domingo, 2 de abril de 2017

Supercopa 1988

Ademir e Careca, ambos da Seleção Brasileira de 1988, disputam a bola no meio de campo contra o volante Sergio Batista, campeão mundial de 1986 pela Seleção Argentina, no confronto entre Cruzeiro e Argentinos Juniors, pelas quartas de final da Supercopa de 1988.

OITAVAS DE FINAL

CRUZEIRO 2 x 1 INDEPENDIENTE (ARG)
10/02/1988 (Qua-21h) - La Doble Visera (Avellaneda, Argentina)
Ingressos: 35.000
Arbitragem: Carlos Maciel/PAR (Francisco Valdez/PAR e Astelio Martinez/PAR)
Gols: Vilmar (falta) 14’; Hamilton 16’; Merlini 82’
Cruzeiro: Gomes, Balu, Vilmar, Heraldo e Wladimir; Ademir, Heriberto e Careca; Robson, Hamilton e Édson. T: Formiga
Independiente: Islas, Alastuey, Delgado, Monzón e Carlos Enrique; Giusti, Ríos e Bochini; Merlini, Navarro (Reinoso) e Barberón. T: Jorge Solari.
*Merlini perdeu pênalti aos 71’. Islãs, Enrique, Giusti, Rios e Barberon eram da Seleção Argentina; Navarro da Seleção do Peru e Delgado do Paraguai

CRUZEIRO 1 x 0 INDEPENDIENTE (ARG)
25/02/1988 (Qui-21h30) - Mineirão
Ingressos: 14.856 (Cz$ 2.299.200,)
Arbitragem: Luis Barrancos/BOL (Juan Ortube/BOL e Armando Aliaga/BOL)
Gol: Heriberto 24’
Cruzeiro: Wellington, Balu, Vilmar, Heraldo e Wladimir; Ademir, Careca (Éder/76’) e Heriberto; Robson, Hamilton e Edson. T: Formiga
Independiente: Islas, Clausen, Villaverde, Monzón e Carlos Enrique; Giusti, Rios (Ingraz/69’) e Bochini; Merlini (Venancio Ramos/67’), Navarro e Lobo. T: Jorge Solari
CA: Wellington, Éder/77’ (C); Giusti/33’, Boschini/46’ (I)

QUARTAS DE FINAL

CRUZEIRO 1 x 0 ARGENTINOS JUNIORS (ARG)
05/05/1988 (Qui-21h30) - Mineirão
Ingressos: 37.969 (Cz$ 6.986.760,)
Arbitragem: Hernan Silva/CHI (Gaston Castro/CHI e Salvatore Imperatore/CHI)
Gol: Ramon 77’
Cruzeiro: Gomes, Balu, Gilmar Francisco, Heraldo e Wladimir; Ademir, Heriberto e Careca; Robson, Hamilton e +Edson (Ramon/52’). T: Carlos Alberto Silva
Argentinos: Goyen, Villalba, Lorenzo, Olguín e Mayor; Batista, Castillo e Commisso (Redondo); Castro, Espindola e Ereros. T: Armando Mareque
CA: Careca, Ademir (C); Mayor, Lorenzo (A)
*Goyen defendeu pênalti cobrado por Heriberto aos 12’

CRUZEIRO 1 x 0 ARGENTINOS JUNIORS (ARG)
18/05/1988 (Qua-21h30) – El Fortin (Buenos Aires, Argentina)
Renda: 5.576, austrais
Arbitragem: Juan Cardellino/URU (Luis La Rosa/URU e Otelo Roberto/URU)
Gol: Heriberto 90’
Cruzeiro: Wellington, Balu, Gilmar Francisco, Heraldo e Wladimir; Ademir, Éder e Careca; Robson (Ramon), Hamilton e Heriberto. T: Carlos Alberto Silva
Argentinos: Goyen, Villalba, Olguín, Lorenzo e Mayor; Batista, Castillo (Espindola), Redondo; José Castro, Hernández, Ereros (Perez). T: Nito Viega
CA: G. Francisco, Wellington, Heriberto, Éder (Cru); Olguin (Arg)
CV: Éder (Cru)

