terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Público da decisão de 1997 entre Cruzeiro e Villa foi o maior da história do Campeonato Mineiro

Por Carlos Henrique
O jogo entre Cruzeiro e Villa Nova pela decisão do Campeonato Mineiro é o maior público da história do futebol mineiro e, consequentemente, do Campeonato Mineiro. O borderô do jogo disputado em 22 de junho de 1997 registrou a passagem de 132.834 torcedores pelas roletas do Mineirão. A massa de cruzeirenses que compareceu a Pampulha, naquela tarde, extrapolou a capacidade máxima do estádio que era de 120 mil torcedores. O Cruzeiro venceu o Villa Nova por 1 a 0, com gol marcado pelo atacante Marcelo Ramos, aos 10 minutos de jogo, e levou o título estadual daquele ano. No entanto, o recorde de público estabelecido pela torcida cruzeirense é mais comemorado e lembrado que a própria conquista do caneco. Outros 9 jogos pelo Campeonato Mineiro registraram públicos acima de 100 mil torcedores, sendo todos eles, pelo clássico Cruzeiro e Atlético e quatro deles extrapolaram a capacidade máxima de público.

A lista com mais de 100 mil torcedores presentes no estádio em jogos pelo Campeonato Mineiro é pequena, apenas 10, e o clássico entre Cruzeiro e Atlético domina a relação. Todos eles compreendem o período em que a capacidade máxima aceita era de 120 mil torcedores. A partir dos anos 2000, “medidas de segurança” absurdas tomadas pela polícia militar e pelo corpo de bombeiros restringiram a capacidade de público para menos da metade sob argumentos nada convincentes. Assim, tornou-se impossível a presença de mais de 100 mil torcedores, novamente, no Mineirão.

Um detalhe que chama a atenção nesta relação de jogos é que a maioria deles não valeram por decisões de título. Isto derruba o mito sustentado pelos que acreditam que os sistemas mata-matas são mais atrativos. Os clássicos de 1968, 1969, 1970, 1980 e 1981, que fazem parte da lista, foram disputados em um momento em que o campeonato estava longe de uma definição. O clássico pelo Estadual de 1981, por exemplo, teve o público motivado pelo “Desafio das Torcidas”. Numa iniciativa de Afonso Celso Raso, administrador da Ademg (autarquia que administrava o Mineirão), os ingressos foram diferenciados para atleticanos e cruzeirenses. A ideia era saber qual seria a maior torcida no estádio. O desafio foi vencido pela torcida cruzeirense com uma diferença de 2.245 bilhetes a mais.

Estádio nasceu desacreditado 
O Mineirão, que é de propriedade do governo estadual, foi inaugurado em setembro de 1965 com capacidade máxima para 120 mil torcedores. As obras começaram em 1958 e os recursos públicos empenhados levaram os deputados da Assembléia Legislativa a criarem uma comissão parlamentar de inquérito-CPI. Os políticos entendiam que o "Estádio Minas Gerais" se tornaria um "elefante branco", pois os times mineiros não tinham um número suficiente de torcedores na cidade. Isto porque, na época, a maioria dos belo-horizontinos torciam para equipes cariocas, devido a influência da Rádio Nacional, com sede no Rio de Janeiro. A audiência da emissora abrangia todo o estado de Minas Gerais. No entanto, o moderno Mineirão e o progresso da imprensa mineira, que viu brotar nos anos 1960 diversas emissoras de rádio e de TV locais, mudou essa relação e, pouco após a sua inauguração, o estádio já recebia multidões em jogos de Cruzeiro e Atlético.
LISTA DOS PÚBLICOS COM MAIS DE 100 MIL TORCEDORES NO CAMPEONATO MINEIRO
Data Jogo Público
22/06/1997 Cruzeiro 1 x 0 Villa Nova 132.834
*74.857 bilhetes vendidos
04/05/1969 Cruzeiro 1 x 0 Atlético 129.377
*123.351 bilhetes vendidos
02/06/1968 Cruzeiro 2 x 1 Atlético 125.000
*110.432 bilhetes vendidos
02/08/1970 Atletico 2 x 1 Cruzeiro 123.409
*106.155 bilhetes vendidos
09/10/1977 Cruzeiro 3 x 1 Atlético 122.534
26/10/1980 Atlético 1 x 0 Cruzeiro 115.983
08/11/1981 Atletico 1 x 1 Cruzeiro 112.919
15/12/1974 Cruzeiro 2 x 1 Atletico 109.363
05/12/1982 Atletico 2 x 1 Cruzeiro 108.935
03/04/1977 Atletico 2 x 0 Cruzeiro 103.725




