domingo, 26 de março de 2017

Campeonato Mineiro 2000

Carlos Henrique

PRIMEIRA FASE
Classificação: 1o URT; 2o Ipatinga; 3o Democrata; 4o Rio Branco; *5o Uberlândia; *6o Caldense; *7o Ipiranga; *8o Valério
*eliminados

SEGUNDA FASE
Turno
19/03 - Cruzeiro 1 x 0 Ipatinga (Lamegão, Ipatinga)
25/03 - Cruzeiro 2 x 0 URT (Horto)
29/03 - Cruzeiro 1 x 1 Rio Branco (Parque do Azulão, Andradas)
01/04 - Cruzeiro 1 x 1 América (Mineirão)
09/04 - Cruzeiro 1 x 1 Villa Nova (Mineirão)
16/04 - Cruzeiro 2 x 1 Democrata (Mineirão)
23/04 - Cruzeiro 2 x 4 Atlético (Mineirão)
Returno
29/04 - Cruzeiro 2 x 0 Ipatinga (Horto)
07/05 - Cruzeiro 4 x 1 Democrata (Mamudão, Gov. Valadares)
10/05 - Cruzeiro 2 x 0 Rio Branco (Mineirão)
13/05 - Cruzeiro 1 x 0 América (Mineirão)
17/05 - Cruzeiro 1 x 1 Villa Nova (Bonfim, Nova Lima)
21/05 - Cruzeiro 4 x 0 URT (Mangueirão, Patos de Minas)
27/05 - Cruzeiro 2 x 0 Atlético (Mineirão)
Decisão
03/06 - Cruzeiro 1 x 2 Atlético (Mineirão)
08/06 - Cruzeiro 1 x 1 Atlético (Mineirão)
Classificação Final: 1o Atlético (Campeão); 2o Cruzeiro; 3o América; 4o Ipatinga; 5o Villa Nova; 6o Rio Branco; 7o URT*; 8o Democrata; 9o Uberlândia; 10o Caldense; 11o Ipiranga**; 12o Valério**
*classificado para a Copa do Brasil 2001
**rebaixados
Artilheiro Máximo: Joãozinho (Ipatinga) com 15 gols

Critérios de Participação:
O Campeonato de 2000 foi disputado pelos 10 primeiros colocados do Campeonato de 1999, mais o Uberlândia e o Ipatinga, campeões e vice do Módulo II de 1999, respectivamente.

Sistema de disputa
Divido em três fases. A primeira fase foi disputada por 8 equipes que se enfrentaram em turno e returno. As quatro primeiras colocadas avançaram para a próxima fase. A primeira colocada desta fase se classificou, automaticamente, para a Copa do Brasil de 2001, e recebeu a Taça Minas Gerais. Os dois últimos colocados da primeira fase foram rebaixados para o Módulo II.
Cruzeiro, Atlético, América e Villa Nova que foram os quatro primeiros colocados, pela ordem, no Campeonato Mineiro de 1999, disputaram o Estadual de 2000 a partir da segunda fase.
Na segunda fase, as 8 equipes iniciaram a disputa com os pontos zerados e se enfrentaram em turno e returno. As duas melhores colocadas se classificaram para a final.
A final foi decidida numa série de três partidas. A equipe de melhor campanha na segunda fase iniciou a final com um ponto extra, além da vantagem do mando de campo no segundo jogo e, se necessário, no terceiro jogo.
As quatro equipes eliminadas da primeira fase disputaram um quadrangular em turno e returno para definir as duas equipes rebaixadas para o Módulo II.

Sistema 4-4-2:
André, Zé Maria, Cris (Alexandre), Marcelo Djian (Cléber), Sorín (Rodrigo); Donizete (Marcos Paulo), Ricardinho (Viveros), Jackson, Muller; Geovanni, Fábio Júnior (Oséas). Treinadores: Paulo Autuori (7); Marco Aurélio (9)

Quem jogou
Jogos
Atletas
16
André
14
Fábio Júnior, Geovanni, Jackson
13
Donizete, Ricardinho
12
Muller, Oséas, Zé Maria
11
Cris
10
Marcelo Djian, Marcos Paulo, Viveros
9
Sorín
8
Alexandre, Cléber, Rodrigo
7
Paulo Isidoro
4
Cléber Monteiro, Zé Roberto
3
Alonso, Leandro
2
Wendel
1
Alê, Cristian, Fernandinho, Glayssinho

