dirigido o América na campanha do vice-campeonato mineiro de 1992, quando perdeu o título na decisão contra o próprio Cruzeiro.

Estreou em 31 de janeiro de 1993, contra o Vasco, no Mineirão. O amistoso terminou empatado em 1 a 1. Pinheiro armou um sistema que se dividida em dois momentos. Com a posse de bola, o time seria defensivo e iria impôr uma forte marcação; quando estivesse com a bola, partiria para o ataque em velocidade e a base de toques rápidos. Na Copa do Brasil, adotou uma forma mais cautelosa nos jogos fora de casa, pois considerava os empates no campo adversário como bons resultados, pois traria mais tranquilidade para a equipe conquistar a classificação no Mineirão.

O estilo de Pinheiro não agradou alguns setores do clube, principalmente, pelas dificuldades que a equipe encontrou contra a Desportiva e o Náutico, nos jogos fora de casa, pela Copa do Brasil. No primeiro a equipe empatou, mas goleou no jogo de volta, no Mineirão; e no segundo, perdeu por 1 a 0 e arrancou a classificação de forma dramática, no Mineirão. Com isso passou a sofrer uma forte oposição dos “velhos corneteiros” do conselho deliberativo, que bancavam setores organizados da torcida, além da imprensa. Às vésperas do segundo jogo, pelas quartas de final da Copa do Brasil, contra o São Paulo, no Mineirão, a contratação do treinador Carlos Alberto Silva, que estava no Porto, de Portugal, vazou para a imprensa esportiva. Carlos Alberto se apresentaria na Toca, após o término do contrato de Pinheiro.

Setores “chapas-brancas” da torcida não deram trégua ao treinador. Pediram a sua saída antes do jogo contra o Vasco, no Mineirão, pelo primeiro jogo da semifinal e sequer perdoaram a derrota por 1 a 0 para o América, na última rodada da primeira fase do Estadual, quando as equipes já estavam classificadas para o quadrangular final e escalaram equipes mistas.

A situação de Pinheiro tornou-se mais complicada, quando em 26 de maio, o capitão do time, o lateral direito Paulo Roberto, o criticou publicamente. O Cruzeiro escalou os reservas para o jogo contra a Caldense, numa terça-feira, em Poços de Caldas, por causa do segundo jogo, pela semifinal da Copa do Brasil, contra o Vasco, no Maracanã, que seria na quinta-feira. O treinador viajou com o time misto, retornou gripado e não compareceu à Toca para dirigir o treino. Paulo Roberto revelou que o plantel não gostou do treinador ter preferido ir a Poços. Revelou que os jogadores fariam uma reunião no Hotel Plaza, onde a delegação se hospedaria, no Rio de Janeiro, para eles mesmos decidirem a forma da equipe jogar contra o Vasco. Estava caracterizada a insubordinação do grupo em relação ao treinador, que já não contava com total apoio dos dirigentes.

Após o empate contra o Vasco em que o time cruzeirense garantiu a classificação para a decisão da Copa do Brasil, Pinheiro anunciou que havia acertado a sua ida para o Fluminense, após o Campeonato Carioca, para substituir Edinho, que não renovaria com o tricolor.

Apesar das críticas e da forte pressão que sofreu, Pinheiro conseguiu que o time seguisse, fielmente, a seu sistema de jogo. No empate sem gols contra o Grêmio, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil, em Porto Alegre, o time foi bastante combativo e suportou a chuva e as condições precárias do gramado. Elogiou o espírito de luta do plantel: _a equipe jogou como se fosse amadora, com a amor a camisa. Também não escondeu sua satisfação com o empate fora de casa que sempre considerou como bom resultado. E da forma como planejava, desde o início da campanha, levou mais uma decisão para o Mineirão.

Com a vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio, no segundo jogo da final, no Mineirão, Pinheiro conquistou a Copa do Brasil. Foi seu único título em sua rápida passagem pelo Cruzeiro. No entanto, ficou na história. Colocou o Cruzeiro de volta na Libertadores, após 17 anos fora da disputa. Mais do que isso, apesar da oposição que sofreu, conseguiu que o time seguisse fielmente suas orientações. O gol do título marcado por Cleison foi um retrato da característica que implementou na equipe: avanço em velocidade, toques rápidos, até a finalização a gol.

Pinheiro deixou o Cruzeiro, após a goleada por 3 a 0 sobre o Democrata, em Valadares, pelo Campeonato Mineiro, em 19 de junho de 1993. O resultado eliminou as chances da equipe chegar a conquista do Estadual. Deixou o auxiliar técnico, Eduardo Amorim, dirigir a equipe no clássico, pela última rodada do Estadual.

O treinador, campeão da Copa do Brasil de 1993, faleceu aos 79 anos, no hospital Pan-Americano, no Rio de Janeiro, vítima de câncer de próstata.

Os números do treinador Pinheiro no Cruzeiro:
Competição Jogos
Vit.
Emp.
Der.
Colocação
Copa do Brasil
10
5
4
1
1o
Campeonato Mineiro
16
8
5
3
3o
Amistoso
10
7
1
2
-
Total
36
20
10
6
-

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