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Campeonato Mineiro 1989

O meiocampista Paulo Isidoro disputou 28 dos 29 jogos do Cruzeiro 
no Campeonato Mineiro de 1989

Por Carlos Henrique

Primeira fase
04/03 - Cruzeiro 2 x 0 Nacional (Mineirão)
12/03 - Cruzeiro 0 x 1 Flamengo (Melão, Varginha)
16/03 - Cruzeiro 1 x 0 Esportivo (Horto)
19/03 - Cruzeiro 2 x 1 Rio Branco (Mineirão)
23/03 - Cruzeiro 0 x 0 Uberlândia (Parque do Sabiá)
26/03 - Cruzeiro 2 x 2 Uberaba (Uberabão)
01/04 - Cruzeiro 2 x 0 Caldense (Horto)
12/04 - Cruzeiro 1 x 1 Democrata-SL (Mineirão)
16/04 - Cruzeiro 0 x 0 Tupi (Salles Oliveira, Juiz de Fora)
19/04 - Cruzeiro 5 x 0 Fabril (Mineirão)
23/04 - Cruzeiro 1 x 0 Atlético (Mineirão)
26/04 - Cruzeiro 3 x 1 Villa Nova (Mineirão)
30/04 - Cruzeiro 2 x 1 América (Mineirão)
03/05 - Cruzeiro 1 x 1 Valério (Itabira)
24/05 - Cruzeiro 2 x 0 Pouso Alegre (Lema, Pouso Alegre)
Classificação (Chave A): 1o C.a.m., 2o Tupi, 3o Democrata-SL, 4o America, 5o Pouso Alegre, 6o Valerio, 7o Villa Nova, 8o Fabril
Classificação (Chave B): 1o Cruzeiro, 2o Uberlândia, 3o Rio Branco, 4o Esportivo, 5o Flamengo, 6o Caldense, 7o Uberaba, 8o Nacional

Fase Final
13/05 - Cruzeiro 0 x 0 Esportivo (Mineirão)
21/05 - Cruzeiro 1 x 0 Democrata-SL (Mineirão)
28/05 - Cruzeiro 0 x 0 Uberlândia (Mineirão)
31/05 - Cruzeiro 3 x 0 Tupi (Salles Oliveira, Juiz de Fora)
04/06 - Cruzeiro 0 x 0 Rio Branco (Parque do Azulão, Andradas)
11/06 - Cruzeiro 0 x 1 Atlético (Mineirão)
18/06 - Cruzeiro 6 x 2 Esportivo (Starling Soares, Passos)
21/06 - Cruzeiro 2 x 0 Democrata (Duarte de Paiva, Sete Lagoas)
25/06 - Cruzeiro 3 x 2 América (Mineirão)
28/06 - Cruzeiro 0 x 1 Uberlândia (Parque do Sabiá)
02/07 - Cruzeiro 4 x 0 Tupi (Horto)
05/07 - Cruzeiro 3 x 0 Rio Branco (Horto)
09/07 - Cruzeiro 0 x 3 Atlético (Mineirão)
15/07 - Cruzeiro 1 x 0 América (Horto)
Classificação Final: *1o C.a.m., *2o Cruzeiro, 3o America, 4o Uberlândia, 5o Esportivo, 6o Tupi, 7o Democrata-SL, 8o Rio Branco, 9o Pouso Alegre, 10o Flamengo, 11o Valerio, 12o Caldense, 13o Villa Nova, 14o Uberaba, 15o Nacional, 16o Fabril
*Atlético e Cruzeiro classificados para a Copa do Brasil de 1990
Artilheiro Máximo: Gérson (C.a.m.) com 14 gols

Critérios de Participação
O Campeonato de 1989 foi disputado por 16 clubes. O Flamengo e o Pouso Alegre, campeão e vice da 2ª divisão de 1988, respectivamente, substituíram o Minas e o Sport, que foram rebaixados em 1988.

Sistema de disputa
Dividido em duas fases distintas. Os clubes se enfrentaram em turno único e foram divididos na tabela de classificação em duas chaves (A e B). Os quatro primeiros de cada chave se classificaram para uma Fase Final e se enfrentaram em turno e returno. O primeiro colocado da fase final sagrou-se campeão.