Quem marcou gols
Gols
Atletas
5
Ricardinho
4
Fábio Júnior, Muller
3
Geovanni, Oséas, Zé Roberto
2
Jackson, Paulo Isidoro
1
Cris, Viveros

Cruzeiro detém todas as grandes viradas no clássico contra o Galo

O lateral esquerdo corre pra torcida pra comemorar o gol da virada no clássico pelo Campeonato Brasileiro de 2000

Carlos Henrique

Como diz o jargão futebolístico: de virada é mais gostoso. E quando a virada surge, quando tudo parecia perdido, é mais gostoso ainda. Na história do clássico entre Cruzeiro e Atlético são raras as vezes em que uma equipe conseguiu reverter o placar desfavorável de dois gols de vantagem do adversário. Isto aconteceu apenas quatro vezes e o Cruzeiro foi o protagonista de todas.

A primeira grande virada aconteceu na última rodada do Campeonato da Cidade de 1931. O Atlético, com dois pontos de vantagem na tabela, jogou pelo empate para garantir o título. Ao Cruzeiro só a vitória interessava para igualar o alvinegro na classificação e provocar uma série de três jogos para decidir o título. O jogo foi no estádio atleticano do bairro de Lourdes e os alvinegros fizeram 2 a 0, logo no início. O Cruzeiro buscou o empate e, quando restavam dois minutos para o fim do jogo, o atacante Bengala partiu com a bola dominada do meio do campo, passou por toda a defesa atleticana e só parou quando a bola estufou as redes: Cruzeiro 3 a 2.

CRUZEIRO 3 x 2 ATLÉTICO
01/11/1931 (Dom-16h) - Campeonato da Cidade - Lourdes
Árbitro: José Maria Sousa (Alcides Machado/41')
Gols: Said 2’; Mário 15’; Niginho 25’; Piorra 41’; Bengala 78’
Cruzeiro: Catalano, Nereu e Gil; Maeco, Barros e Calixto; Piorra, Niginho, Carazo, Bengala e Alcides. T: Matturio Fabbi
Atlético: Armando, Maurílio e Álvaro; Cordeiro, Brant e Mário Gomes; Geraldino, Said, Mário, Jairo e Cunha.
*o árbitro Sousa foi substituído por Alcides no 2o tempo.

A diretoria atleticana estava tão certa da vitória de seu time no clássico que acertou, antecipadamente, um jantar numa pizzaria da cidade para comemorarem a vitória sobre a "italianada" do Palestra. O clássico foi disputado no campo do bairro do Barro Preto e o Atlético marcou 2 a 0 ainda no primeiro tempo. O Cruzeiro virou o placar para 4 a 2 e, Guará diminuiu no fim do jogo. À noite os atleticanos não compareceram a pizzaria e, como a conta já estava paga, os cruzeirenses ocuparam as mesas reservadas e jantaram as custas da diretoria alvinegra.

CRUZEIRO 4 x 3 ATLÉTICO
09/12/1934 (Dom-16h) – amistoso - Barro Preto
Árbitro: Dunorte André (Renato Fantoni/55')
Gols: Guará 3’; Paulista 37’; Zezé 40’+5’; Pantuzzo 45’; Pantuzzo 48’; Calixto 80’+27’; Guará 80'+37’
Cruzeiro: Geraldo, Raul e Caieira (Chiquinho); Souza, Ferreira e Mundico; Pantuzzo, Orlando (Carlos Alberto), Zezé, Bengala e Calixto. T: Matturio Fabbi
Atlético: Armando, Tião e Evando; Tito, Lola (Jacir) e Mário Gomes; Dario, Paulista, Guará, Bitola e Elair. T: Floriano Peixoto
*Dunorte deixou a arbitragem aos 55’ e o jogo ficou interrompido por 34 minutos. Renato foi escolhido para apitar o restante do jogo.

Foi um mero amistoso no campo do Sete, no bairro do Horto, mas inesquecível para o craque Tostão. O jogador aponta este jogo como o melhor clássico que já disputou. O Galo vencia por 2 a 0, até os 25 minutos, do segundo tempo. Tostão deu início a reação; marcou o primeiro gol e serviu duas vezes o ponteiro Dalmar, que saiu de campo consagrado como o autor dos gols da virada.