SEMIFINAL

CRUZEIRO 2 x 3 NACIONAL (URU)
30/05/1988 (Seg-21h30) - Centenário (Montevidéu, Uruguai)
Ingressos: 8.000 (6.900.000 pesos)
Arbitragem: Gaston Castro/CHI (Hernan Silva/CHI e Enrique Marin/CHI)
Gols: Oliveira 45’, Oliveira 63’; Careca 64’; Ademir 72’; Vargas 74’
Cruzeiro: Wellington, Balu, Vilmar, Heraldo e Wladimir; Ademir, Heriberto e Careca; Robson, Hamilton e Ramon. T: Carlos Alberto Silva
Nacional: Sere, Gomez, Saraiva, Revelez e Saldanha; Moran (Ostolaza), Cardaccio e Lemos; Vargas, Castro, Olivera (Guerra). T: Roberto Fleitas
CV: Heraldo/80’ (C); Guerra/80’ (N)

CRUZEIRO 1 x 0 NACIONAL (URU)
03/06/1988 (Sex-21h30) - Mineirão
Ingressos: 90.946 (Cz$ 19.921.300,)
Arbitragem: Ricardo Calábria/ARG (Juan Loustou/ARG e Juan Bava/ARG)
Gol: Robson 75’
Cruzeiro: Wellington, Balu, Vilmar, Ademir e Wladimir; Éder, Heriberto e Careca; Robson (Ronaldinho), Hamilton e Ramon (Genílson). T: Carlos Alberto Silva
Nacional: Sere, Gómez, Saraiva, Reveléz e Saldaña; Lemos, Ostolaza e Cardaccio; Vargas, Castro (Morán) e Olivera. T: Roberto Fleitas
CA: Ademir, Éder, Heriberto (C); Revelez, Olivera, Ostolaza (N)
CV: Hamilton/90’, Balu/90’ (C); Morán/79’, P. Saldaña/90’ (N)

FINAL

CRUZEIRO 1 x 2 RACING (ARG)
13/06/1988 (Seg-15h30) - El Cilindro (Avellaneda, Argentina)
Ingressos: 53.000 (739.740,10 austrais)
Arbitragem: Hernan Silva/CHI (Enrique Marin/CHI e Gaston Castro/CHI)
Gols: Robson 36’; Fernández (pênalti) 44’; Colombatti 88’
Cruzeiro: Wellington, Ronaldinho, Gilmar Francisco, Heraldo e Wladimir; Ademir, Éder e Heriberto; Robson, Careca e Anderson (Genilson). T: Carlos Alberto Silva
Racing: Fillol, Vázquez, Fabbri, Gustavo Costas e Olarán; Acuña (Pérez), Ludueña, Colombatti e Rubén Paz; Catalán (Medina Bello) e Fernandez. T: Alfio Basile

CRUZEIRO 1 x 1 RACING (ARG)
18/06/1988 (Sab-21h30) - Mineirão
Ingressos: 67.222 (Cr$ 21.931.200,)
Arbitragem: Juan Daniel Cordelino/URU (José Martinez Bazan/URU e Ernesto Filipe/URU)
Gols: Catalán 45’; Robson 82’
Cruzeiro: Wellington, Balu, Heraldo, Gilmar Francisco e Wladimir; Ademir, Éder e Heriberto (Ramon); Robson, Careca e Anderson. T: Carlos Alberto Silva
Racing: Fillol, Vázquez, Gustavo Costas, Fabbri e Olarán; Acuña, Ludueña, Colombatti e Rubén Paz (Pérez); Catalán (Medina Bello) e Fernández. T: Alfio Basile
CV: Heraldo (Cru); Colombati (Rac)