Democrata x Pouso Alegre
O Pouso Alegre pediu a anulação do jogo contra o Atlético TC, pela última rodada da fase final do Campeonato Mineiro da 2a Divisão de 1988, em que perdeu por 1 a 0. Dentre outras irregularidades, alegou que o jogo havia sido encerrado antes do tempo regulamentar. O recurso foi parar no STJD que determinou que a FMF marcasse um novo jogo. Até então, a tabela apontava o Flamengo de Varginha e Democrata de Valadares como campeão e vice da Segundona de 1988 e, desta forma, ambos ganharam o direito ao acesso à primeira divisão de 1989. Com a decisão do STJD, o presidente da FMF, Elmer Guilherme, cancelou o jogo de estreia do Democrata pela 1a Divisão de 1989, mas o time de Valadares recorreu à Justiça Comum e disputou o Campeonato amparado por uma liminar.

O Atlético TC não compareceu a Alfenas (campo neutro) para enfrentar o Pouso Alegre no jogo remarcado pela FMF. O tricordiano alegou que apenas seis atletas regularmente inscritos na segundona de 1988, ainda permaneciam no clube e a lei exigia no mínimo 8. O árbitro do jogo remarcado, José Chéu da Silva, enviou a ocorrência para o TJD analisar o caso. O Pouso Alegre ganhou os dois pontos do jogo em decisão do TJD, de 27 de abril. Assim, o Pouso Alegre superou o Democrata na pontuação final e tornou-se o vice-campeão da 2a divisão de 1988 obtendo o acesso à 1a divisão de 1989. Como a primeira fase do Estadual de 1989 já estava chegando ao final, o Pouso Alegre foi obrigado a cumprir todos os jogos da fase em um mês, o que levou a FMF a pedir uma licença especial à CBF para prolongar o Campeonato até o dia 15 de junho.

America x Democrata
O Democrata havia encerrado a 1a fase na 4a colocação da chave A. O America, que estava eliminado, por ter se classificado na 5a posição, protelou a vaga do Democrata. Em 7 de junho, a Justiça Comum determinou a exclusão definitiva do Democrata do Campeonato e a inclusão do América na fase final.

Virada de mesa beneficia Fabril e Flamengo
O Fabril e o Flamengo deveriam ter sido rebaixados por terem sido os dois últimos colocados na tabela, mas com a exclusão do Democrata e a inclusão do Pouso Alegre no final da primeira fase, que provocou uma paralisação da disputa, os clubes decidiram na reunião do arbitral, em 4 de maio, cancelar o rebaixamento.

Sistema 4-3-3:
Pereira (Wellington), Balu, Gilson Jader, Gilmar Francisco (Adilson), Gilson; Ademir, Paulo Isidoro, Heriberto (Betinho); Silva (Edemilson), Hamilton, Édson. Técnicos: João Francisco (18), Carlos Alberto Silva (4), Lacerda (5) e Ênio Andrade (2)

Quem marcou gols
Jogos
Atleta
28
Paulo Isidro
25
Hamilton
24
Silva
23
Heriberto
22
Gilson, Gilson Jader
19
Balu, Edemilson, Édson, Gilmar Francisco
18
Ademir, Adilson
17
Pereira
14
Betinho
13
Geraldinho
12
Wellington
11
Careca
10
Genilson, Robson
9
Peu
8
Dinho
7
Jerry
6
Andrade
4
Daniel
3
Zelão
2
Paulão, Roberto Carlos
1
Ramon

Quem marcou gols
Gols
Atleta
9
Hamilton
8
Silva
7
Betinho
4
Gilson Jader
3
Adilson, Edemilson, Édson
2
Daniel
1
Ademir, Andrade, Genilson, Geraldinho, Paulo Isidoro, Peu, Robson
-
Beca (Fabril) – 1 gol contra



domingo, 29 de janeiro de 2017

Nelinho superou a marca de Tostão em jogo contra o Villa Nova pelo Campeonato Mineiro de 1976