CRUZEIRO 3 x 2 ATLÉTICO
09/05/1965 (Dom-16h) - amistoso - Horto
Ingressos: 10.208 (Cr$ 9.697.500,)
Arbitragem: Cidinho Bola Nossa (Simão Waxman e João M. Andere)
Gols: Toninho 28’; Toninho 67’; Tostão 70’; Dalmar 75’; Dalmar 80’
Cruzeiro: Fábio, Pedro Paulo (Massinha/46’), William, Vavá e Tenório (Neco/46’); Piazza (Ílton) e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Picinin (Nerival/46’), Tostão e Dalmar. T: Airton Moreira.
Atlético: Paulo Monteiro, Warley (João Batista/46’), Grapete, Elci e Décio Teixeira; Buglê e Paulista; Buião (Bueno), Nilson, Toninho e Barros (Noêmio). T: Wilson Oliveira
CV: Wilson Almeida/60’ (C); J. Batista/60’ (A)

A primeira grande virada do estádio da Pampulha foi no Campeonato Brasileiro de 2000. Até então, nenhuma equipe havia conseguido reverter um placar desfavorável de dois gols de diferença no clássico. O Galo começou arrasador e marcou dois gols em 20 minutos, além de uma sequência de chances de gols. O Cruzeiro pôs a bola no chão e, empatou e quando restavam 10 minutos para o fim, chegou a virada com um gol do lateral esquerdo Sorín. Ele correu em direção a torcida, tirou a camisa e começou a rodá-la. A comemoração do argentino criou moda no Brasil até a arbitragem coibi-la com o cartão amarelo. Oséas ainda ampliou para 4 a 2 nos minutos finais.

CRUZEIRO 4 x 2 ATLÉTICO
30/09/2000 (Sab-18h) - Campeonato Brasileiro - Mineirão
Ingressos: 35.540 (R$ 312.027,)
Arbitragem: Antônio P. Silva/GO (Marco A. Gomes/MG e Marco A. Martins/MG)
Gols: Neguete 17’; Guilherme 20’; Fábio Júnior (pênalti) 43’; Fábio Júnior 53’; Sorin 80’; Oséas 84’
Cruzeiro: Jefferson, Rodrigo (Cléber Monteiro), Cris, Cléber e Sorin; Donizete, Ricardinho (Marcos Paulo), Sérgio Manoel e Jackson; Geovanni e Fábio Júnior (Oséas). T: Luiz Felipe
Atlético: Kleber, Bruno, Neguete, Cláudio Caçapa e Mancine; Valdir, Cleison, Ramon Menezes (Lincoln) e Caíco (Fábio Melo); Guilherme e Marques (André). T: Carlos Alberto Parreira
CA: Cléber, Sorin, Ricardinho, F. Júnior, Geovanni (C); Ramon, Cleison, F. Melo, Guilherme (A)

O garoto Kerlon parte pra cima da zaga atleticana com o drible da foca no clássico pelo Campeonato Brasileiro de 2007

O clássico pelo returno do Campeonato Brasileiro de 2007 foi o mais emocionante de todos os tempos. Poderia ter sido a primeira grande virada dos atleticanos, que reverteram o placar desfavorável de 2 a 0 para 3 a 2, logo aos 12 minutos do segundo tempo. Mas a alegria alvinegra durou pouco. O atacante Guilherme empatou quatro minutos depois. E o garoto Kerlon se transformaria na figura principal do jogo. Ele entrou em campo dois minutos após o gol da virada alvinegra. Em seu primeiro lance no jogo, aplicou o drible malabarístico da foca no zagueiro Vinícius e foi atingido violentamente, na sequência, pelo lateral Coelho, que foi expulso. Com um a menos em campo, o Galo não aguentou a pressão cruzeirense, que fez o vira-vira no placar, com dois gols do atacante Guilherme. O drible da foca decidiu o clássico!