Classificação Final: 1o Racing (Campeão); 2o Cruzeiro; 3o Nacional; 4o River Plate; 5o Grêmio; 6o Flamengo; 7o Argentinos Juniors; 8o Boca Juniors e Peñarol; 10o Olimpia; 11o Santos; 12o Estudiantes; 13o Independiente

Critérios de Participação
Disputada pelos 13 campeões da Taça Libertadores de 1960 a 1988: Peñarol (1960/61/66/82/87), Santos (1962/63), Independiente (1964/65/72/73/74/75/84), Racing (1967), Estudiantes (1968/69/70), Nacional (1971/80/88), Cruzeiro (1976), Boca Juniors (1977/78), Olimpia (1979), Flamengo (1981), Grêmio (1983), Argentinos Juniors (1985) e River Plate (1986).

Sistema de disputa
Dividida em quatro fases: na primeira 12 equipes foram distribuídas em 6 chaves com duas cada, que se enfrentaram em turno e returno dentro de seus respectivos grupos. Avançou para a próxima fase, a equipe que somou o maior número de pontos em cada chave. À exceção foi o vencedor da Chave 2 formada por Racing e Santos que avançou direto para a semifinal.
Na fase quartas de final as seis equipes, mais o Nacional do Uruguai, atual campeão da Libertadores, que entrou nesta fase, foram distribuídas em três chaves com duas cada, que se enfrentaram em turno e returno dentro de seus respectivos grupos. Avançou para a próxima fase, a equipe que somou o maior número de pontos em cada chave.
Na semifinal as três equipes, mais o vencedor do Grupo 2, das oitavas de final, foram distribuídos em duas chaves com duas equipes cada, que se enfrentaram em turno e returno dentro de seus respectivos grupos. Os vencedores de cada chave avançaram para a final.
Na fase final as duas equipes se enfrentaram em turno e returno. A equipe que somou o maior número de pontos sagrou-se campeão. Caso ocorresse empate em número de pontos, o título seria decidido em um jogo-extra, em campo neutro.

Critérios de desempate
Nas oitavas de final, quartas de final e semifinal, foi adotado o critério do maior saldo de gols, caso ocorresse o empate em número de pontos, para desempatar o confronto. Caso empatassem no saldo de gols, classificaria a equipe com o maior número de gols no mando de campo adversário. Caso ocorresse o empate neste critério também, a decisão da vaga seria decidida na disputa de tiros livres da marca penal.
Na final, caso duas equipes empatassem em número de pontos, um jogo extra, seria disputado em campo neutro. Caso ocorresse um empate no tempo normal do jogo extra, haveria uma prorrogação de 30 minutos. Caso o empate prevalecesse na prorrogação, o critério do saldo de gols e maior saldo de gols na casa do adversário seria adotado. Se ocorresse empate nestes critérios, o título seria decidido numa disputa de tiros livres da marca penal.

Cruzeiro e Independiente fizeram o jogo de abertura da Supercopa
O jogo de abertura da competição foi entre Independiente (maior campeão da Libertadores com 7 títulos) e o Cruzeiro, em 10 de fevereiro de 1988, no estádio Doble Visera, em Avellaneda. Foi um jogo isolado das oitavas de final.

O Cruzeiro é Brasil na Supercopa
Os jogos de cada fase da Supercopa não eram disputados nas mesmas datas. Assim, quando o Cruzeiro foi a Argentina disputar o segundo jogo contra o Argentinos Júniors, pelas quartas de final, já havia se tornado o último brasileiro sobrevivente na competição, pois Santos, Grêmio e Flamengo já estavam eliminados.