Por Carlos Henrique

O lateral direito Nelinho foi um dos maiores cobradores de falta do futebol mundial. Pelo Cruzeiro foram 43 gols, sendo muitos deles decisivos para o time estrelado. Antes de sua chegada ao Cruzeiro em 1973, o maior cobrador de faltas do clube havia sido o atacante Tostão com 22 gols. Um destes foi na vitória por 3 a 2 sobre o Santos, no Pacaembu, na decisão do Campeonato Brasileiro de 1966. Tostão foi negociado ao Vasco em maio de 1972, portanto, nunca jogou ao lado de Nelinho. Em 17 de junho de 1976, o lateral fechou a goleada por 5 a 2, sobre o Villa Nova, no Mineirão, pelo Campeonato Mineiro, com um gol em cobrança de falta, aos 89 minutos de jogo. Era o seu 23o gol de falta pelo Cruzeiro, que superaria a marca de Tostão. Como naquela época, não existia este tipo de levantamento estatístico, tanto jogadores, quanto diretoria e imprensa esportiva e o próprio Nelinho, não tiveram conhecimento do feito. Foi por meio de pesquisas que fiz das coberturas dos jogos do Cruzeiro nos jornais é que pude levantar estes dados anotando as características dos gols (falta, pênalti, escanteio direto). Assim constatei que Nelinho foi e ainda é o maior artilheiro em cobranças de faltas da história do Cruzeiro. Publiquei a informação nas duas edições do Almanaque do Cruzeiro lançadas em 2007 e 2014. 

GOLS DE FALTA DE TOSTÃO

GOLS DE FALTA DE NELINHO

Jogos
Gols
Jogos
Gols
21/11/65 – 4 x 2 Uberaba
1
11/02/73 – 1 x 2 América
1
04/09/66 – 6 x 3 Uberaba
1
18/02/73 – 3 x 0 União Tijucana
1
11/09/66 – 5 x 1 América
1
21/10/73 – 2 x 1 América-RJ
1
30/10/66 – 6 x 3 Villa Nova
1
09/12/73 – 3 x 0 Figueirense
1
07/12/66 – 3 x 2 Santos
1
23/01/74 – 1 x 1 Botafogo
1
22/01/67 – 3 x 2 Palmeiras
1
30/01/74 – 1 x 1 Grêmio
1
12/02/67 – 5 x 0 Goiânia
2
17/07/74 – 1 x 0 Bahia
1
12/03/67 – 3 x 1 Fluminense
1
29/09/74 – 1 x 0 Atlético
1
22/03/67 – 1 x 1 Vasco
1
02/10/74 – 4 x 0 Nacional de Muriaé
1
02/04/67 – 2 x 3 Palmeiras
1
23/02/75 – 3 x 2 Vasco
1
05/10/67 – 4 x 0 Uberaba
2
23/05/75 – 2 x 0 Independiente
1
19/04/68 – 4 x 0 Usipa
1
09/08/75 – 3 x 0 Stoke City
1
31/07/68 – 2 x 0 Uberaba
1
27/08/75 – 1 x 0 Coritiba
1
15/08/68 – 3 x 0 Independente
1
07/09/75 – 2 x 2 Atlético
1
30/11/68 – 1 x 2 Internacional
1
14/09/75 – 2 x 0 Palmeiras
1
22/02/69 – 5 x 0 Tupi
1
26/10/75 – 1 x 0 Figueirense
1
30/03/69 – 3 x 0 Araxá
2
01/02/76 – 4 x 1 Caldense
2
21/09/69 – 1 x 1 Portuguesa
1
04/02/76 – 2 x 1 América
1
27/09/70 – 1 x 1 Santos
1
14/03/76 – 3 x 1 Luqueño
1
-
-
04/05/76 – 2 x 0 Nacional de Muriaé
1
-
-
27/05/76 – 3 x 2 Valério
1
-
-
17/06/76 – 5 x 2 Villa Nova
1
-
-
21/07/76 – 4 x 1 River Plate
1
-
-
14/08/76 – 2 x 0 PSV Eindhoven
1
-
-
16/04/77 – 5 x 1 Valério
1
-
-
22/06/77 – 3 x 0 URT
2
-
-
29/06/77 – 2 x 0 ESAB
1
-
-
11/09/77 – 1 x 0 Boca Juniors
1
-
-
04/12/77 – 1 x 3 Flamengo
1
-
-
12/02/78 – 2 x 2 Bahia
1
-
-
10/05/78 – 1 x 2 Náutico
1
-
-
01/05/79 – 3 x 0 Uberlândia
1
-
-
13/06/79 – 4 x 1 Democrata-GV
1
-
-
05/09/79 – 1 x 0 América
1
-
-
12/03/80 – 3 x 0 Portuguesa
1
-
-
16/03/80 – 1 x 3 Corinthians
1
-
-
13/04/80 – 3 x 0 Botafogo-PB
1
-
-
17/08/80 – 2 x 0 Seleção do México
1
-
-
24/09/81 – 1 x 1 Democrata-GV
1
-
-
05/11/81 – 4 x 2 Villa Nova
1
-
-
25/11/81 – 3 x 0 Caldense
1