CRUZEIRO 4 x 3 ATLÉTICO
16/09/2007 (Dom-16h) - Campeonato Brasileiro – Mineirão
Ingressos: 40.697 (R$ 757.675,)
Arbitragem: Evandro Roman/PR (Marco A. Gomes/MG e Guilherme Camilo/MG)
Gols: Roni 11’; Roni (pênalti) 25’; Gérson 30’; Marinho 37’; Marinho (pênalti) 57’; Guilherme 61’; Guilherme 77’
Cruzeiro: Fábio, Mariano, Emerson©, Thiago Heleno e Fernandinho; Luís Alberto, Charles, Maicosuel (Jardel/83’) e Wagner (Kerlon/59’); Marcelo Moreno (Guilherme/61’), Roni. T: Dorival Júnior
Atlético: Édson, Coelho, Leandro Almeida©, Vinícius e Thiago Feltri (Vanderlei/89’); Thiago Carpini, Gérson, Márcio e Danilinho; Éder Luís (Lúcio/71’) e Marinho. T: Leão
CA: L. Alberto/29’, Fábio/56’ (C); Vinícius/18’, É. Luís/39’, Danilinho/41’, Coelho/63’ (A)
CV: Coelho/80’ (A)
O lateral direito Coelho tentando explicar o lance do drible da foca em seu julgamento no TJD: levou 120 dias de suspensão

BRITO

O treinador Brito na saída de um treino na Toca da Raposa.
Querido e apoiado por torcedores e atletas.

Carlos Henrique

Hércules Brito Ruas (Rio de Janeiro, RJ, 09/08/1939). O ex-zagueiro titular da Seleção Brasileira campeã mundial de 1970 foi anunciado, em 22 de janeiro de 1982, como o novo treinador do Cruzeiro. A indicação de Brito surgiu de forma inusitada. O presidente Felício Brandi estava frustrado com as tentativas de contratar Daltro Menezes, do Vitória, e se reuniu com o plantel pedindo que indicassem outro treinador e os jogadores elegeram Brito.

O Cruzeiro era o primeiro grande desafio da carreira do treinador de 42 anos, que só havia dirigido o Democrata de Valadares e o Bonsucesso-RJ. Brito chegou ao Barro Preto, no dia 23 de janeiro, e foi recepcionado por Nelinho, seu parceiro de peladas nas praias cariocas. “Você está vindo dirigir um time médio de um clube grande”, avisou o lateral. O Cruzeiro de 1982 não era mais aquele que Brito defendeu como jogador em 1970. O clube vinha passando por uma série crise administrativa, salários atrasados, plantel inchado e brigas internas.

Em seu primeiro treino na Toca foi recepcionado carinhosamente pela torcida. Os cruzeirenses ainda não haviam esquecido sua passagem como jogador do clube. Brito se assustou com o plantel de 50 jogadores na Toca. Muitos deles sem qualidades técnicas para estarem num clube grande. Sabia que sua chegada significava a elaboração de uma lista de dispensas e procurou tratar a questão com diplomacia. Assim, avisou que não pediria contratações e que tentaria formar um grupo competitivo com o que tinha.

Sua estreia foi na vitória por 2 a 0 sobre o Bahia, no Mineirão, em 24 de janeiro, pelo Campeonato Brasileiro. Brito sequer havia dado um treino e ainda mal conhecia os jogadores. A sequência do Campeonato foi um desastre. O time estrelado sofreu derrotas vexatórias para equipes medianas e caiu diante da Anapolina-GO, por 1 a 0, no Mineirão, em 20 de março. O resultado reduziu as chances da equipe de avançar para a terceira fase e obrigou o time estrelado a vencer o Fluminense, no Maracanã, na última rodada. No entanto, a diretoria dispensou Brito, em dia 22 de março, sob justificativas pífias. “Disseram que a derrota para a Anapolina foi porque não escalei o Joãozinho. O próprio jogador me pediu para entrar no segundo tempo, pois não estava em suas melhores condições físicas”, justificou o treinador.

A saída de Brito provocou uma crise jamais vista na história do clube. Nelinho, o craque do time, se recusou a entrar em campo contra o Fluminense e outros jogadores o acompanharam. Alguns retornaram, no mesmo dia, para seus clubes de origem. Por fim, conselheiros e torcedores tomaram a iniciativa de criarem um movimento pedindo a renúncia de Felício Brandi, que estava há 21 anos na presidência.

Os números do treinador Brito no Cruzeiro:
Competição
Jogos
Vit
Emp
Der
Posição
Campeonato Brasileiro
13
6
1
6
21o

sábado, 25 de março de 2017

Nos clássicos disputados no aniversário do Galo, o Cruzeiro foi o dono da festa

O atacante Palhinha, no canto esquerdo da foto, marcou dois gols na vitória por 3 a 1 sobre o aniversariante Atlético, em 25 de março de 1973,

Carlos Henrique

O clássico entre Cruzeiro e Atlético foi disputado por três vezes na data de aniversário do rival, em 25 de março. E o Cruzeiro deu três vitórias de presente para a torcida cruzeirense e votos de felicidade aos atleticanos.