Finalista com treinador da Seleção Brasileira
O treinador Formiga pediu demissão após a classificação para as quartas de final e, como a CBF ainda não havia se decidido quanto a permanência de Carlos Alberto Silva no comando da Seleção Brasileira, o Cruzeiro acertou sua contratação em 3 de março de 1988. A CBF liberou o treinador sob a condição de que retornaria a Seleção assim que fosse convocado, novamente. A poucos dias da disputa da semifinal, Carlos Alberto acertou a sua volta a Seleção e a CBF, após acordos com o Cruzeiro, permitiu que o treinador dirigisse o time estrelado até o fim da competição. A boa campanha do Cruzeiro acabou retardando os preparativos programados pela CBF para a formação da Seleção que disputaria os Jogos Olímpicos, em Seul. A convocação para a Seleção foi adiada para depois da disputa.

Inscrições em cada fase
As inscrições de dois jogadores eram permitidas em cada fase da disputa. Na final, apenas um jogador foi permitido, desde que já estivesse contratado pelo clube, desde o início da disputa. o Cruzeiro inscreveu o atacante Anderson para a decisão. Ele disputou o primeiro jogo da final na vaga de Ramon, que estava lesionado; e o segundo, na vaga de Hamilton, que havia sido punido com dois jogos de suspensão.

90 mil pessoas no Mineirão
O jogo contra o Nacional do Uruguai, pela semifinal, no Mineirão, teve o maior público da Supercopa com 90.946 torcedores. Este jogo estava, inicialmente, marcado para 2 de junho, mas o Mineirão estava reservado para um evento religioso nesta data. O jogo seria marcado para o Horto com capacidade máxima para 20 mil torcedores. No entanto, o Cruzeiro, com a concordância do Nacional, conseguiu remanejar a data para o dia seguinte, no Mineirão.

Final com ingressos majorados
A ganância do presidente cruzeirense Benito Masci prejudicou o público na final contra o Racing com a majoração dos valores dos ingressos. A falta de sensibilidade do dirigente, quanto a situação econômica do país em frangalhos, inflação galopante, alta taxa de desemprego e arrocho salarial, afastou boa parte daqueles cruzeirenses que vinham acreditando e acompanhando a equipe desde o início da disputa. Dos mais de 110 mil ingressos colocados a disposição quase metade foi pro encalhe.

Estratégia errada resultou no vice-campeonato
O treinador Carlos Alberto Silva acusou o árbitro chileno, Hernán Silva, de ter fabricado o resultado em Avellaneda, contra o Racing. Reclamou de um pênalti não marcado sobre Careca; da falta cometida por Fabbri no lance que resultou no gol da vitória do Racing; além de não ter descontado as interrupções do jogo que duraram cinco minutos. No entanto, foi o próprio treinador rival, Alfio Basile, quem melhor definiu o erro estratégico adotado pelo Cruzeiro: _apostaram tudo na habilidade do Careca, que jogou isolado na frente. Não queriam vencer, se preocuparam em abusar das faltas e acreditaram que o empate era um bom resultado. No jogo da volta, no Mineirão, o gol do Racing, no início do jogo, obrigou o Cruzeiro a virar o jogo, mas a maratona de jogos, pela Supercopa e pelo longo estadual, prejudicaram a equipe. O Racing que foi contemplado pelo sorteio da tabela, pois classificou direto das oitavas para a semifinal, teve mais fôlego e segurou o empate, no Mineirão.

Maior entre os devedores
As rendas dos jogos da Supercopa serviram para aliviar os cofres do Cruzeiro. O time teve uma média de 52 mil torcedores por jogo. A arrecadação foi quatro vezes superior as 18 partidas disputadas pela equipe, no Mineirão, pelo falido Campeonato Mineiro. A situação financeira do clube era a pior entre os grandes clubes. Em 19 de abril, o IAPAS - Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social - divulgou a relação dos clubes devedores e o Cruzeiro liderava a lista em todo o país com uma dívida de Cz$ 74 milhões. Valor bem acima do América, que devia Cz$ 25 milhões, e do Atlético, que devia Cz$ 5 milhões.
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