Em 25 de março de 1954, o Galo completava 46 anos de existência. O clássico foi em sua própria casa, o estádio de Lourdes. Como de costume os convidados se divertiram mais que o aniversariante na festa. Cruzeiro 1 a 0.

CRUZEIRO 1 x 0 ATLÉTICO
25/03/1954 (Qui-21h) - amistoso – Lourdes (Belo Horizonte, MG)
Renda: Cr$ 30.000,
Árbitro: Elmo Sanches
Gol: Áureo 37’
Cruzeiro: Bernard, Tião e Bené (Avelino); Adelino, Lazzarotti e Pampolini; Torres, Guerino, Áureo, Ipojucan e Sabú. T: Niginho
Atlético: Sinval, Geraldino e Osvaldo; Cléver, Monte e Haroldo; Joãosinho, Gastão, Múcio, Tomazinho (Ubaldo) e Amorim (Lucas). T: Martim Francisco

A segunda vez que o clássico foi disputado no aniversário do Galo - 54 anos - novamente, foi a torcida cruzeirense quem comemorou. A vitória de 2 a 0 sobre o aniversariante deixou o convidado há um empate do bicampeonato mineiro. A data foi alvinegra, mas a festa foi azul e branca.

CRUZEIRO 2 x 0 ATLÉTICO
25/03/1962 (Dom-16h) - Campeonato Mineiro de 1961 - Horto
Ingressos: 20.968 (Cr$ 3.010.170,)
Arbitragem: Elmo Sanches (Francisco Graça Filho e Cidinho Bola Nossa)
Gols: Elmo 15 segs., Orlando 75’
Cruzeiro: Mussula, Vavá e Benito; Massinha, Amauri e Geraldino; Antoninho, Elmo (Emerson/32’), Paulo, Rossi e Orlando. T: Geninho
Atlético: Fábio, William e Klébis; Marcelino, Luiz Santos e Dawson; Maurício (Nilson/36’), Eduardo, Fuzil, Afonsinho e Noêmio. T: Lucas Miranda

Na terceira vez, o time de Lourdes completava 65 anos. E os cruzeirenses, desta vez, prepararam um presente com a excelência cinco estrelas: um verdadeiro show de bola. Foi de três e poderia ter sido mais. Uma lembrança muito merecida!

CRUZEIRO 3 x 1 ATLÉTICO
25/03/1973 - Taça Minas Gerais (Decisão) - Mineirão
Ingressos: 65.756 (Cr$ 366.694,)
Arbitragem: Sílvio Gonçalves (José Alberto Teixeira e Jarbas Castro Pedra)
Gols: Roberto Batata 5’; Palhinha 40’; Palhinha 65’; Rodrigues (pênalti) 87’
Cruzeiro: Hélio, Nelinho, Darci (Miro), Piazza e Vanderlei; Dirceu Alves, Toninho e Roberto Batata (Baiano); Palhinha, Dirceu Lopes e Lima. T: Ílton Chaves.
Atlético: Mussula, Aranha, Raul Fernandes, Normandes e Cláudio Mineiro; Danival, Spencer (Reinaldo) e Paulinho; Campos, Bibi, Rodrigues. T: Paulo Benigno.

sexta-feira, 24 de março de 2017

RENATO GAÚCHO

Carlos Henrique

09/09/1962 Renato Portaluppi, o Renato Gaúcho, nasce em Guaporé, RS.

24/06/1990 Estreia no Mundial na derrota (1 a 0) para a Argentina, em Torino, na Itália. Foi o único jogo que participou na campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1990.

22/07/1992 A diretoria cruzeirense inicia as negociações para trazer o atacante Renato como um dos reforços para a Supercopa. O jogador estava afastado do Botafogo, devido as hostilidades que vinha recebendo de torcedores, após a perda do título do Campeonato Brasileiro. Renato havia organizado uma festa com a presença de jogadores do rubro-negro, que revoltou os botafoguenses.

24/08/1992 Renato compra o próprio passe ao Botafogo por US$ 100 mil e acerta contrato, por empréstimo, com o Cruzeiro, até 31 de dezembro. Receberá US$ 150 mil, além das premiações.

25/08/1992 Renato desembarca em Belo Horizonte e é recebido por uma multidão de torcedores. “Em todos os lugares da cidade, dos bares aos locais de trabalho, só existem dois assuntos: o impeachment do presidente Collor e a vinda de Renato para o Cruzeiro, escreve o colunista do jornal Hoje em Dia, Roberto Drummond.

28/08/1992 Oito mil torcedores comparecem à Toca da Raposa para o primeiro treino de Renato Gaúcho. Participou do segundo tempo contra os juvenis. “Eu tenho personalidade forte. Dou o máximo de mim para o clube que defendo. Na minha opinião, às vezes a gente transmite isso até mesmo para os companheiros. Eu sempre entro em campo com o espírito de vencedor e tenho certeza que aqui será a mesma coisa”, declara.

03/09/1992 Estreia com a camisa do Cruzeiro na vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo, em jogo amistoso, no Mineirão. Renato marcou o segundo gol estrelado aos 37 minutos. O primeiro dele pelo clube.

06/09/1992 Faz seu primeiro jogo oficial com a camisa cruzeirense na goleada por 4 a 1 sobre o Uberlândia, no Parque do Sabiá, pelo Campeonato Mineiro. Renato marca o segundo gol da vitória aos 34 minutos.

16/09/1992 É convocado pelo treinador Carlos Alberto Parreira para o amistoso da Seleção Brasileira contra a Costa Rica.

23/09/1992 Como atleta do Cruzeiro participou da vitória por 4 a 2 da Seleção Brasileira sobre a Costa Rica, em Paranavaí, e marca um gol.

15/10/1992 Marca 5 gols na goleada histórica por 8 a 0 sobre o Atlético Nacional, da Colômbia, no Mineirão, pela Supercopa. Torna-se o maior goleador cruzeirense em um único jogo internacional oficial. O segundo gol dele no jogo foi marcado de forma inusitada. O atacante escorregou e caiu na área, no momento em que o goleiro rebateu um chute de Boiadeiro. Renato, mesmo caído, conseguiu marcar: “Já fiz gols de várias maneiras como de bicicleta e olímpico. Mas deitado foi a primeira vez”.

21/10/1992 Sofre um estiramento muscular na panturrilha no lance do pênalti, que originou o primeiro gol do Cruzeiro, na vitória por 2 a 0 sobre o River Plate, pela Supercopa no Mineirão. Deixa o campo aos 54 minutos sendo substituído por Cleison.

11/11/1992 Sofre o pênalti que originou o primeiro gol cruzeirense, no empate em 2 a 2, contra o Olimpia, no Mineirão, pela Supercopa. A pancada foi na mesma perna lesionada, desde o jogo contra o River. Joga no sacrifício, até os 70 minutos, e é substituído pelo centroavante Tôto.

18/11/1992 O Cruzeiro goleia o Racing, da Argentina, por 4 a 0, no Mineirão, no primeiro jogo da decisão da Supercopa. Mesmo com o temporal que caiu durante todo o dia na cidade, mais de 80 mil torcedores compareceram ao estádio. A média de público nos jogos do Cruzeiro na Supercopa foi de 73 mil – um recorde mundial.

25/11/1992 Conquista o primeiro título pelo Cruzeiro. Após a derrota por 1 a 0 para o Racing, em Avellaneda, na Argentina, Renato sagra-se campeão da Supercopa de 1992. Renato também sagrou-se o artilheiro máximo da Supercopa com 6 gols.

09/12/1992 Faz três gols na goleada por 8 a 1 sobre o Rio Branco, de Andradas, pela semifinal do Campeonato Mineiro, no Mineirão. Após o jogo promete repetir a dose na final contra o América.

13/12/1992 Como prometido, faz três gols na vitória por 3 a 2 sobre o América, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Mineiro, no Mineirão.

20/12/1992 Conquista o segundo título pelo Cruzeiro. Com a vitória por 2 a 0 sobre o América, no Mineirão, sagra-se campeão mineiro de 1992. Renato marcou o primeiro gol da vitória e o último de sua passagem campeoníssima pelo Cruzeiro. Ao todo fez 18 jogos e marcou 18 gols (sendo um de pênalti) com a camisa cruzeirense.

21/12/1992 O presidente César Masci aumenta a proposta salarial de US$ 60 para US$ 80 mil mensais para Renato renovar o contrato. Renato, em tom de brincadeira, pede mais: “quero 20% do que ele receberá na câmara municipal, afinal o ajudei a se eleger vereador”. Em entrevista ao Jornal dos Sports, no Rio, agradeceu a oportunidade de jogar pelo clube: “valeu a pena ter ido para o Cruzeiro. Um senhor clube. Não esperava tanto”.

13/01/1993 O atacante aceita a proposta do Flamengo e assina contrato de seis meses com o rubro-negro.

*Série Jogadores do Mundial que jogaram pelo Cruzeiro

TÚLIO

Carlos Henrique

Túlio Humberto Pereira Costa (Goiânia, GO, 02/06/1969). O atacante Túlio foi anunciado, em 16 de abril de 1997, como reforço de peso para a disputa da segunda fase da Taça Libertadores. O jogador era um recordista nacional. Foi três vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro: pelo Goiás, em 1989, e pelo Botafogo, em 1994 e 1995. Apenas Pelé e Dario haviam conseguido a proeza. No entanto, aquela contratação terminou de forma traumática. O Cruzeiro havia acertado a compra da metade dos direitos de Túlio, por R$2,5 milhões, junto ao Banco Excell. O jogador, que estava no Corinthians, não concordou com a negociação. Alegou não ter sido consultado sobre a transferência. "Há dirigentes que pensam que o jogador de futebol é mercadoria. Eu tenho currículo, tenho moral e não aceito isso", esbravejou. O presidente Zezé Perrella acusou o diretor de futebol do Corinthians, José Mansur Farhat, de ter influenciado Túlio a recusar o negócio.

Após o Banco Excell ter sido vendido ao Bilbao Vizcaya, os direitos de Túlio foram repassados aos espanhóis, que não tinham interesse em investir no futebol. Assim, dois anos depois, o atacante deixou o Fluminense e se transferiu para o Cruzeiro. Túlio desembarcou no Aeroporto da Pampulha, em 17 de maio de 1999, vestindo paletó azul sobre uma camisa branca. "Chego com o espírito cruzeirense encarnado", avisou. O jogador contabilizava 496 gols na carreira e garantiu que faria o 500 no Cruzeiro: "cem para cada estrela do escudo", brincou. Ao contrário de 1997, Túlio custou apenas R$ 53 mil pelo empréstimo até o final do ano com o passe fixado em R$ 3 milhões. O valor foi considerado uma pechincha pelo presidente Zezé Perrella.

O atacante veio solucionar a escassez de gols no Estadual: o time havia feito 9 em 7 jogos. Sua estreia foi, no Mineirão, contra o Villa Nova, em dia 29 de maio. E foi em grande estilo! Marcou os dois gols do empate em 2 a 2. No entanto, após o segundo gol, o titular Marcelo Ramos foi sacado do time para a entrada de Alex Alves. O jogador, que não atravessava uma boa fase, saiu de campo inconformado. Tirou a camisa, jogou-a próximo ao banco de reservas e avisou ao treinador que não jogaria mais no clube. Sinal que a contratação de Túlio incomodou os companheiros.

Contra o Valério, em 3 de junho, e contra a Caldense, em 6 de junho, foi a vez de Túlio ser substituído no decorrer do jogo, pelo garoto Geovanni e por Alex Alves. A bronca de Marcelo Ramos surtiu efeito. O jogador não foi mais substituído. Túlio sequer usava a tradicional camisa 7 que o acompanhou em sua carreira. Muller não abriu mão do número e restou a ele jogar com a 11. "Dependendo da necessidade, a equipe precisa mais desse ou daquele jogador. E com a quantidade de feras que temos aqui, quem entra não deixa o nível cair", comentou sobre as suas substituições em tom diplomático.

Contra a Caldense, Túlio marcou o primeiro gol da vitória por 3 a 0. Assim, prometeu marcar o gol 500 contra o Democrata, em 10 de junho. E a promessa durou 20 minutos. Marcou o primeiro da goleada por 4 a 1, em Governador Valadares. Na comemoração exibiu a faixa: Túlio 500 gols, Brasil 500 anos. "É uma homenagem ao nosso país, que, assim como eu, completará uma marca histórica", brincou. O Brasil comemorava naquele ano os 500 anos de seu descobrimento.

A gota d'água de sua relação com o treinador Levir Culpi veio na última rodada do Estadual contra o Galo. O Cruzeiro precisava apenas de um empate para se classificar para a final, ao contrário do alvinegro, que só interessava a vitória. Cauteloso, Levir optou em mudar o esquema e reforçou o meio-de-campo. Promoveu a entrada do volante Ricardinho e sacou Túlio da equipe titular. O time não criou nenhuma chance e ainda sofreu um gol, no minuto final, do primeiro tempo. No início da segunda etapa, teve o volante Donizete expulso. No desespero, Levir lançou o time ao ataque e colocou Túlio na vaga de Paulo Isidoro, aos 25, do segundo tempo. Mas a bola chegou apenas uma vez ao atacante. O castigo veio com um gol de pênalti no final. A derrota por 2 a 0 tirou a equipe da decisão, já que o América havia vencido o Villa Nova, em Nova Lima, e ultrapassou o Cruzeiro na tabela. Foi o primeiro estadual, da era Mineirão, que o Cruzeiro ficou de fora de uma decisão.

No dia seguinte, Túlio declarou o desejo de deixar o clube. Não concordava com a reserva. "Com este treinador não jogo mais", reclamou. No dia 17 de julho, fez seu último jogo com a camisa cruzeirense, na derrota por 2 a 0, para o Internacional, em Ipatinga. Túlio entrou no segundo tempo do amistoso na vaga de Muller. Ao todo foram 7 jogos com a camisa cruzeirense e 4 gols. O jogador deixou de comparecer aos treinos e, em 18 de setembro, comprou o seu passe junto ao Banco, sem revelar os valores. No entanto, o Cruzeiro só concordava com a sua liberação mediante uma indenização de R$ 400 mil. Após entendimentos com a diretoria, voltou a ser relacionado, para o banco de reservas, no segundo jogo da decisão da Recopa Sul-americana contra o River Plate, em Buenos Aires. Não entrou em campo, mas conquistou o título mesmo assim, com a vitória cruzeirense por 3 a 0. No dia 3 de novembro de 1999 acertou a sua transferência para o Vila Nova-GO para a disputa dos play-offs finais da Série B do Campeonato Brasileiro.

Túlio estabeleceria outras marcas, como ser artilheiro de todas as séries do Campeonato Brasileiro. Em 2008, pelo Vila Nova, foi o goleador máximo da Série B; e por duas vezes foi o artilheiro da Série C, em 2002, pelo Brasiliense, e em 2007, pelo Vila Nova. Com o passe na mão tornou-se o maior andarilho do futebol brasileiro e somou 36 clubes em sua carreira. Em sua passagem pelo Araxá, em 2014, garantiu que o gol marcado, em 8 de fevereiro, em cobrança de pênalti, contra o Mamoré, no estádio Fausto Alvim, foi o milésimo de sua carreira. O jogo foi pela segundona do estadual mineiro.

O Cruzeiro faz parte de duas marcas do artilheiro Túlio: o gol 500 de sua carreira e o recorde de clubes em que atuou.

A primeira passagem de Túlio em cada um dos 36 clubes que jogou:
1o Goias 1988 13o Atlético-GO 2003 25o Botafogo-DF 2009
2o Sion/SUI 1992 14o Tupy-ES 2003 26o Potyguar-RN 2010
3o Botafogo 1994 15o Wilsterman/BOL 2004 27o Barras 2011
4o Corinthians 1997 16o Anapolina 2004 28o América-RJ 2011
5o Vitória 1997 17o Volta Redonda 2004 29o Bonsucesso-RJ 2011
6o Fluminense 1999 18o Juventude 2005 30o CSE-AL 2012
7o Cruzeiro 1999 19o Al Shabab/EMI 2006 31o Laranjal 2012
8o Vila Nova 1999 20o Fast-AM 2006 32o Tanabi-SP 2012
9o São Caetano 2000 21o Canedense-GO 2006 33o Vilavelhense 2013
10o Santa Cruz 2001 22o Itauçuense-GO 2006 34o Araxá 2014
11o Ujpest/HUN 2002 23o Itumbiara-GO 2009 35o Aparecida-GO 2015
12o Brasiliense 2002 24o Goiânia 2009 36o Taboão da Serra 2016

*Série jogadores recordistas que atuaram pelo Cruzeiro